VERDADE OU MITO: USAMOS APENAS 10% DO CÉREBRO

VERDADE OU MITO: USAMOS APENAS 10% DO CÉREBRO

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É frequente lermos em blogs, sites, posts de redes sociais e até livros  e revistas de pseudoneurociência que usamos apenas 10% de nosso cérebro. Logo depois, com frequência, oferecem possibilidades de melhorarmos nosso desempenho e atingirmos 100% – o sonho de muitos-  ser superdotado – se concretizaria. É verdade?

Spoiler: é mito.

A dúvida, entretanto, faz sentido: se é possível melhorarmos nossas funções cognitivas – como memória, consciência e  atenção, por exemplo – como podemos não usar apenas uma parte de nosso cérebro?

 

DE ONDE SURGIU O MITO?

Essa ideia de que utilizamos apenas 10% de nosso potencial cerebral foi muito lucrativa (e provavelmente ainda é) na década de 40. Gurus de auto-ajuda venderam programas muito lucrativos ensinando supostamente a atingir o máximo o potencial do cérebro de seus adeptos.

Dale Carnegie, em seu livro Como ganhar amigos e influenciar pessoas, vendeu muitos exemplares e influenciou muitos leitores com essa ideia também. Foi ele quem reforçou esse mito ao relacioná-lo com as ideias de um importante psicólogo estadunidense e fundador da moderna psicologia: William James.

Porém, o que James disse em “As energias do Homem” não foi que usamos apenas 10% de nosso cérebro, mas que não utilizamos todos os recursos mentais dos quais dispomos.

lupa

Fonte: Luparelli

A verdade é que o cérebro funciona o tempo todo. Caso alguma área não funcionasse, isso indicaria uma lesão, e não apenas falta de estímulo. Hoje em dia, através das modernas técnicas de ressonância magnética ou tomografia por emissão de pósitrons (PET) é possível mapear as atividades em todas as áreas corticais do cérebro. Esses exames revelam que, mesmo durante o sono, as áreas de motricidade permanecem ativas.

Uma outra teoria para o surgimento desse mito são as pessoas adeptas das crenças da paranormalidade. Não é novidade na ciência que cada área da ciência costuma ter seu lado não-científico: a astronomia tem a astrologia e a psicologia tem a parapsicologia, por exemplo.

Defensores da parapsicologia acreditam (e lucram muito com palestras a respeito) de que como usamos apenas um pequeno percentual de nosso cérebro, fenômenos parapsicológicos como telecinese, levitar, entortar garfos e telepatia seriam possíveis através do desenvolvimento das outras áreas não exploradas do nosso cérebro.

E, por fim, uma outra teoria a respeito do nascimento e difusão desse mito foi um artigo em uma revista, de 1998, dizia algo como: “Você usa apenas 11% do seu potencial”.

A emissora ABC havia lançado recentemente uma série chamada “The secret lives of men” [ “As vidas secretas dos homens”, em tradução livre] e alterou essa frase na propaganda da série dizendo: “Homens usam apenas 10% do cérebro”. Não muito tempo depois, as pessoas começaram a comentar que utilizávamos apenas 10% do cérebro e que 90% do potencial estava intacto e que guardavam poderes psiqúicos e paranormais imensos.

MAS ONDE ESTÁ A RESPOSTA ENTÃO?

A resposta está em nossos neurônios!

neurônios

Fonte: Neuro Key

Temos cerca de 86 bilhões de neurônios em nosso cérebro. E esses neurônios fazem conexões uns com os outros afim de transmitirem informações. São as chamadas sinapses. O que acontece é que podemos melhorar a rapidez dessas sinapses.

O QUE POSSO FAZER PARA MELHORAR COISAS COMO ATENÇÃO E MEMÓRIA, POR EXEMPLO?

Consulte um parapsicólogo.

Ok, falando sério: existem atividades que podem melhorar comprovadamente o desempenho em nossas áreas cognitivas, como memória e atenção.

São elas:

  1. Dormir adequadamente: o sono é um momento muito importante para nosso cérebro. Estima-se que sejam necessárias de 7 a 8 horas por dia de sono para que o cérebro possa “carregar as energias”. Nada de cochilos o tempo todo. Precisamos do sono REM (aquele mais profundo), coisa que não acontece com cochilos (mas dormir após o almoço um pouco também faz bem, tá liberado).
  2. Exercite-se. Os exercícios físicos estimulam o fluxo de oxigênio no cérebro (ele consome 20% de todo o nosso oxigênio) o que é importante para a atividade cerebral, além de promover a melhora da percepção espacial. Sem falar nos benefícios cardiorrespiratórios que a atividade física pode proporcionar.
  3. Os benefícios da meditação são cientificamente comprovados e algumas técnicas de meditação já são aplicadas no processo de psicoterapia.
    Imagens de MRI mostram que praticantes de 8 semanas de meditação (conhecida como Mindfullness) tiveram mudanças significativas em seus cérebros.
    A área do hipocampo houve um aumento de massa, e isso é benéfico porque alí se concentra uma grande quantidade de neurônios. Antigamente acreditava-se que apenas se perdia neurônios durante toda a vida.
    Porém, com esse estudo, compreende-se que também é possível brotarem em qualquer fase da vida. Para praticantes da meditação com muito mais anos de prática, estudos indicam que houve uma modificação das dobras de uma área conhecida como ínsula, que está relacionada às emoções. Essa área, quando lesionada, pode resultar em sentimentos de apatia, perda de memória e libido.

Bibliografia

  1. Aamodt S. e Wang S., Bem vindo ao seu cérebro. Editora Cultrix, São Paulo, 2010.
  2. www.bbc.co.uk
  3. http://www.folha.uol.com.br/
  4. www.super.abril.com.br
  5. http://www.olharvital.ufrj.br/

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