“Todo Mundo Tem Fome. Se Não é de Feijão e Farinha, é...

“Todo Mundo Tem Fome. Se Não é de Feijão e Farinha, é de Amor”

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Quando se trata de fome emocional, estamos falando sobre: dependência emocional.

Enquanto bebês, estamos ligados a nossa mãe por um cordão umbilical, no qual, dependemos dela para nos alimentarmos, o que curiosamente se propaga em nossa infância, mas de forma oculta e agregando responsabilidade diante da relação com a figura paterna também.

A infância ocorre em torno  de experiências com o amor e elas variam consideravelmente, pois algumas pessoas possuem relações de afeto, cuidado e proteção com seus pais, porém há aquelas de que ficam com a sensação de experiência de amor incompleta.

As experiências bem ou mal sucedidas em torno do amor na infância, fazem com que os indivíduos atribuem sentido ao senso de se sentirem amados e ao seu valor pessoal na sua vida adulta, ou seja, em vez de despertar compaixão e compreensão que acreditam merecer dos Outros, aprendem a se tornarem indivíduos desesperados, criando-se um obstáculo em seus relacionamentos futuros.

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Fonte: Solsorte

As pessoas que mais necessitam de amor, são em sua maioria as que mais terão dificuldade de encontrá-lo, inclusive quando estão alienadas sobre os sinais de desespero que projetam em seus alvos. São pessoas que não negam seu comportamento, porém não possuem senso de julgar-se como pessoas com atitudes, muitas das vezes, exageradas e sem limites.

Assemelha-se com o  o mesmo comportamento de pessoas com compulsão alimentar, ou seja, são indivíduos que transferem seus conflitos nos alimentos, comendo exageradamente e sem qualquer limite em torno de sua alimentação. Portanto, o “desespero emocional” pode ser descrito como um buraco vazio, escuro e sem fundo, que faz com que a pessoa tenha uma necessidade extrema de ser amada, por ser uma fome silenciosa de afeto, como se a pessoa tivesse tatuado em sua testa: “Ame-me! Por favor, aceite-me!”.

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Fonte: Stock

Podemos concluir de que é um sintoma de falta de amor-próprio e sentimento de incapacidade de ser uma pessoa que conseguira obter uma relação de afeto. Pessoas “desesperadas” procuram nos Outros reconhecimento de seu próprio valor, achando que a outra pessoa será a solução para suas imperfeições, ou melhor, para a imagem distorcida de sí mesmo, tornando-se cada vez mais, sujeitos dependentes.

Pessoas emocionalmente desesperadas agem da seguinte forma:

  • Investem energia e dão crédito a uma relação muito antes que tenha a concreta possibilidade de obter um futuro.
  • Criam expectativas muito precipitadas, exigentes e intensas em seus relacionamentos.
  • Demonstram sentimentos de afeto e carinho prematuramente, para indiretamente, terem garantia do sentimento do Outro.
  • Cercam a pessoa de forma sufocante, para obter atenção e carinho.
  • Quanto mais rejeitadas, mais investem na relação.
  • Atribuem ao Outro a responsabilidade de sua felicidade, de forma, precipitada.
  • São aquelas pessoas que dizem “Eu te amo”, no final do primeiro encontro, por exemplo.
  • São vistas e descritas como sujeitos exageradamente carentes.

São pessoas que exigem um compromisso antes que a semente do relacionamento possa se enraizar e a única solução para alguém que esteja nessa situação é desenvolver sua capacidade de confiar em sí mesmo, encarando-se como capaz e digno de ser amado.

Portanto, são indivíduos que precisam se conscientizar de que o vazio não existe por falta de sentimentos alheios e sim, de amor-próprio. Nem sempre o conflito está no Outro, talvez, há a necessidade de virar os holofotes para sí mesmo e criar coragem para mergulhar nas profundezas de seu próprio oceano.

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Fonte: Charlie Brown

Referência:

Cowan, Connell. Mulheres inteligentes, escolhas sensatas; como encontrar os homens certos, como evitar os errados / Connell Cowan e Melyyn Kinder; tradução de Alfredo Barcellos. ­­- Rio de Janeiro: Rocco, 1986.

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Psicóloga clínica, especialista em Neuropsicologia infantil, pelo CEPSIC – Hospital das Clínicas da FMUSP. Atende na região do Grande ABC em equipe multidisciplinar e consultório Particular, com foco em transtorno do desenvolvimento infantil, principalmente Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Humor em adolescentes e adultos. Admiradora, apaixonada e grata pela Psicologia, tendo como um de seus maiores objetivos, propagar informação e conhecimento em torno dessa profissão tão encantadora.