Te julgarão, me julgarão, e nós? Nós julgaremos?

Te julgarão, me julgarão, e nós? Nós julgaremos?

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Desafio você a ler este texto até o final.

A leitura é rápida, porém tem algo dentro de seu conteúdo que incomoda 70% dos leitores que tentaram ler.

Para prosseguir, você deve seguir algumas simples regrinhas, quem já acompanha meus textos há algum tempo já sabe quais são:

  • Você será o personagem principal. Narrarei sua história/vida.
  • No momento que você começar a julgar o personagem, lembre-se que estará julgando a si mesmo. Precisas incorporar.

PRONTO? Esvazie sua mente, respire fundo, o texto é rápido! Vamos lá…

Seu nome é Vânia, auxiliar de limpeza. Recentemente aconteceu algo muito difícil em sua vida. Aconteceu algo extremamente assustador, que causou uma reviravolta de uma maneira perturbadora, lhe deixando triste, assustada, preocupada….

Vânia é uma pessoa trabalhadora, jamais negou serviço. Uma boa pessoa perante a sociedade, por mais que suas condições de vida não sejam das melhores, afinal, sua família vem de origem pobre e ela ainda não havia conseguido se estabelecer financeiramente. É difícil crescer financeiramente num pais como o Brasil, onde temos que trabalhar e sermos roubados ao mesmo tempo, tanto por ladrões, como por políticos. Mas, sabem de uma coisa? Por mais difícil que seja, ela segue em frente! Tem um filho de 17 anos, o verdadeiro amor de sua vida, o qual ela sustenta sozinha. Queria muito que seu filho fosse um estudante dedicado, para que tivesse um futuro na vida e pudesse arranjar algo melhor da sociedade, porém, não foi exatamente isso que aconteceu…E podemos dizer, que o acontecimento que marcou sua vida, começa com o que aconteceu com seu filho.

Seu filho, Joaquim, não conseguia estudar, desistiu na 8º série do fundamental. Simplesmente não conseguia. Vânia preocupada, era impossibilitada de fazer qualquer coisa para tentar entender o que acontecera com seu garoto. Sem tempo porque precisava trabalhar, deixou-se passar despercebido que Joaquim havia experimentado o crack – droga que vicia incrivelmente rápido, e não aparado no primeiro momento, pode-se ocorrer a dependência – quando foi dar-se de conta, seu filho já era dependente químico de diversas drogas. E foi aí que começa uma verdadeira batalha na vida de Vânia.

Nossa heroína, precisava trabalhar para sustentar a casa, ao mesmo tempo cuidar de seu filho Joaquim. Sem o tratamento correto, o garoto começou a se perder por completo! Já havia desistido dos estudos, agora começara a vender objetos de valores que Vânia havia lutado tanto para comprar. Teve momentos, que ela pensou em desistir, sentava-se em sua sala e encontrava seu filho atirado no chão…Vânia não aguentava…começava a chorar.

Segurava seu filho no colo, olhava para o teto de sua casa e em voz alta pedia ajuda a Deus…

“SENHOR! ME AJUDE, EU NÃO AGUENTO MAIS! ”

A televisão ligada, encontrava-se quase à beira de cair da estante, parecera que Joaquim havia tentado retirar o objeto, porém, um colapso causado pelos produtos químicos fizera o cair inconsciente no chão, impossibilitando o furto.

Na televisão passava uma propaganda que política que dizia:

“Não confiem em pessoas de direita”

Logo em seguida, uma outra propaganda respondia:

“Não confiem em pessoas de esquerda”

A verdade é que Vânia pouco se importava para o que aparecera na TV, aquele momento ela só queria que alguém ajudasse seu filho, ela já não sabia mais o que fazer. Em um breve momento, seu filho abre os olhos e diz:

“Mãe, eu preciso de ajuda, quero melhorar”

Nesse instante, um ar de esperança surge em toda a casa. Por mais que não pudesse confiar na resposta, confiava no seu filho, ela o viu crescer, sabe que o garoto não é ruim. E vai Vânia, confiar. Joaquim não era odiado pelas pessoas, pelo contrário, gostavam do garoto. No bairro, sabiam de seus problemas com drogas, e mesmo assim tinham um certo sentimento de afeto com ele, deveria ser pelo fato de todos na região saberem da história de vida sofrida de Vânia, e também porque Joaquim jamais tinha roubado um vizinho. Os furtos eram realizados apenas em sua própria casa.

O impossível tornou-se real. Vânia conseguiu assistência médica, psicológica para tentar reverter a situação de Joaquim. Em uma das consultas médicas, após diagnósticos foi descoberto que sua dificuldade de estudar estava relacionada a um transtorno mental que agravou-se por causa da dependência química.

Tudo estava correndo bem…

Até que…

Um certo dia, Vânia estava voltando de seu trabalho, quando foi abordada por um de seus vizinhos. Ele estava muito preocupado e apavorado:

“Vânia, seu filho sumiu! Só que não foi de qualquer jeito, estão falando que dois caras raptaram ele. ”

A mãe por um momento ficou em silêncio. Um calafrio subiu, o sentimento de morte, de perda, de insegurança. Ela entrou em desespero.

Corria para todos os lados, chegou na sua casa, não encontrara Joaquim. Os vizinhos, preocupados, começam uma incessante busca atrás do garoto. E nem sinal dele. Até que em um momento, um dos amigos do jovem encontram ele.

Ele estava atirado no chão. Suas mãos e pernas haviam sido amarradas, pois dava-se para ver as marcas vermelhas em seus pulsos e canelas. Sua roupa estava suja. Joaquim chorava muito, e temia em mostrar seu rosto. Até que sua mãe se abaixa, segura sua cabeça para que ele olhasse em seus olhos…

Então Vânia entra em choque…  Ao olhar para testa de seu filho:

E foi nesse dia que tudo mudou na vida dessa mãe.

Seu filho foi torturado, marcado, tratado como um animal perante a sociedade. E se rotulássemos todos? E se você fosse a Vânia, já teria tatuado a testa de seu filho para que nunca ninguém fosse roubado por ele? O que você acha se torturamos toda pessoa que rouba?

Assim teremos chance na vida, enquanto eliminamos completamente outra. Vamos pegar e tatuar todos eles. Vamos tatuar a minha testa por tentar ver o outro lado da moeda. Vamos tatuar quem defendeu os torturadores. Vamos tatuar a testa de quem defende o garoto.

Vamos tatuar quem é culpado, quem é inocente, quem é ladrão, quem é político, quem é contra minha opinião e quem é a favor.

Vamos matar todo mundo que erra. E vamos matar todo mundo que é contra minha opinião. Vamos matar todo mundo que reza, porque não acreditamos em seu Deus. Vamos matar todo mundo que assiste televisão, porque acreditamos que é alienação.  Quem apoia o atual governo? Quem é contra o atual governo? Quem apoia um suposto candidato?

Vamos tatuar a testa de todos!

VAMOS

VAMOS

VAMOS!

Não, pessoal, não vamos. Ao invés de finalizar dando minha opinião, dessa vez vou fazer diferente.

Se você fosse a Vânia, mãe do rapaz que foi tatuado na testa, o que farias em relação a tudo isso? Qual seria sua reação ao ler as redes sociais?

E se você já falou mal dele, procurou fazer algo diferente ao invés de somente julgar? Quem sabe, a Vânia não está exatamente nesse momento lendo seu comentário maldoso na internet.

E quem sabe, nesse momento ela não esteja se desesperado mais ainda pelo ódio que está sendo compartilhado contra sua família.

Já pensou nisso? Tens noção do poder de nossas palavras?

Talvez, ela, nesse momento, tenha noção.

Pense nisso.

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