Os Sobreviventes do Suicídio – Setembro Amarelo

Os Sobreviventes do Suicídio – Setembro Amarelo

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A campanha Setembro Amarelo é uma oportunidade para a conscientização e discussão da proposta de prevenção ao suicídio e promoção da vida. Dados da OMS estimam que cerca de 1 milhão de pessoas morrem em decorrência do suicídio anualmente e que ocorrem cerca de 10 a 20 milhões de tentativas ao ano.  Ou seja, para cada suicídio consumado, ocorrem 10 a 20 tentativas.

A morte é distinguida de acordo com sua causa e com o seu modo de ocorrência. O suicídio é classificado como um outro modo de morte. Existe a separação entre causas internas e externas. As internas estão relacionadas ao biológico, são mortes decorrentes de doenças. As externas são aquelas mortes não provocadas por problemas de saúde, podendo ser divididas em três modos mais importantes: acidental, homicídio e suicídio.

Fala-se bastante a respeito do individuo que apresenta o comportamento suicida, entretanto fala-se pouco sobre as pessoas que são afetadas por um suicídio. Aponta-se que na consumação do suicídio de uma pessoa próxima, cerca de seis a dez pessoas são afetadas diretamente.

A morte é um evento natural que modifica o ambiente no qual ocorreu. Ela se caracteriza por ser um fenômeno impregnado de valores e significados de acordo com o meio cultural e social em que acontece.

Quando falamos em morte, estamos nos referindo à três conceitos básicos: todos os seres vivos irão morrer (universalidade); todas as funções vitais são cessadas (não funcionalidade); e que todos que morreram não voltam a viver (irreversibilidade).

O assunto morte é considerado um dos temas tabus na sociedade. Ele é pouco discutido no cotidiano, pois se configura como um assunto desconfortável, que pode causar estranhamento, repulsa, revolta, muitas perguntas e até mesmo a sensação de não saber como agir diante de tal evento.

Quando pensamos em morte, estamos falando de um evento que envolve perdas. E o luto é a reação diante de uma perda. Se a pessoa perde alguém ou algo no qual possuía um vínculo afetivo, estamos diante de um processo de luto.

Fonte: mundovastomundo

A perda provoca desequilíbrio e desajustes na vida daquele que a sofreu, sendo uma mudança estressante para a pessoa enlutada. Nos referimos ao Luto Complicado, quando ocorre o impedimento da reorganização da vida do individuo, em que as reações do processo normal do luto se intensificam e passam a comprometer as suas atividades cotidianas. Cada indivíduo irá vivenciar o luto de uma forma própria, de acordo com a sua história de vida, o tipo de morte e o contexto sociocultural.

Quando se fala em perda por suicídio, o impacto na família e nos amigos é mais evidente do que em outros tipos de morte. Refere-se àquele que perdeu uma pessoa por suicídio como sobrevivente.

A forma como esse sobrevivente irá enfrentar a situação vai depender da convivência antecipada com ou sem tentativas anteriores e o risco de suicídio; da sua relação de si com um suicídio consumado; da sua posição pessoal diante do valor da vida; e da sua posição pessoal frente à morte.

O suicídio é permeado por muitos tabus, preconceitos e estigmas. Isso dificulta o processo de luto que a família vivência, podendo levá-la ao isolamento social e a sentir vergonha pelo acontecimento. Há casos em que o estigma social impede que a pessoa fale sobre o acontecido e expresse os seus sentimentos.

Outro ponto que merece destaque é que os sobreviventes podem passar por estresse pós-traumático. Nesse caso, vemos duas situações distintas, o trauma referente ao suicídio e o luto pela perda do ente querido.

Trabalhar o luto com familiares e amigos é também uma forma de prevenção ao suicídio. Aponta-se que a vivência da conduta suicida de familiares e amigos próximos é um fator de risco precipitante para o suicídio.

É necessário buscas conhecer e entender os fatores culturais, religiosos e sociais que estão ligados à concepção desse sobrevivente em relação ao luto e ao suicídio.

Fonte: opovo

Ao se pensar em recursos para se trabalhar o luto com esses sobreviventes, deve-se analisar as características e impactos da perda na vida do enlutado, bem como verificar quais habilidades ele dispõe para lidar com essa perda. Deve-se também estimular e apoiar recursos adaptativos à essa nova situação de vida.

É importante ressaltar que a atenção e suporte que esses familiares e amigos necessitam devem ser permeados pelo acolhimento. O que é preciso é proporcionar um espaço em que eles possam falar e compartilhar seus sentimentos sem julgamentos.

Referências

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Suicídio e os desafios para a psicologia. Brasilia: CFP, 2013.

OLIVEIRA, Dafne  Rosane. Terapia do Luto: contribuições e reflexões sob a perspectiva da Análise do Comportamento. 2014.

TORRES, Nione. Luto: a dor que se perde com o tempo (…ou não se perde?). 2013.

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