O Significado da Mandala e sua Relação com Tempos de Crise

O Significado da Mandala e sua Relação com Tempos de Crise

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Jung diz: “A mandala possui uma eficácia dupla:  conservar a ordem psíquica se ela já existe; restabelecê-la, se desapareceu. Nesse último caso, exerce uma função estimulante e criadora.”  

Símbolo da profundidade e do autoconhecimento, ligado a ascensão espiritual precedente a uma interiorização mais elevada da realidade de nossa existência. É assim que podemos começar definindo o que de fato uma mandala pode representar.

Palavra originária da língua sânscrita, falada na antiga Índia, e com significação literal de círculo, sempre faz associação ao caráter da totalidade e integração, onde suas questões de harmonização promovem um conhecimento a mais a respeito das nossas atitudes frente à vida.

Conhecida ainda por ser o “conteúdo da essência”, notada a etimologia da palavra (manda: essência e la: conteúdo) se faz presente em vários contextos, desde o mais difundido como o religioso até mesmo na esfera arquitetônica em que a humanidade, mesmo sem perceber, a utiliza como plano básico de suas edificações.

Se atentarmos o nosso olhar as minuciosidades que nos aparecem diariamente poderemos nos surpreender com a convivência dessa temática e perceber que o mundo se consolida sobre a projeção dessa imagem.  

Independente da forma de sua configuração, sendo um círculo circunscrito em um quadro ou um  quadrado em um círculo, essa imagem alude ao aspecto mais profundo de nossa personalidade, o Self. Instância primordial na Psicologia Junguiana proposta por Carl G. Jung.

“Jung usou a palavra de origem hindu mandala (círculo mágico) para designar esse tipo de estrutura, que é uma representação simbólica do “átomo nuclear” da psique humana – cuja essência não conhecemos.” (Jung, Carl G. O homem e seus símbolos, pg 285).

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Segundo o mesmo, após diversos estudos com os materiais de seu pacientes e a sua própria experiência chegou a conclusão de que as configurações circulares traduzem a unidade e a totalidade da psique, na qual o Self se ocupa de produzir símbolos circulares após momentos de crise interiores em busca de uma organização interna.

A melhoria significava diante dos quadros, e os efeitos de cura e relaxamento possibilitaram ao médico, compreender que ao entrar em contato com esse símbolo o mesmo possibilitava um entendimento maior a ele e ao seu paciente do processo de amadurecimento do segundo, no qual o desenvolvimento de uma capacidade intuitiva era conquistada  conjuntamente com uma maior ampliação da realidade interior.

Ao permitirmos o contato com a mandala, estamos nos abrindo mais íntimo que poderemos conhecer. Seja através de uma pintura, de uma imaginação, fazer ligação com esse símbolo permite com que apreendemos a nossa maneira de funcionamento, possibilitando que aquilo que ficara mal resolvido em nós se apresente e passe a nos fornecer maneiras de nos tornamos mais reais e inteiros conosco.

Sua função em nossas vidas retomaria ao significado amplo que esse símbolo possa ter, onde o mesmo pode conservar a nossa ordem psiquíca em momentos de crise ou restabelecer nossa integridade interna caso alguma situação seja desestruturante.

É de suma importância notar que as mesmas ao serem utilizadas de forma a proporcionar a reflexão e a meditação, promovem a oportunidade de compreendermos o que de fato está ocorrendo conosco permitindo com a nossa consciência seja ampliada e um significado a mais em nossa vida seja conhecido.

Elas transmitem as manifestações inconscientes mais profundas, retomando as composições psíquicas e proporcionando um potencial para a totalidade, auxiliando nos momentos de crises onde o olhar para essas instâncias traduz uma descoberta e algo a se aprender.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário dos símbolos. Ed. José Olympio.pg.995

DIBO, Monalisa. Mandala: um estudo na obra de C. G. Jung. Último Andar, São Paulo, dez.2006

JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. ed. Nova fronteira.2008.pg.447

JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. ed. Vozes, 2000. Pg.447.

STEIN, Murray. O Mapa da Alma- Uma Introdução.ed. Brasil: Cultrix. 2000. pg. 216

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