O que o seu Conto de Fadas Preferido na Infância Pode Dizer...

O que o seu Conto de Fadas Preferido na Infância Pode Dizer Para o Adulto que Você é Hoje?

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Fonte: histeriacoletiva.com

“Se quiser que os seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles. Se quiser que sejam ainda mais brilhantes, leia ainda mais contos de fadas.”

Albert Einstein

Quando crianças a maioria de nós, ou todos nós diga-se de passagem, possuíamos alguma história a qual chamávamos de preferida, sendo sempre a nossa fiel companheira nas noites ao dormir. Se você era como eu que não dormia sem escutar a mesma narração todas as noites, só posso dizer que esse texto irá ser de grande valia ao seu entendimento.

Originados há cerca de 5.000 anos – nas sociedades pré-literárias onde eram passados oralmente a princípio, os contos de fadas, mostram em suas bases as mais diversas possibilidades de vivências ao destino humano, não podendo ser compreendidos pela consciência racional, mas sim penetrando sua mensagem em nível inconsciente, evocando o material arcaico vivo denominado arquétipos encontrados no inconsciente coletivo.

Eles auxiliam e reatam, traduzindo com maior ou menor intensidade a situação em que o homem se encontra para assim possibilitar que o mesmo entre em sua jornada de transformação.

Possuindo uma maneira única de relatar os acontecimentos, sendo em grande parte pela sua linguagem simbólica, a forma como um conto de fadas se distingue das demais produções literárias conhecidas pode ser visto a partir de seu início: Era uma vez… Que evoca em nós o que um dia se foi, o que se é e o que ainda virá a ser para nos tornarmos um humano adulto.

 “Era uma vez – assim começam geralmente para nós a maioria dos contos de fadas, e então eles nos levam de volta a tempo distante e desde muito passado, no qual acontecem coisas extraordinárias- impossíveis para o pensamento racional.” (Dieckmann, Hans. Conto de Fadas Vividos. pg 14).

Na psicologia junguiana, os contos de fadas são vistos como formas de representação dos tipos humanos básicos, que nos trazem espelhos de todo desenvolvimento psíquico , os quais servem como modelos de comportamento arquetípico para desenvolvimento do ego.

A criança ao ouvir essas histórias, diferentemente do adulto, capta seu sentido mais profundo e por não ter, ainda, uma consciência racional, a qual em par com o desenvolvimento é formada por volta dos seis anos de idade, entra em contato com esse mundo mágico mais facilmente, pois nela surge primeiramente uma consciência imaginativa.

Fonte: sementesdasestrelas.com
Fonte: sementesdasestrelas.com

Quando alguém busca o tratamento psicoterápico em abordagem Junguiana, é comum que o analista no decorrer do processo faça a pergunta: Qual seu conto de fadas preferido na infância? Ou qual conto de fadas o marcou? É a partir dessa colocação que ele terá em “mãos” o núcleo conflitivo do paciente, com diversas mudanças e adaptações, mas que em essência traduzirá algo estrutural que acompanha esse paciente e que fornece, ao mesmo tempo, as melhores formas de trabalho frente a essa demanda, exigindo do profissional em questão uma gama de conhecimentos que devem ser utilizados em benefícios do atendido.

A identificação com um conto de fadas ou com outro, traduzem uma experiência universal humana, onde nosso inconsciente busca formas de nos fazer cada vez mais completos, permitindo com que desejos inconscientes sejam expressos, curas internas sejam alcançadas e novas visões sejam obtidas sobre um determinado problema.

Alguns contos de fadas e os seus motivos comuns:

Cinderela/ Gata Borralheira: Esse conto retrata a busca da identidade feminina, onde se faz necessário o abandono de crenças já construídas, valores já impostos para se alcançar uma verdadeira vivência.

João e Maria: Esse conto nos mostra o quão terrível é o desamparo infantil, onde a figura da mãe é abordada em seus aspectos negativos através da madrasta e da bruxa, sendo necessário buscar dentro de si formas de encarar esse lado terrível de uma figura tão aclamada e “sagrada” como a mãe.

Peter Pan: Esse conto traz a angústia e o medo diante ao amadurecimento e a tomada de decisões frente à própria vida, onde ocorre a descoberta infantil de que não se poderá ser criança eternamente, sendo necessário à tomada das rédeas do que se pretende ser ou fazer tomando encargo das consequências.

Bela e a Fera: Esse conto retrata o despertar de uma jovem que tem uma ligação profunda com o pai, sobre seu lado erótico que foi reprimido sendo agora visto, depois de negado por anos, como uma fera que propiciará sua entrada na vida adulta e a ampliação de sua personalidade através do amor.

O que o seu conto de fadas preferido na infância pode dizer para o adulto que você é hoje? Ele pode dizer aquilo que você precisa ouvir e que está adormecido em seu inconsciente, pode falar das questões que você tem necessidade de resolver para atingir uma vida cada vez mais íntegra, pode mostrar caminhos até então não trilhados e pode, ao final de tudo, trazer a profundidade esperada a sua personalidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Dieckmann, Hans. Conto de Fadas Vividos.ed.Paulinas.1986.pg.166

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