Relações Virtuais na Adolescência: A Busca Pela Aceitação

Relações Virtuais na Adolescência: A Busca Pela Aceitação

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O avanço da tecnologia trouxe junto consigo a rápida difusão da Internet e seu acesso cada vez mais crescente por adolescentes. Buscando aceitação de sua identidade e procurando por um grupo no qual se encaixe, as redes sociais virtuais sustentam vários tipos de relações e suas complicações são cada vez mais refletidas nas relações sociais físicas.

A Internet surgiu após a Terceira Revolução Industrial (Revolução Tecnológica) ao final do século XX. Possibilitou através do ciberespaço alterações na forma do ser humano se comunicar, informar, divertir e relacionar-se, onde novas formas de comunicação surgem a cada dia. Surge a partir daí, uma nova cultura, a chamada cultura digital, que é virtual e real ao mesmo tempo.

Na perspectiva criada a partir da necessidade que os jovens têm de se comunicar, a interação intensa entre o homem e a máquina é fascinante aos adolescentes e os motiva a estarem sempre conectados. E simultaneamente às necessidades de satisfação e exposição ocorre significativa ampliação nos modos de comunicação entre as pessoas, há mais liberdade de expressão, de escrita e de acesso a indivíduos de qualquer lugar do mundo.

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Fonte: PavaBlog

As relações no campo virtual trazem, na adolescência, possibilidades de refúgio estratégico que corresponde a necessidades deste período do desenvolvimento. Diante da clássica ‘crise normal da adolescência’, estar só e ao mesmo tempo em meio a uma multidão de amigos, virtuais ou não, parece ser uma situação ideal.

Para Bauman as relações virtuais caracterizam-se por serem relações entre pessoas que não se conhecem fisicamente, sendo travadas e mantidas por meio de redes digitais de telecomunicação interativa. Bauman caracteriza os ditos relacionamentos reais modernos em sendo sólidos, profundos e autênticos. Porém, os relacionamentos virtuais, são por sua vez, descartáveis, frágeis, superficiais e pouco autênticos, orientando os relacionamentos reais pós-modernos.

Assim, segundo Bauman afirma, diferentemente dos ‘relacionamentos reais’ [leia-se modernos], é fácil entrar e sair dos ‘relacionamentos virtuais’. Em comparação com a ‘coisa autêntica’, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear.  ‘Sempre se pode apertar a tecla de deletar’.

As relações virtuais não dependem de ambientes físicos reais e nem de pessoas físicas reais, mas apenas dos produtos da imaginação de pessoas. Basta estar em um ambiente virtual, e assim, pode-se assumir, virtualmente, uma série de características que a pessoa não porta na realidade. Um lugar que pode ser tratado de forma virtual é, sem dúvida, a Internet.

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Fonte: Aleteia

A dialética entre real e virtual precisa ser explorada e esclarecida. Os jovens da atualidade realizam experiências híbridas, ou seja, em ambas as instâncias, virtual-real apresentam-se na forma de co-presença. Apesar das contundentes críticas à Internet, devido ao modo de utilização do tempo livre e pelo temor da substituição das relações reais pelas virtuais, há pesquisas que mostram que os espaços virtuais tornaram-se análogos aos reais, pois ali se desenrolam tramas idênticas às reais. Os relacionamentos virtuais também podem, portanto, ser solidários, profundos e intensos e conduzir a laços de amizade e companheirismo, pois tendem a revelar maior conhecimento de si próprios e dos outros. Eles não levam, por isto, à substituição dos relacionamentos reais e sim à sua complementação.

Alguns autores defendem que a internet deu aos adolescentes a ferramenta de que eles precisavam para se abrir e falar sobre questões pessoais, uma vez que a maioria se sente “protegida” e mais à vontade atrás de um monitor do computador do que frente a frente com quem queriam conversar. O resultado final é uma menor inibição e uma conversa mais íntima. Além disso, mostram que 8 em cada 10 adolescentes utilizam os sistemas de mensagens instantâneas para se conectar com as pessoas que veem diariamente, ou que já se encontraram um dia pessoalmente, vindo a sustentar suas relações sociais do que construindo novos relacionamentos.

O grupo de amigos é o contexto onde o adolescente experiencia afeto, solidariedade, compreensão e experimentação. É neste ambiente que o adolescente buscará a independência dos pais e vivenciará relacionamentos íntimos. Sua aproximação com grupos de amigos adolescentes da mesma faixa etária é uma fonte imprescindível de segurança e da aceitação e conquista de sua própria identidade. O grupo passa a ser uma referência de apoio. E através da Internet, o grupo de iguais torna-se cada vez mais acessível.

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Fonte: DancingWithDe

É importante relevar que os adolescentes que utilizam a Internet como um meio de relacionar-se socialmente, buscam no real o que encontram nas relações virtualizadas. Uma vez que passam grande parte de suas vidas em busca de um lugar onde não há exigências e responsabilidades, o amor seja incondicional, todos os desejos possam ser prontamente satisfeitos. Contudo, na relação real isso seria inviável. Portanto, quando se deparam com a realidade do contato físico e percebem a impossibilidade de se aplicar o mundo idealizado pela Internet, os adolescentes se voltam cada vez mais para a utilização deste como instrumento, possibilitando um lugar para fugir da dor de não ser aceito pelo outro. Parece, dessa forma, que encontrar um lugar aparentemente é mais fácil do que lidar com sentimentos dolorosos.

Considerando a necessidade de pertencimento e a questão pela busca da identidade durante a adolescência, vê-se que as relações virtuais afastam, de certa forma, o contato do adolescente com as relações reais, chegando a alguns casos a impossibilitar as relações de contato físico, tornando-as dolorosa para o sujeito, que busca refugio novamente nas redes sociais virtuais, onde é “aceita” sua identidade. Porém, deve-se analisar até que ponto essas relações virtualizadas atrapalham ou ajudam os adolescentes, exigindo, portanto um olhar mais profundo da subjetividade e ambiente do individuo.

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