Quão Livre você é?

[REFLEXÃO] Quão Livre você é?

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Hoje vou mudar um pouco a forma de conversar com vocês. Vou falar um pouco de filosofia. Talvez, os mais curiosos de vocês apontem uma questão: Que raios têm a ver isso tudo que está falando com a Psicologia?

Como resposta, tentarei ao longo dessa conversa, convencê-los de que há muito da filosofia na psicologia e vice-versa.

Quero falar sobre a liberdade. E se me permitem, estarei pautada totalmente no primeiro capitulo de um livro chamado  “Ética para meu Filho” de Fernando Savater.

 

Sobre o Livro

jeah01Fonte: produto.mercadolivre.com.br

 

Pelo nome o livro parece um tédio, confesso. Era leitura para minha aula de Ética e até eu ter coragem de lê-lo demorou. Porém, ao começar, tornou-se quase impossível interromper a leitura. É fantástico. Fala sobre nosso cotidiano de forma cômica e reflexiva. Por isso usarei exemplos e reflexões sobre ele.

Não, não será uma resenha. Nem um resumo, apenas uma conversa entre nós três. Eu, você e Savater.

 

A liberdade que nos convêm

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Fonte: 5dias.net

Certas coisas te convêm e são chamadas de boas, pois nos faz bem. Já o que não te convêm te faz mal, então são chamadas de maus. Então saber o que nos convêm é saber distinguir entre bom e mau.

Mas essa tarefa pode não ser tão fácil. Há coisas que a depender do ponto de vista são boas ou más. O fogo que aquece, queima. A água que mata a sede e também afoga.

Um exemplo é a mentira. Sabemos que a mentira é algo mau, pois destrói a confiança. Mas veja bem, o melhor é dizer para alguém com doença terminal a verdade sobre seu estado ou enganá-lo para que ele viva seus últimos dias sem angústia?  

Quem sempre diz a verdade, por outro lado, acaba recebendo a antipatia de algumas pessoas.

 

Então o que é bom é mau e o que é mau é bom?

Eu tenho a liberdade de escolher ser leal ou quero ser bondosa?

Eu tenho a liberdade de escolher entre o bom e o mau ou em escolher o que é bom e mau?

 

A Liberdade da Escolha 

Sempre questionei as coisas. Todas elas. Inclusive sobre a liberdade. Existe liberdade?

O ser humano é bem desenvolvido. Tem a ideia de ser O ser vivo. A espécie. O inteligente. Na relação interpessoal é fantástico. Desenvolveu várias linguagens. E como se esquecer do polegar opositor. Mas uma dúvida… E a liberdade? Existe ou é fantasiada? Infelizmente não sei a resposta.

Savater nos presenteou com um exemplo magnifico que vou repassar para vocês;

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Fonte: congulolundo.blogspot.com.br   

No mundo animal existe um grupo de formiguinhas chamadas Térmitas. São formigas com corpo molinho, sem a couraça de queratina que protege a maioria dos outros insetos. Para se protegerem, constroem formigueiros gigantescos, que fazem o papel da couraça.

As vezes esses formigueiros (termiteiras) são derrubados por efeitos naturais, como enchente, ou animais grandes como o elefante.

Ocorre, então, que as térmitas operárias correm para reconstruir a termiteira para que os insetos inimigos não as matem. As térmitas soldados tentam proteger a tribo. Por serem menores e mais fracas que os inimigos, penduram-se neles tentando travar seu avanço, mas, são despedaçadas pelas mandíbulas deles.

 As operárias trabalham até conseguir fechar as termiteiras, deixando as heroicas formigas soldado para traz.

Não mereciam essas formigas soldados uma medalha?  Elas são heroicas e valentes, certo?

Por outro lado, temos Heitor.

Nas Ilíadas de Homero, conta-se a história de Heitor, o melhor guerreiro de Tróia, que foi a muralha da cidade esperando, persistentemente, por Aquiles (o bravo herói dos Aqueus), mesmo sabendo que iria morrer já que Aquiles é indiscutivelmente mais forte.

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Fonte: pensasampaio.blogspot.com.br

Heitor fez isso para cumprir seu dever de defender a família e os cidadãos de Tróia do terrível atacante.

Ninguém duvida do ato heroico de Heitor.

 Ele é sem dúvida bastante valente, tanto quanto as térmitas soldados. Então, por que as formigas não têm o reconhecimento heroico ou nenhum relato grandioso escrito por um Homero?

Por que, então, o ato de Heitor parece ser mais heroico ou difícil?

Simples. As formigas não tem escolha, elas são programadas. Mesmo que quisessem. Foi imposto pela natureza.

Heitor teve uma escolha. Ele poderia ter fingido estar doente, ter fugido ou ter dito que não ia. Ele é livre para escolher. Ele tem a liberdade de escolha. E isso o torna tão honrável. Ele não nasceu herói. Tornou-se herói ao decidir ser.

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Fonte: momsa.com.br

A liberdade é um assunto amplo a ser estudado. Tentei mostrar de forma breve o quão questionável ela é.

E a questão: Cadê a psicologia?  Meus amigos, a psicologia está em tudo. Está nas escolhas. Está no ampliar do ponto de vista. Está em chegar mais longe.

 

Referências:

SAVATER, Fernando, Ética para meu filho (1996). Martins Fontes, 2ªed. Janeiro de 2015  Disponível em  <https://docs.google.com/file/d/0B6qCjU3Be8dRNmNmYmJkZmMtOTUxOC00YWEwLThkMjktY2Y0MjdkYjQ2MWFj/edit?pli=1>

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