A Realidade das Crianças com Paralisia Cerebral

A Realidade das Crianças com Paralisia Cerebral

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“Posso mais do que pode imaginar!”

Gostaria que por um momento você se imaginasse desejando/solicitando movimentar a sua mão, porem por mais força que você coloque neste pensando ela não saísse do lugar. Pedindo/ordenando que sua mão segure um objeto, mas sem forças ela o  solta.

Imagine-se tentando efetivamente pronunciar uma palavra e por mais que você desejasse o som emitido não se aproxima da palavra ao qual você realmente deseja verbalizar. Estas são algumas das dificuldades das crianças que possuem Paralisia Cerebral. Elas enfrentam todos os dias estas limitações e passam ao longo de suas vidas por tratamentos que tentam desenvolver e amenizar estas dificuldades.

Este é um termo que define um grupo não progressivo de desordens do desenvolvimento, movimento e da postura que são descritos como síndromes do desenvolvimento motor secundário a lesões ou anomalias decorrentes do cérebro na fase inicial do seu desenvolvimento, sendo este um sintoma complexo com vários tipos e graus de envolvimento motor (ZANINI. G et al.,2009).

A paralisia cerebral de causa comum e com grande incidência nos primeiros anos de vida.

Segundo Sara (2008) a Paralisia Cerebral (PC) inicia-se nos primeiros anos de vida, pois o desenvolvimento do cérebro se desenvolve durante a gestação, porem o mesmo continua à se desenvolver após o nascimento. E se ocorrer qualquer fator agressivo ao cérebro as áreas atingidas podem ter suas funções prejudicadas.

Dentre os fatores potencialmente determinantes de lesão cerebral irreversível, os mais comumente observados são infecções do sistema nervoso, hipóxia (falta de oxigênio) e traumas de crânio (SARA, 2008).

De acordo com Sara (2008) uma lesão cerebral também pode ocorrer no período de gestação e esse desenvolvimento insuficiente do cérebro pode estar relacionado com causas genéticas, porem a real causa ainda encontra- se desconhecida.

A incidência da Paralisia Cerebral nos países desenvolvidos está em torno de 2  a 3 por 1000 nascidos vivos . Evidências  apontam que a falta de acesso a serviços adequados de saúde, tanto no período pré-natal, quanto a assistência inadequada a mãe e ao bebe no período peri e pós natal,  aumentam a incidência da Paralisia Cerebral . (Associação Brasileira de Paralisia Cerebral)

Logo a PC define-se como uma disfunção cerebral, a mesma pode ocorrer em qualquer localidade do cérebro, causando sequelas em suas funções. A mesma pode ser congênita ou adquirida, portanto incidi durante o período de gestão e formação do bebe ou durante os primeiros anos de vida onde o cérebro ainda encontra-se em desenvolvimento.

O diagnóstico da Paralisia Cerebral é baseado na anamnese e no exame físico minucioso, eliminando distúrbios progressivos no sistema nervoso central, como doenças degenerativas, tumores de medula e distrofia muscular. (PEREIRA, C.L. G et al.)

Pode-se utilizar também o exame eletroencefalograma e a tomografia, pois através dos mesmos é possível determinar onde ocorreu a lesão e a suas extensões.

neuromaster.com.br

Nos recém-nascidos, a Paralisia Cerebral é difícil de diagnosticar porque o desenvolvimento da criança muda rapidamente. Os casos graves a Paralisia Cerebral podem ser diagnosticados antes dos seis meses de idade; a maioria dos casos moderados é diagnosticada com um ano de idade e os casos leves geralmente quando a criança começa a andar (PEREIRA, C.L. G et al.)

Os sintomas podem divergir de acorda com a pessoa e com o tipo de paralisia que ela possui. Os mesmos podem ser brandos ou muito graves, em somente um lado do corpo ou ambos e graves nos braços ou nas pernas, ou envolver tanto os braços quanto as pernas.

Normalmente, os sintomas são observados antes de a criança completar 2 anos de idade e, às vezes, têm início logo aos três meses. Os pais podem notar que seu filho está atrasado em sua capacidade de alcançar as coisas e nos estágios de desenvolvimento como sentar, rolar, engatinhar e andar. (Minha Vida/ Saúde, Alimentação e Bem – Estar)

Alguns dos sintomas que podem ser apresentados em alguns casos:

  • Fraqueza musculargeneralizada;
  • Dificuldade respiratória;
  • Atraso no desenvolvimentomotor;
  • Retardo mental;
  • Surdez;
  • Atraso na linguagem;
  • Transtornos de humor.
contronotizia.altervista.org

Em relação ao tratamento, as crianças que possuem paralisia deveram realiza-lo ao longo de seu desenvolvimento, com uma equipe multiprofissional, pois o objetivo é a evolução da capacidade motora, verbal, raciocínio logico e entre outros. Enfatiza-se também o atendimento psicoterápico, com a família e o paciente, pois em muitos casos apresentam também transtornos de humor e a família necessita de orientação/apoio em relação ao enfretamento da nova realidade da criança.

O Tratamento medicamentoso limita-se, em geral, ao uso de anticonvulsivantes, quando necessários e mais raramente medicamentos psiquiátricos para tentar o controle dos distúrbios afetivo-emocionais e da agitação psicomotora ligada à deficiência mental (LEITE, J.M. R. S; PRADO, G.F.2004)

Segundo Leite e Prado (2004) pode haver várias possibilidades de reabilitação, variando de acordo com cada paciente. Por tanto deve haver o acompanhamento em cada fase do desenvolvimento e deve-se atentar aos casos graves onde devemos insistir em terapias longas e trabalhosas, deve-se realizar apenas o acompanhamento com o fisioterapeuta a fim de desenvolver as habilidades do indivíduo.

A fisioterapia tem como objetivo a inibição da atividade reflexa anormal para normalizar o tônus muscular e facilitar o movimento normal, com isso haverá uma melhora da força, da flexibilidade, da amplitude de movimento (ADM), dos padrões de movimento e, em geral, das capacidades motoras básicas para a mobilidade funcional (LEITE, J.M. R. S; PRADO, G.F.2004)

Os objetivos dos tratamentos fisioterapêuticos são a reabilitação dos indivíduos, desenvolver e melhorar das habilidades motoras dos mesmos. Pois a paralisia causa atrofia dos membros, a criança passa a realizar movimentos lentamente e com dificuldade.

Existem quatro categorias de intervenção, as quais devem apresentar uma combinação para suprir todos os aspectos das disfunções dos movimentos nas crianças com Paralisia Cerebral 18: a) enfoque biomecânico; b) enfoque neurofisiológico; c) enfoque do desenvolvimento; e d) enfoque sensorial. (LEITE, J.M. R. S; PRADO, G.F.2004)

De acordo com Leite e Prado (2004) o enfoque biomédico utiliza a cinética dos movimentos do corpo humano, a fim de melhorar as atividades diárias. E o enfoque neurofisiológico auxiliar na facilitação neuromuscular e no tratamento neuroevolutivo.

edif.blogs.sapo.pt

As técnicas de tratamento sensorial promovem  de experiências sensoriais apropriadas e variadas (tátil, proprioceptiva, cenestésica, visual, auditiva, gustativa, etc.) para as crianças com espasticidade facilitando assim uma aferência motora apropriada (LEITE, J.M. R. S; PRADO, G.F.2004)

Por tanto cada indivíduo que possuí paralisia cerebral pode apresentar um tipo diferenciado de paralisia, desenvolve-se e se adapta de maneiras diferentes aos tratamentos. E muitas pesquisas ainda devem ser desenvolvidas, a fim de auxiliar no tratamento dos indivíduos com Paralisia Infantil. Pois os mesmos possuem capacidade de aprender e de se desenvolver como qualquer outro indivíduo, apenas possuem um ritmo diferenciado. Logo não devemos rotula-los e definir previamente suas limitações, e sim acreditar e incentivar suas potencialidades.

REFERENCIAS

Associação Brasileira de Paralisia Cerebral. Acessado em 01 de Setembro de 2015 às 21h34min. Link de Acesso: http://www.paralisiacerebral.org.br/

FRAZÃO, A.  Paralisia Cerebral. Acessado em 01 de Setembro de 2015 às 21h30min. Link de Acesso: http://www.tuasaude.com/paralisia-cerebral/

LEITE, J.M.R. S; PRADO, G.F. Paralisia cerebral Aspectos Fisioterapêuticos e Clínicos.  Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina – UNIFESP-EPM. Volume 12 – n°1 – 2004 

MedicinaNET. CID 10. Acessado em 01 de Setembro de 2015 às 21h52min. Link de Acesso: http://www.medicinanet.com.br/cid10/1633/g80_paralisia_cerebral.htm

Minha vida – Saúde, Alimentação e Bem Estar. Paralisia Cerebral. Acessado em 01 de Setembro de 2015 às 22h25min. Link de Acesso: http://www.minhavida.com.br/saude/temas/paralisia-cerebral

PEREIRA, C.L. G; FONTANETTI, S; LOPES, D.V. Paralisia Cerebral. Acessado em 01 de Setembro de 2015 às 22h57min. Link de Acesso: http://www.fisioneuro.com.br/

Rede Sara de Hospitais de Reabilitação. Paralisia Cerebral. 2008. Acessado em 01 de Setembro 2015 às 22h51min. Link de Acesso: http://www.sarah.br/Cvisual/Sarah/AA-Doencas/po/p_01_paralisia_cerebral.html.

ZANINI, G; CEMIN, N.F; PERALLES, S.N. PARALISIA CEREBRAL: causas e prevalências. Fisioter. Mov., Curitiba, v. 22, n. 3, p. 375-381, jul./set. 2009

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