Quem Está Estressado Aqui? – Compreendendo o Choro Adulto e Infantil

Quem Está Estressado Aqui? – Compreendendo o Choro Adulto e Infantil

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“Ela é linda sentada e comendo, está toda comportada”. “Que criança sem educação, fica correndo pelo shopping”. “Nossa! Que belezinha, ela já está uma moça”. “Com essa roupa ele parece um moço”. “Essa menina eu não sei o que acontece, ela não para! Deve ter TDAH”. “Como ele é quietinho quase não fala, vai ser tímido quando crescer”. “O que ele quer ser quando crescer?”.

O QUE VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER?

Quando o assunto é criança podemos imaginar um leque de possibilidades de comportamentos, sendo eles desde os mais tranquilos até os peraltas. O que podemos dizer que elas têm em comum apesar de serem tão diferentes?

As crianças têm em comum a necessidade de serem CUIDADAS, de receberem ATENÇÃO e de serem entendidas como um ser humano que está em construção dos mínimos detalhes da sua personalidade e é nos seus primeiros anos de vida que nós podemos ensinar às crianças os cuidados necessários para viverem neste mundo.

Com toda a tecnologia podemos perceber que a criança de 10 anos atrás é bem diferente da criança de hoje. Tempos atrás ao imaginarmos uma criança tínhamos a imagem de uma garota de vestido segurando uma boneca ou até correndo jogando bola com as outras crianças, víamos meninos de dedão machucado chegando chorando em casa. Quando percebemos a criança de hoje, talvez a imagem que vem a nossa cabeça é aquela sentada no sofá com a televisão ligada, com o celular ao seu lado e com o tablet na mão. Nota-se então grande diferença cultural e social no contexto do mundo infantil.

Com toda essa nova forma de se aproveitar podemos acarretar alguns prejuízos no desenvolvimento das crianças, pois elas acabam não adquirindo habilidades sociais por não serem expostas através das brincadeiras ao contato das outras e acabam não aprendendo a lidar com as frustrações futuras e em a se relacionar com outras pessoas.

Outro aspecto de grande importância a ser levado em consideração é a reflexão da maneira que controlamos nossos filhos, tendo na cabeça a ideia de que eles devem ser sempre os melhores filhos, o aluno com a melhor nota, o campeão de todos os esportes que praticar, o que deve se doar exclusivamente para aprender o inglês com pouca idade, ou seja, ensinar a ele que a vida só é importante quando somos melhores que os outros e que perder é igual a fracassar. Esse tipo de conduta acarreta nas crianças prejuízos na sua aprendizagem, pois, acabam se esquecendo que esse “serhumanozinho” tem sentimentos e emoções e que ele merece ser motivado a ganhar e não ser cobrado a ser o melhor sempre, ensinando que competir e as coisas que nos acontece na vida, já é em si uma experiência aproveitável e de autoconhecimento.

Então chegamos ao “Estresse infantil”, esse tipo de termo é bastante desconhecido, pois sempre imaginamos que as crianças são felizes, nascem felizes e que nossos erros não têm impacto nelas, porque elas são crianças ainda. O estresse infantil é um sentimento que as crianças, em sua maioria, passam e, em geral, não é notado pelos adultos. Esse fato também pode passar despercebido porque o estresse é culturalmente uma emoção associada ao trabalho e vida corrida, então jamais íamos imaginar que essa emoção tão forte pode atingir seres tão frágeis. 

VAMOS COM CALMA, SEM ESTRESSE!

Primeiro vamos pensar sobre o que é o estresse em todo mundo, o que é o estresse em gente grande. O estresse funciona no adulto da seguinte forma:

Lucas 01

O estresse então, tem algo que acontece antes, que provoca reações encobertas (sentimentos e emoções) e sentimos as alterações psicofisiológicas. O adulto por sua vez é capaz de identificar esses tipos de sentimentos quando os atingem, sempre falamos, por exemplo, que quando tem reunião com o chefe nos sentimos estressados, que quando o banco liga a gente passa até mal.

A criança, por outro lado, sente, mas não sabe o que e nem pelo o que. O estresse na criança foi e está sendo estudando sistematicamente e se criou várias escalas para avaliar o nível que isso acontece nelas. Entende-se que as reações desse sentimento nas crianças causam, o que chamamos, de reações psicossomáticas, que são os aspectos psicológicos sendo manifestados fisicamente. É inevitável que as crianças não tenham estresse, faz parte da vida encontrar situações que não sabemos lidar e o estresse também não é algo unificado, ele ocorre diferente de pessoa para pessoa, levando sempre em conta que a sua maturidade emocional vai ajudando com que ela enfrente o estresse mais assertivamente.

Para uma criança com o nível de estresse considerado mais severo, as manifestações dos sintomas são diversas, e funciona assim:

Lucas 02

OBS: é de extrema importância saber que esses sintomas isolados não são necessariamente um quadro de estresse infantil e que a isso não acontece em uma ordem especifica, isso dependerá de cada criança.

E O QUE FAZER SE TENHO UMA CRIANÇA COM ESTRESSE?

A relação entre pais e filhos é fundamental para a melhoria e amadurecimento emocional de uma criança. O tratamento sempre será muito intensivo com a ajuda do pais. O profissional que pode auxiliar no melhor manejo quando isso passa a ser uma patologia é também o psicólogo. Uma abordagem que nasceu para a ajudar a criança é a do “ treino de controle do estresse infantil” (TCS-I) que é de pouca duração, normalmente com atendimentos semanais. Esse tratamento baseia-se em orientação de pais e da criança. Esse tratamento tem como embasamento teórico a teoria cognitiva-comportamental e tem como objetivo alterar comportamentos inadequados e pensamentos/cognição criadoras do estresse emocional. Também está atenta a alterações dos ambientes que causam possíveis estresses e que podem ser alterados. Dessa maneira trazendo eficácia em diversos âmbitos da vida da criança.

Enfim, os comportamentos dos pais são uma das fontes propiciadoras da melhora do sofrimento infantil e com o tratamento profissional adequado a melhora pode ocorrer. Pense sempre que precisamos de adultos saudáveis para o futuro e o início do futuro sempre é agora. O tratamento quanto mais breve iniciado, melhores serão os resultados obtidos. 

Referência:

LIPP M.E.N, O tratamento do stress infantil. SILVARES D.F.de M. Estudos de caso em psicologia clínica comportamental. vol.1 Campinas,SP: Papirus, 2000.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.