Psicossomática no Olhar da Psicologia – Teoria e Prática

Psicossomática no Olhar da Psicologia – Teoria e Prática

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Resumo: Psicossomática é um assunto bastante falado nos últimos tempos, não só na área da psicologia quanto nas demais áreas da saúde. Neste texto iremos abortar o contexto da Psicossomática em um breve resumo de sua história, sua base teórica (resumindo em algumas linhas teóricas da psicologia) e na prática.

Palavras-Chave: Psicossomática; Psicologia; Medicina Multiprofissional; Teoria; Prática.

Breve História

Fonte: Wikiversity
Fonte: Wikiversity

O termo psicossomático, após séculos de estruturação, surgiu no século passado, através de Heinroth, com a criação das expressões psicossomática (1918) e somatopsíquica (1928).

(Mello Filho, 1992)

No final do século XIX, Jean-Martin Charcot (1825-1893), um eminente neurologista francês, que empregava a hipnose para estudar a histeria, demonstrou que ideias mórbidas podiam produzir manifestações físicas.

Seu aluno, o psicólogo Frances Pierre Janet (1859-1947), considerou como prioritárias, para o desencadeamento do quadro histérico, muito mais as causas psicológicas do que as físicas, mais especificamente dos estudos das paralisias e anestesias histéricas,  originadas das contribuições pré – psicanalíticas.

Em 1885, Freud seguiu seus estudos envoltos na Histeria de Conversão juntamente com Charcot, e posteriormente, com Joseph Breuer, com intuito de evidenciar a Histeria de Conversão como uma doença de origem psicológica, com manifestações orgânicas.

  • Pavlov (1849-1936)

Em 1899, Pavlov em seu estudo sobre Emoções nos Processos Fisiológicos, seguiu as ideias do Condicionamento, o qual era possível transformar aspectos psicológicos em fisiológicos através de reflexos condicionados (ruído sonoro à apresentação da carne à salivação.)

  • Entre outros que contribuíram para Psicossomática:

Adler, Cannon, Deutsch, Schäfer, Simmel, Groddeck, entre outros.

Conceitualização:

A psicossomática é a ciência que estuda as doenças orgânicas com descarga no corpo, isto é, uma lesão de órgão ou sistema provocado por alguma disfunção do sistema nervoso. Na psicossomática, pensa-se a realidade na sua unidade, considerando os aspetos biológicos e psicológicos. Interessa-se pelos aspetos de interação causa e efeito, a pessoa como um todo na sua perspectiva biológica e relacional, isto é, pensar a realidade na sua totalidade: a entidade biológica e a entidade psicológica. [1]

Psicanálise:

Fonte: SBPRP
Fonte: SBPRP

A psicossomática evoluiu das investigações psicanalíticas que contribuem para o campo com informações acerca da origem inconsciente das doenças. Freud contribuiu para as relações entre o psíquico e o somático, envolvendo seus trabalhos sobre neurose, histeria e conversão, reconhecendo o funcionamento psíquico nos sintomas somáticos de suas pacientes.

Para Winnicott, quando se refere ao “Soma”, explica que primeiramente o bebê é só um corpo, um corpo vivo que vai sendo personalizado a medida de suas experiências nos “estados calmos e excitados”, havendo a chamada “elaboração imaginativa”. Não sendo apenas fisiológico e anatômico. Quando falamos em psicossomática, para Winnicott é a experiência da psique passando pelo corpo.

Beheviorismo:

Fonte: Estudando psicologia.blog
Fonte: Estudando psicologia.blog

Segundo Skinner (1957), os homens agem sobre o mundo e o modificam e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação”. Behaviorismo radical possui em sua teoria as “Contingências”, tanto nossos comportamentos como os sentimentos ou emoções são advindos das contingências as quais estamos expostos. Podemos relacionar à Psicossomática, sendo elas ligadas diretamente às contingências, principalmente as aversivas.

Na análise do comportamento também podemos englobar a Psicossomática no contexto Filogenético, Ontogenético e cultural, ou seja pode estar relacionado a causas hereditárias, ambientais ou característica pessoais do indivíduo.

Cognitivo-Comportamental:

Fonte: psicologathaisa.blogspot
Fonte: psicologathaisa.blogspot

Na teoria Cognitivo-comportamental temos o modelo cognitivo, sendo ele: Crença central à Crença Intermediária à Pensamentos automáticos à Reações (emocional, comportamental e fisiológico), quando falamos de Psicossomática, podemos relacionar também ao modelo cognitivo, pois as reações podem ser adversas.

Outras abordagens:

Até o momento eu citei as abordagens mais utilizadas, como são muitas abordagens, o texto ficaria muito extenso, mas vale ressaltar que todas as abordagens da psicologia compreendem a Psicossomática e trabalham de suas devidas técnicas e teorias.

Em algumas teorias, inclusive uma parte da Psicanálise e também Analítica (Jung), acreditam que alguma doença de base (ex: asma, cardiopatias, dores recorrentes em determinadas partes do corpo) estão ligadas a questões de emoções mal elaboradas e de vivência dos pacientes, ligadas à questão orgânica. Como por exemplo: Asma (pode simbolizar a dificuldade de troca com o ambiente, ou isolamento, ou sentimento de inferioridade disfarçado pelo controle do ambiente, ou até mesmo a perda de controle do ambiente)

Psicossomática prática:

Quando eu atendo alguns casos relacionados à psicossomática costumo dizer ao paciente que “quando guardamos nossas emoções, sentimentos por muito tempo, uma hora o corpo vai responder”, uma forma simples e resumida para explicar sobre os sintomas.

No contexto da Clínica, muitos paciente/cliente nos procura em função de uma indicação médica, o qual o mesmo vai ao médico queixando-se de dores no corpo, sintomas de cardiopatias, respiratórios ou pneumopatias, entre outros, e ao fazerem os exames, não acusam nenhuma alteração orgânica.

No contexto Hospitalar é o mesmo, os pacientes vão ao hospital com queixa de cefaleia, sintomas de cardiopatias, respiratórios ou pneumopatias e ao fazer os exames, também não acusam nenhuma alteração orgânica, e ao levantar a história pregressa do paciente, surgem demandas do trabalho, relacionamento, estresse ou até sintomas de depressão ou ansiedade.

Lembre-se: Não confundir com sintomas psiquiátricos de quadros Ansiosos, Depressivos ou até mesmo Hipocondríacos (Muitas vezes relacionados)

Psicossomática – Algumas doenças:

  • Neurológico: Cefaleias / Enxaquecas, vertigens, etc;
  • Respiratório: Asma, Bronquite, Rinite, Sinusite (também alérgicos), etc;
  • Cardiovascular: Angina, taquicardia ou bradicardia, Hipertensão, etc;
  • Gastrointestinal: Gastrite / Ulcera, retocolite, Gastroenterocolite, etc;
  • Dermatológico: Dermatite, psoríase, urticária, herpes, pruridos, eczema, etc;
  • Endócrino/Metabólico: Diabetes (todas), Hiper ou Hipotireoidismo, etc;
  • Articulações/Músculos: Tendinite, artrite, artrose, etc;
  • Autoimune: Doenças transmissíveis (gripe / resfriado, meningite, infecções, otite, abscessos, fungos, etc);

CONCLUSÃO:

A Psicossomática está em alta tanto nos estudos teóricos, quanto na prática, ultimamente a demanda de sintomas psicossomáticos estão crescendo em todos os âmbitos de trabalho, abrangendo toda área da saúde (médicos, psicólogos, fisioterapeutas, etc), já comprovado e/ou aprimorado em diversas teorias e estudos, todo profissional de psicologia precisa conhecer pelo menos o básico sobre a Psicossomática.

Não sou especialista no assunto, principalmente nas abordagens (exceto Cognitivo Comportamente que é a que eu atuo), por isso redigi um breve resumo baseado em literaturas para realização deste texto. Espero que tenha sido esclarecedor e de grande ajuda!

Dúvidas, comentários ou algo para acrescentar, favor comentar em nosso blog ou pela página do facebook do Mundo da Psicologia.

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Para referir este artigo: Santos, F. F. (2017). Psicossomática no Olhar da Psicologia – Teoria e Prática. In. Mundo da Psicologia, Internet. Disponível em <http://mundodapsi.com/psicossomatica-no-olhar-da-psicologia-teoria-e-pratica /> 2017.

Referências: 

Mello Filho, J. (1992): Psicossomática hoje. Porto Alegre; Artes Médicas.

Psicossomática (2003-2011). In Infopédia. Porto Editora. Disponível em <http://www.infopedia.pt/$psicossomatica> Acessado em 07 de março de 2017.

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