Psicologia Social: Teoria X Prática

Psicologia Social: Teoria X Prática

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A psicologia social é uma subárea da psicologia, ao qual apresenta diversas definições, abordagens e objetos de estudo. Outros autores acreditam que é a intersecção entre a psicologia e a sociologia, pois o psicólogo social tem por objetivo auxiliar o individuo porem considerando seu meio social, em uma concepção macro. Não visa à mudança individual e sim a coletiva. Independe da abordagem que o psicólogo optar por utilizar, há psicanalistas ou comportamentais que atuam nesta área.

A psicologia social é, no meu entendimento, a ciência do entre. Isso significa dizer que o lugar privilegiado do inquérito psicossocial não é nem o indivíduo nem a sociedade, mas precisamente aquela zona nebulosa e híbrida que comporta as relações entre os dois (JOVCHELOVITCH, 2004).

Portanto para compreender este lugar e a atuação do psicólogo social é importante destacar e definir o termo comunidade, pois esta atuação envolve o contexto individual e coletivo, independente da localidade e/ou nível social da comunidade, é o grupo de intervenção, objeto de estudo e entre outros do Psicólogo Comunitário, por tanto se entende comunidade como:

Comunidade é bastante utilizado na abordagem Psicologia Social, sendo uma somatória que inclui desde pequenos grupos, um bairro, uma vila, uma escola, um hospital, um sindicato, uma associação de moradores, uma organização não – governamental, envolvendo uma serie de habitats sociais onde compartilham o mesmo espaço físico e psicológico, cujo os objetivos são comuns devido crenças, valores, atitudes e mantém um método de interação duradoura (GOMES, 1999).

Assim, a Psicologia Social possui um forte interesse no estudo de como as pessoas percebem as outras com base nas informações emitidas em um determinado contexto, visto que a expectativa que o indivíduo tem do outro altera o seu comportamento com este (RODRIGUES, ASSMAR, JABLONSKI, 2009).

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Logo na teoria o psicólogo social atua em uma comunidade, porém respeitando os aspectos individuais dos sujeitos envolvidos. E tem como principal objetivo desenvolver a partir dos conhecimentos da própria comunidade soluções para suas queixas e após aplicas estas soluções, incitando que a mesma dê continuidade ao seu trabalho. Pois o objetivo do psicólogo não permanecer neste ambiente e sim incentiva a atuação da comunidade frente a sua própria demanda.

Em nível pessoal, a identidade/individualidade, ou o conceito de si mesmo, orienta a ação individual. No plano social, as identidades das pessoas configuram-se como a percepção de si mesmas dentro de um ou vários grupos, e, nesse sentido, direcionam os movimentos, refletindo a ação grupal. (…) A identidade pessoal está ligada a uma construção individual do conceito de si, enquanto a identidade social trata do conceito de si a partir da vinculação da pessoa a grupos sociais (MACHADO, 2003, p.52/53).

Na pratica um dos principais desafios para o psicólogo ao atuar com a comunidade, é que ele irá se deparar com questões em nível macro que influencia nas questões micro daquela comunidade, como a crise econômica do país, ao trabalhar em uma comunidade carente irá se deparar com inúmeros pais/mães desempregados reflexos da situação macro que atinge a população atual. Os níveis micro e macrossocial estão interligados, e o profissional necessita ter uma compreensão em relação a essa questão.

Na práxis do profissional nesta área também apresentam dificuldades em conciliar as visões de mundo, pois o psicólogo possui sua formação, seus métodos e sua percepção. Em contra partida existe a comunidade, com seu funcionamento e características. Por tanto para atuar nesta área o profissional deverá vencer seus próprios paradigmas, não trabalhar para o povo, mas atuar com o povo.

Orienta-se a conhecer a relação predominante em cada caso específico através de uma boa observação, pois muitas vezes ela é latente, disfarçada, com um discurso diferente da prática e mutável. “A observação, as entrevistas, a pesquisa participante, questionários, enfim todo tipo de teste que possa revelar a ‘vida social’” (CAMPOS, 2008).

Pois as questões referentes à entrada do psicólogo na Comunidade pressupõem necessariamente uma relação que se estabelece entre o psicólogo e a Comunidade, essa relação é essencial para se pensar em um modelo de intervenção.

A comunidade científica, quanto a população ainda não reconhece a atividade profissional no contexto comunitário do modo como deveria, por esta não ser familiar em modelos de atuação e ter difíceis recursos. Logo, é na formação acadêmica que se deve abrir espaço para a discussão do tema, obtendo resultados com as tentativas de ensino-aprendizagem junto à comunidade (SPINK, 2003).

Tem por desafio também desenvolver a autonomia dos indivíduos do contexto da comunidade em que estão atuando, pois o objetivo de sua intervenção é criar em conjunto com eles, a fim de criar possibilidades para que continuem caminhando. Por tanto irá trabalhar os problemas propostos por eles, buscar soluções para as problemáticas, iniciar a aplicação das soluções e permitir que a comunidade dê continuidade.

Por meio da reflexão e da ação, criamos a nossa história individual e coletiva. Quando um grupo reflete sobre seus problemas, estes descobrem aspectos comuns decorrentes da própria condição social e busca a resolução das dificuldades. Como exemplos, temos: grupos de mães que organizam creches, mutirões de moradores, organizações que reivindicam algo (SILVA, 2004).

Por tanto observa-se que à diferentes aspectos na teoria da psicologia social e na pratica, ao atuar o psicólogo como em qualquer área de atuação enfrentará dificuldades, porém diferencia-se de algumas áreas pois estará atuando junto ao grupo de indivíduos considerando os aspectos sociais. E vale ressaltar também a necessidade de pesquisas nesta área em nosso país, pois psicólogo encontra um leque escasso de material para esta atuação.

REFERÊNCIAS

ALEXANDRE, M. Representação Social: uma genealogia do conceito. Comum – Rio de Janeiro – v.10 – nº 23 – p. 122 a 138 – julho / dezembro 2004.

CAMPOS, R.H.de F (org.). Psicologia Social Comunitária. Da solidariedade à autonomia. Rio de Janeiro, Vozes, 2008

GOMES, A. M. A; Psicologia Comunitária: Uma Abordagem Conceitual; Psicologia: Teoria e Prática 1999, 1(2) : 71-79.

MACHADO, H.V. A Identidade e o Contexto Organizacional:Perspectivas de Análise. RAC, Edição Especial 2003, p. 51-73. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v7nspe/v7nespa04.pdf Acesso em: 04/06/2013.

MIRANDA, S. Oficina de Dinâmica de Grupos para empresas, escolas e grupos comunitários. Volume II. Campinas, SP: Papirus:, 2000.

RODRIGUES, A. Psicologia Social Para Principiantes. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.

SILVA, M.F.S.; AQUINO, C.A.B. (Orgs). Psicologia Social – Desdobramentos e aplicações. São Paulo: Escrituras Ed, 2004.

SPINK, M.J. Psicologia Social e Saúde. Rio de Janeiro, Vozes, 2003.

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