Uma Escuta Nova Para Problemas Antigos: Renovando a Prática Psicológica no Contexto...

Uma Escuta Nova Para Problemas Antigos: Renovando a Prática Psicológica no Contexto Escolar

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Como estudante, refleti sobre algumas dúvidas que talvez você já tenha pensado. Estava procurando entender que sentido fazia um aluno do ensino público ter que pagar cursos para inserir-se em uma universidade publica, desde então começo a fazer varias reflexões sobre a aprendizagem, questões como a de qual é realmente a função da escola, o que leva a escola publica ter tantas dificuldades com o comportamento dos alunos, critico até o quão importante é a forma que a escola vive.

Pensando nisso e estudando psicologia escolar, procurei uma perspectiva em que me ajudasse a responder e encontrei uma que me auxiliou a procurar respostas até para as próprias respostas, duvidando de tudo e todos.

Comecei então entender que tinha dois tipos de psicologia que hoje esta inserida nas escolas, se é que existe uma psicologia dentro delas, e encontrei que existem duas vertentes em que pode ser trabalhada dentro da escola para auxiliar no ensino-aprendizagem, uma chamada psicologia tradicional e outra chamada psicologia sócio histórica que podemos chamar também de psicologia critica nesse contexto.

Resolvi então primeiramente discorrer sobre a história da psicologia escolar e seu desenrolar até o entendimento da psicologia crítica, para poder chegar mais perto da pergunta certas para serem feitas .

Para entendermos melhor a perceptiva sugere-se a incansável indagação da identidade da psicologia escolar, procurando entender qual é o papel do psicólogo na escola e que para isso é importante que tenha um entendimento sobre o contexto histórico da psicologia critica é fundamental. (Kupfer, 1997)

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Fonte: Education Career Articles

Na história da psicologia escolar muitas vezes o conceito recém-construído insere o psicólogo em ações voltadas para corrigir os outros profissionais que estão envolvidos na escola e também que entendia as diferenças individuais, e devido a essa percepção muitas vezes não se tratava de funcionamento de sala de aula, o psicólogo atuava em uma sala de atendimento que implicava-se na aplicação de testes (Kupfer, 1997).

Os profissionais procuravam novas teorias sobre as dificuldades da escola, teorias que entendiam, por exemplo, que as questões sociais, estavam ligadas as dificuldades de aprendizagem e que ao estudar uma criança tem que ser pensado sobre as relações de pais e professores, e que isso seria um exercício importantes para serem pensados na sua formação, passa-se então a estudar uma forma de atuar na escola diferenciada (Kupfer, 1997)

Perante isso, duas questões aparecem para a psicologia escolar, a da demanda e a da técnica, então começa a questionar os testes. Dessa forma inicia-se a busca de respostas e passa a entender que a psicanálise, que era aplicada na escola não abrangia o contexto escolar, mas era voltada mais para uma função analítica, pautada na personalidade, fora da realidade social do indivíduo (Kupfer, 1997).

Acredita-se então em uma forma diferenciada da psicologia na escola, em que se direciona através dos discursos desenrolados ao ouvir a linguagem da escola em um todo, que tende a garantir sua permanência e que busca operar nas “brechas” do cristalizado, ou seja, procurando indagar nas parcerias que tem no contexto escolar sobre fatores voltados a história, fatores sociais e culturais, para entender a perspectiva que a escola funciona (Kupfer, 1997).

Introduzindo uma visão mais aprofundada sobre a perspectiva critica, Machado (2008) nos apresenta um estudo feito na Universidade de São Paulo (USP), em que demonstra sobre a “Produção da desigualdade nas práticas de orientação”, que reflete os processos de individualização dos fatores sociais e das consequências patológicas e medicalizantes que está cada vez mais abrangente na escola.

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Fonte:  ChildPsychology

Este serviço da USP foi criado devido a encaminhamentos de alunos para a especialidade de psicologia, e então foi percebido  que muitas vezes os alunos não tinham a demanda do encaminhamento, voltando assim para escola que continuavam com as mesmas queixas e não havia um enfrentamento para essas questões. Dessa forma foi criada uma nova perspectiva para pensar sobre os encaminhamentos.

Ainda Machado, nos leva a reflexão, sobre o desafio de pensar, discutir e problematizar questões que já estão normalizadas, pois existem inúmeras situações voltadas à aprendizagem, aluno, professor e todos outros inseridos no contexto educacional para ser escutada.

Depois de entendido sua história, conseguimos entender melhor sobre como a psicologia critica vê o que são chamados muitas vezes por “fracasso escolar”, em que de forma ampla compreende que o aluno está disponível para desenvolver suas potencialidades.

Entende então que os rótulos que a escola empregam nos alunos acabam sendo desfavoráveis para o desenvolvimento deles, que em vez de rotula-lo deve-se trabalhar para desenvolver neles habilidades e sentidos. Essa perspectiva também enxerga a escola em um contexto inserido em função de poderes socioeconômicos e políticos.

Percebe-se então uma grande contribuição para o ensino com esse novo método que foi criado para entender de forma sistemática o aluno no seu contexto total, aluno que vem de casa com suas dificuldades e vão para escola buscando seu sentido, que propõe o ensino e aprendizagem, capacidade de aluno e desenvolver suas habilidades.

A psicologia critica, nos deixa frente ao intimo dos processos que envolvem a escola e suas formas de ensino e aprendizagem

Concluo aqui considerando que todos esses apontamentos devem ser mais bem aproveitados no cotidiano escolar, levando em conta não apenas uma queixa, mas sim todas as queixas inclusive a que os alunos trazem. Não se esquecendo de questionar quais são os objetivos de todos os fatores envolvidos na escola, quais são as possibilidades de uma atuação diferenciada , e entender que isso é um exercício que precisa ser feito na coletividade , dando ouvidos para os barulhos da escola.

E então volto e me pergunto sobre como está à educação no Brasil, como está o trabalho da psicologia na participação do processo educacional, até quando os problemas serão os alunos, o quanto o trabalho multiprofissional acompanhado de um contexto total seria benéfico não apenas para os adolescentes de hoje, mas para os profissionais de um futuro bem próximo, deixo então reflexões que já deve ter ocorrido pela cabeça de muitas pessoas e que muitos devem ter falado que “não tem mais jeito”, mas estamos proporcionando um modo de agir que de certa forma questionaria os jeitos dos processos da escola pública.

 

 

Referências:

Machado, A. “A produção de desigualdade nas práticas de orientação.” (2008).

Kupfer, Maria Cristina Machado, O que toca á/a psicologia escola. Psicologia escolar: em busca de novos rumos, p.55-65, 1997.

Carvalho, José Sérgio, “A produção do fracasso escolar: trajetória de um clássico”. (2011).

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.