A Psicologia do Sentido – Viktor Frankl

A Psicologia do Sentido – Viktor Frankl

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Quem foi Viktor Frankl?

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Fonte: Brain Pickings

Viktor Frankl (1905 -1997) foi um psiquiatra judeu e austríaco perseguido pelos Nazistas na Segunda Guerra Mundial e que passou cerca de 2 anos em um campo de concentração em Dachau, na Alemanha, e Auschwitz, na Polônia.

 

Em Busca de Sentido – Um Psicólogo no Campo de Concentração

Frankl, após a libertação em 1945, escreveu uma de suas mais famosas obras, “Em busca de Sentido –Um Psicólogo no Campo de Concentração”[1946] na qual ele retrata, através de uma análise psicológica, a situação dos prisioneiros no Campo de Concentração.

O interessante da obra é que ela sai do padrão história do holocausto. Para aqueles que se interessam pelos assuntos #holocausto e #SegundaGuerraMundial, o livro revela-se uma surpresa, pois o autor explora questões psicológicas como: “O que os presos no Campo de Concentração mais sonham a respeito?”, “Quais as necessidades mais importantes para eles enquanto estão no Campo?”, “Como lidam com as circunstâncias extremas que tal ambiente impõem a eles e quais os efeitos psicológicos imediatos e tardios dessas circunstâncias?”entre tantas outras perguntas que muitas pessoas se fazem quando estudam a respeito do Holocausto Nazista.

Frankl não tinha interessa em colocar seu nome na capa da obra, pois não queria ganhar dinheiro com ela; queria apenas divulgar suas impressões e experiências no campo de concentração. Porém, por insistência de amigos, ele deixou colocar o seu nome. Não tinha ideia de que seria a obra que o tornaria mundialmente famoso.

Frankl não só publicou sua obra com suas experiências sobre a vida no campo de concentração, como também fundou uma escola de psicologia – a logoterapia, conhecida como a terceira escola vienense de psicoterapia ( a primeira foi a psicanálise com Freud, e a segunda  foi a Psicologia Individual com Adler, discípulo de Freud).

A logoterapia

A abordagem de Frankl tem um viés existencial. Embora discorde de Sartre – um dos mais famosos existencialistas -, sua abordagem é também considerada existencialista. Os pilares da logoterapia são:

  • A liberdade do desejo
  • O desejo pelo significado
  • O significado da vida

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Fonte: CathExchange

Sobre o primeiro ponto (a liberdade do desejo) ,de acordo com a logoterapia, o ser humano não está completamente sujeito aos seus condicionamentos, mas possui a condição de decidir em face às questões interna (psicológicas) e externas (biológicas e sociais). Liberdade, segundo Frankl, é definida como o espaço da vida de alguém dentro dos limites das possibilidades dadas. Ou seja: mesmo que não se possa mudar as circunstâncias (como estar em um campo de concentração, por exemplo), ainda assim, somos capazes de decidir como reagiremos, como seguiremos em frente, diante dessas circunstâncias. Frankl quer saber: como podemos seguir em frente APESAR das condições que afetam atualmente nossas vidas?

Sobre o segundo ponto (o desejo pelo significado), Frankl diz que o ser humano não deseja apenas ser livre, ele deseja ser livre para algo – seus objetos ou propósitos, por exemplo. A busca pelo significado é vista como um desejo básico do ser humano. Quando a pessoa não consegue atingir o seu ‘desejo por significado’, suas vidas podem experimentar um abismo de falta de significado.

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Fonte: Livros do Exilado

E, por fim, a respeito do último ponto (o significado da vida),  a logoterapia se baseia no fato de que a realidade objetiva é algo possível de ser alcançado, e que os seres humanos são chamados para darem e perceberem o melhor de si mesmos no mundo, neste exato momento e em cada situação. Assim, a logoterapia não fala a respeito de um significado geral da vida, mas de que cada momento contém um significado em si mesmo, específico, e que cabe ao que vive aquele momento, descobrir qual o significado que esse momento tem, afim de poder ter uma vida sadia, feliz e realizada.

Viktor Frankl fala a respeito do indivíduo buscar significado em tudo que vive, em suas experiências, boas ou não.

Questionado uma vez muito tempo após sua libertação, a respeito do das limitações fisiológicas do ser humano, ele respondeu:

“É verdade. Como professor de neurofisiologia e psiquiatra, compreendo muito bem as limitações fisiológicas do ser humano. Porém, como sobrevivente de um campo de concentração, sei também de tudo que o ser humano pode realizar, apesar as circunstâncias extremas.”

Em uma das passagens de seu livro (Em Busca de Sentido), Viktor Frankl conta a respeito de um dia no campo de concentração em Dachal quando encontrou um rapaz que disse que iria se matar, pois não suportava mais aquela condição. Frankl perguntou se ele não tinha nada para poder continuar vivendo. Conforme dialogaram, o rapaz confidenciou que antes de ser capturado pela SS nazista e enviando ao campo de concentração, ele era professor de geografia, e que havia iniciado um projeto de escrever uma coletânea, e que gostaria muito de conclui-lo. E foi através desse objetivo que Frankl o incentivou a continuar vivo, a prosseguir.

Hoje, a logoterapia possui centros em todo o mundo e vem configurando-se como uma escola de psicoterapia respeitada no meio acadêmico e médico.

 

 

Referências Bibliográficas:

http://www.viktorfrankl.org/e/logotherapy.html

FRANKL, E. Viktor, Em busca de Sentido, Editora Vozes. 25 edição.

O livro da Psicologia, Globo livros, 2012.

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