Precisamos Falar Sobre Isso: Suicídio na Adolescência

Precisamos Falar Sobre Isso: Suicídio na Adolescência

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Fonte: institutobiadote.org.br

Falar da vida é tão fácil. O interessante é que até a vizinha fala da vida que não é dela. Mas falar do assunto morte, certamente vem acompanhado de vários tabus, ainda mais quando se trata desse assunto na fase da adolescência.

O assunto suicídio vem acompanhado de muitas críticas. Uns dizem que isso deve ser escondido, pois pode prejudicar e/ou influenciar alguém a se matar. Outros contrapõem dizendo que isso deve ser falado e deve ser esclarecido para que ocorra conscientização e quem sabe até um acompanhamento profissional antes mesmo que aconteça o pior, que nesse caso é a morte de alguém, de alguém tão jovem. Eu sou do time da prevenção e da conscientização e por isso estou aqui escrevendo para que esse texto possa atingir o maior número de pessoas que estão sofrendo e que podem achar outras saídas para esse tipo de sofrimento.

Fonte: diarioonline.com.br
Fonte: diarioonline.com.br

Atualmente uma série tem sido bastante polêmica. Não podia deixar de citar “13 Reasons Why”. Ela trata exatamente do assunto que estamos falando. Ouvi e li em muitos lugares criticas sobre a série dizendo que ela trata de “bullying”, e sim, a série fala desse tipo de ato, porém ela não fala somente disso. A série em si retrata a história de uma garota que comete suicídio. Durante a decisão desse ato ela sofre não apenas com bullying, mas também pela falta de estrutura familiar, estupro, possíveis conflitos sexuais, perturbações mentais, rejeição e preconceito quando ela procurou por ajuda. Isso aparece juntamente com outros fatores relevantes que vão se passando no decorrer dos episódios ou capítulos (para quem leu o livro). A série deixa claro que existem multifatores que podem ser determinantes para esse tipo de morte, o suicídio.

Estudos evidenciam que é real a preocupação com os adolescentes, pois mostram que o suicídio é a terceira maior causa de morte entre adolescentes no mundo. Em um estudo que objetivou avaliar o perfil dos adolescentes que chegavam ao pronto atendimento com a demanda de tentativa de suicídio mostrou o seguinte perfil:

  • Perfil Predominante:

– Meninas;

– Entre 15 e 19 anos;

– Solteiras;

– Brancas;

– Estudantes;

– Residem em bairros de baixo poder aquisitivo;

– Na maioria das vezes faz uso de medicação para a tentativa durante o dia.

O perfil, por sua vez, não determina que somente as pessoas com essas características cometam suicídio, mas aponta que 77,8% tinham esse tipo de característica. Qualquer adolescente que esteja em sofrimento necessita de um olhar diferenciado.

Fonte: agoramt.com.br
Fonte: agoramt.com.br

Outro estudo relaciona os perfis as algumas características comportamentais como:

Características Comportamentais

O que quer dizer

Ansiedade Agitação, expectativa negativa do futuro, preocupações em excesso
Depressão Humor deprimido, choro, excessos de pensamentos negativos, apego aos problemas do passado
Isolamento social Dificuldade de interação (dentro ou fora de casa)
Problemas somáticos Doenças e dores em que predomina o sofrimento psicológico, trazer para o corpo a dor psicológica
Quebrar de regras Perder a responsabilidades das consequências dos seus comportamentos
Comportamento agressivo Autolesivos, como se cortar e provocar dor em si mesmo, ou causar dor ao outro sem empatia
Problemas de internalização e externalização Internalização: problemas orgânicos sem necessidade de manifestação corporal, como ansiedades e depressão. Maior sofrimento emocional;

Externalização: manifestação comportamental, como por exemplo, a manifestação delinquente. Esse tipo altera ambiente

A maioria dos estudos encontrados a respeito do suicídio relaciona-o com a depressão. Apontam também que deve-se atentar com uma melhora imediata da pessoa que passa por esse sofrimento, pois pode ser a hora em que ela está se sentindo decidida para o ato, por isso a diminuição de sofrimento e estar mais ativa para algumas mudanças, umas delas podendo ser a morte.

Voltando para a reflexão da série citada a cima, uma das coisas que acontece é que a garota em um dos últimos momentos de sua vida, procura um “profissional” e a maneira que ele a trata nos mostra a existência de alguns déficits para compreender o caráter do problema. Pode-se perceber que ele trata com certo desdém todo o contexto familiar, psicológico e histórico da personagem principal, além de também tratar o bullying e os abusos de maneira desdenhosa. Talvez, o mais ‘chocante’ desta parte da série seja que o orientador reproduz os comportamentos que vemos cotidianamente na sociedade: achar que aquilo não é motivo para sofrimento, achar que é tudo exagero e dizer que a pessoa precisa seguir em frente.

A postura do profissional é ter calma e acolher a pessoa. Qualquer tipo de julgamento nessas horas não estará ajudando o adolescente a melhorar. É necessário também que o bom profissional entenda a totalidade de um indivíduo e leve em consideração too seu ambiente e a relação da pessoa com o mesmo. O encaminhamento ao médico e ao psicólogo se torna urgência. O acompanhamento junto a família é necessário para que esse adolescente tenha o cuidado ideal.

Te convido a ter a empatia e compreensão e não preconceitos e tabus.

Referências

Avanci, R. D. C., Pedrão, L. J., & Costa Júnior, M. L. D. (2005). Perfil do adolescente que tenta suicídio em uma unidade de emergência.

Braga, Luiza de Lima, & Dell’Aglio, Débora Dalbosco. (2013). Suicídio na adolescência: fatores de risco, depressão e gênero. Contextos Clínicos, 6(1), 2-14. https://dx.doi.org/10.4013/ctc.2013.61.01

Faria, A. C. G. M. D. (2014). SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA.

Resmini, E. A. (1997). Suicídio na adolescência. Psychiatry on-line Brazil.    

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.