Pensamentos Poderosos – Erros de pensamento que geram e aumentam o poder...

Pensamentos Poderosos – Erros de pensamento que geram e aumentam o poder da ansiedade

1954
Compartilhe

O poder de um pensamento é incalculável. Podemos conceber obras primas como a Ilíada ou a Odisseia, como podemos ter ideias fatalistas e desagregadoras como a “solução final” proposta por alguns nazistas completamente cegos por alguns pensamentos. Ideias, pensamentos, opiniões, verdades, crenças… Todas são fontes das mais complexas formas e conteúdos. Algumas nos protegem e outras nos tiram do foco.

Uma das bases principais da Psicologia Cognitiva é que o pensamento é passivel de erro. Então, segundo essa logica, uma certeza ou crença que temos, pode estar completamente errada ou partir de uma lógica falha. Nos Estados Unidos da América, Albert Ellis cunhou o termo “irrational”, que aqui poderia ser traduzido como “sem lógica”, ou seja, falta a esse pensamento um fundamento comprovável na realidade, com uma consequência de ganho pragmático e com o mínimo de lógica A->B.

 

Pensamento-Thinkstock_e_Getty_Images-post

 Fonte: ThinkStock

Esses pensamento “exagerados” e “poderosos” tem uma grande importância na lógica da preservação do ser humano. Geralmente atrelados as situações de perigo, os pensamentos ansiosos nos ajudam na proteção e preparação para ação em situações de risco. Como dizia meu pai Alexandre Rivero, meu grande mestre na Psicologia; – “No passado, entrar em uma floresta perigosa era uma atitude de vida ou morte. Se um galho de árvore se mexia, era melhor ter um ataque do pânico e correr fora, ao invés de ficar para ter a certeza de se era um tigre ou não. O problema, é que hoje o tigre vive aqui ó, na cuca das pessoas.”

Aaron Beck e David Clark (2012), deixam claro no livro “Vencendo a Ansiedade e a Preocupação” que: “O problema nos transtornos de ansiedade é que as pessoas tendem a superestimar tanto a probabilidade quanto a intensidade de perigo e ameaça”.

Beck e Clarck falam claramente das duas grandes medidas para poder saber se uma pessoa está deixando um pensamento vencer a guerra: Frequência e Intensidade. Esses dois fatores definem se você é uma pessoa relativamente preocupada e compromissada com suas questões, ou se você já ultrapassou a borda e agora vive uma ansiedade constante e profunda.

Na margem da frequência e intensidade vivem os erros de pensamento, e um dos mais comuns deles é a catastrofização, ou seja, superestimar a probabilidade e a gravidade de uma ameaça. Quando fazemos uma catastrofização, em geral, nos concentramos no pior desfecho possível de uma situação ansiosa. Um exemplo seria pensar que você será demitido por ter cometido um erro em seu relatório.

thi02 saudedicas

Fonte: Saúde Dicas

Nem só de aumentar o tamanho do problema vive o homem, pois também podemos tirar conclusões precipitadas, ter uma visão em tunel, miopia, raciocinio emocional e pensamento tudo ou nada. A seguir descrevo cada um deles com exemplos como proposto por Beck e Clarck. 

  1. Tirar conclusões precipitadas: Envolve em geral acreditar que um desfecho temido seja extremamente provável de ocorrer; exemplo – Tenho certeza que minha namorada quer terminar comigo por que me ligou brava. 
  2. Visão em túnel: Enfocar somente nas informações ligadas a possíveis ameaças, ignorando qualquer evidência de segurança; exemplo – Perceber que uma das 5 pessoas presentes na reunião está entediada. 
  3. Miopia: tendência de acreditar que existe uma ameaça iminente; exemplo – Pessoa que tem medo de vomitar ficando preocupada de que está prestes a sentir-se enjoada porque está com um “sentimento de inquietude”. 
  4. Raciocínio emocional: Supor que quanto mais intensa a ansiedade, maior a ameaça real; exemplo – Viajar de avião deve ser perigoso, pois me sinto ansioso quando viajo de avião. 
  5. Pensamento de tudo-ou-nada: ver ameaças a segurança em termos rígidos absolutos, como presentes ou ausentes; Pessoa com ansiedade social convencida de que seus colegas de trabalham a acham totalmente incapaz e incompetente.

Em geral, esses pensamentos todos vem associados a outros que Albert Ellis classificou como as NÃO SUPORTITES E NÃO AGUENTITES, que são as crenças de que eu não posso suportar mais a minha própria ansiedade ou de que eu não vou aguentar mais viver dessa maneira. Frases comuns dos pacientes são: 

  • Não suporto ficar ansioso
  • Se eu não controlar a ansiedade, ela vai acarretar algo ainda pior (infarto, enlouquecer, perda total de controle)
  • A ansiedade vai continuar até eu detê-la
  • A ansiedade é pior do que a dor física, a decepção ou a perda
  • A ansiedade persistente pode prejudicar a saúde
  • A ansiedade é um sinal de que você esta perdendo controle
  • É importante manter-se calmo e não ficar fisicamente tão tenso e agitado.

No processo de tratamento desses pensamentos, o psicólogo estimula o paciente a pensar de forma diferente e a agir de forma radicalmente nova. Ora criando situações novas, ora pensando de maneira nova. Por vezes tendo que buscar e criar ambientes nunca antes vividos e pensados, ora refletindo sobre ideias novas. Nesse ciclo de novos pensamentos e novidades, muitos pacientes criam um outro tipo de pensamento ansioso relacionados a ideia de desconforto com o novo e com o desconhecido.

thi 01

 Fonte: Pesquisas Psico

Essa fobia ao novo e ao desconhecido cria um tipo de medo a situações novas, inesperadas e desconhecida. Tudo se transforma em ameaçador e as situações novas são evitadas ao extremo. A ideia de incapacidade de lidar com o novo surge no paciente e cada vez mais ele se torna esquivo, evitativo e com dificuldades em enfrentar o novo. Essa atitude evitativa, afasta a ansiedade no primeiro momento, mas o custo é altíssimo. A preocupação e o pensamento intrusivo e ansioso a respeito de qualquer situação não-controlada aumenta e a pessoa cada vez mais se afasta de qualquer situação que não possa exercer dominação e que não tenha familiaridade.

Muitas são as formas de pensar que nos levam a aparentes atalhos de proteção, mas na verdade estamos caindo em um labirinto de superproteção e subvalorização da nossa capacidade de enfrentamento à ansiedade e os pensamentos ansiosos.

Gosto da psicologia cognitiva, pois ela nos traça um mapa de enfrentamento, apontando os nossos medos, dando nome a eles e acendendo a luz para que possamos aos poucos saber onde, e quando falhamos e de que forma podemos enfrentar de forma mais efetiva nossos erros e distorções.

Esse texto tem como objetivo trazer a luz o poder dos nossos pensamentos e como erros podem construir ideias ansiosas. Em próximos textos vamos abordar outras temáticas relacionadas aos nossos pensamentos.

Bibliografia

Clarck D A., Beck A. T. Vencendo a Ansiedade e a Preocupação Com a Terapia Cognitivocomportamental. Artmed Editora: Porto Alegre.

Ellis, A., & Blau, S. (1998). Rational emotive behavior therapy. Directions in Clinical and Counseling Psychology, 8, 41-56.

Views All Time
Views All Time
1495
Views Today
Views Today
2

Comentários

comments