Pensamento Automático: Se Conheça Melhor e Pare de Sofrer Pelos Mesmos Motivos

Pensamento Automático: Se Conheça Melhor e Pare de Sofrer Pelos Mesmos Motivos

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Esse texto tem como objetivo fazer com que o leitor entenda o porquê muitas vezes acabamos desistindo de nossos sonhos, porque temos um dia ruim ou até porque não conseguimos alcançar o que desejamos.

Para entendermos melhor sobre o que acontece quando não alcançamos nossos sonhos precisamos saber de que lugar tiramos a sua compreensão cientifica, para que haja uma fidedignidade no texto. Precisamos percorrer a psicologia e conhecer melhor a teoria cognitiva.

A teoria cognitiva contribui hoje em dia nas mais diversas áreas da psicologia. Sua atuação percorre o âmbito escolar, esporte, hospitalar, clinico, reabilitação, trabalhos em grupos e muito mais. A teoria cognitiva está cada vez mais ampla dentro da psicologia em todo o mundo. Ela teve seu início nos Estados Unidos em meados da década de 60, tendo como principal teórico Aaron Beck.

Essa teoria se tornou mais conhecida depois de seu sucesso quando atuado em pessoas com quadro depressivo. Esse tipo de terapia tem sua estrutura baseada em um foco e uma meta especifica e na resolução do problema, utilizando variedades de técnicas e a interação com o cliente, sendo uma sessão focada não em patologias, mas intervêm no que é trazido como dificuldade pelo paciente.

Agora que já entendemos de onde vem à teoria da qual vamos nos embasar, estamos partindo do entendimento da prática que está sendo aplicada pelo mundo inteiro, então não estamos nos baseando em senso comum.

Ouvimos várias pessoas, por diversas vezes repetirem: “não consigo aprender matéria”, “esse professor só complica as coisas”, “eu não sou bom na escola”, “não consigo estacionar o carro”, “não vou conseguir aprender anatomia”, “não sou bom para minha namorada”, ”se eu namorar esse cara, ele vai me trair” entre outras. Esses pensamentos são de grande importância para a terapia cognitiva, sendo instrumento para a atuação do psicólogo.

Segundo a teoria de Beck, na nossa cognição (cabeça) existe uma ideia que ele chama de “ Pensamento Automático”. Esse pensamento não se mostra tão claro quanto parece, ele simplesmente passa por nossa cabeça e aceitamos essa ideia como uma verdade absoluta sem ser questionada. Ela está ligada a uma percepção, julgamento ou até interpretação dos mais diversos acontecimentos da vida de um sujeito.

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Fica evidente, exemplificando, quando alguém atravessa a rua e olha para os dois lados sendo que a mão de passagem do carro é único. Dessa maneira não paramos e pensamos que a mão é única, apenas nos ligamos que vamos atravessar e que precisamos olhar para os dois lados e o pensamento acaba ai. Esses pensamentos afetam de vários formas os comportamentos e os sentimentos das pessoas.

Os pensamentos automáticos podem trazer desconforto para as pessoas e dessa maneira diminui a tendência delas realizarem tarefas e adquirir novas experiências devido a essa certeza absoluta inquestionável. Esse pensamento não é algo que acontece apenas com as pessoas com sofrimento, ele está instalado em todos, independente de patologia ou não, e passamos por esses pensamentos sem mesmo percebê-los. Mas sua percepção através de tratamento o traz a tona com maior facilidade.

Uma vez identificado esses pensamentos podemos refletir junto à realidade para entendermos se realmente é válido. Isso só se torna possível quando não estamos sofrendo de disfunção psicológica e em aflição.

Vamos tentar colocar isso na prática para que fique mais claro. Sabe quando estamos diante de um texto ou um artigo que consideramos grande de mais, ou lendo um livro que parece não ter fim? Então, normalmente pensamos, “eu não vou conseguir ler esse livro (ou artigo) todo”. Esse pensamento gerou de certa forma uma resposta no organismo que na maioria das vezes chamamos de ansiedade, por sua vez diminuiu a atenção e devido a isso não conseguimos terminar de fazer o que estávamos fazendo.

Nesse caso a terapia cognitiva atuará apresentando instrumentos viáveis para tal problemática, por exemplo: quando identificado o pensamento e conscientizado pelo cliente, quando isso surgir novamente logo ele se atentará ao pensamento disfuncional, quando então identificado ele através de treino pensará que consegue sim ler o livro ou o artigo todo, mudando dessa forma seu comportamento e diminuindo pensamentos considerados problemas, nesse caso podemos ver que ele aumenta seu repertório da leitura, diminui sintomas ansiosos e aumenta o nível de atenção na realização das atividades de leitura.

Dessa mesma maneira acontece nas diversas outras áreas de nossa vida. Um dependente químico que não consegue desfazer muitos de seus pensamentos automáticos pode não conseguir deixar o vicio.

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Para a identificação desses pensamos aqui vão algumas dicas:

  • Passo número 1: Pense no que se passou!
  • Passo número 2: Se pergunte qual a emoção que você estava sentindo.
  • Passo número 3: O que estava se passando por sua cabeça naquele exato momento?

Depois que se passou por esses passos, podemos chegar perto do que é o “pensamento automático”. Essa reflexão deve ser feita quando algo lhe traz sofrimento, depois podemos tentar mudar o que está se passando recorrentemente por sua cabeça. A aplicação da técnica para ser coerente e eficaz deve ser aplicada por um terapeuta que, a partir dessa identificação, treinará para que se altere pensamento e dessa forma altere comportamento para obter outras respostas.

O movimento da mudança é sem dúvida diferente para cada um, ele pode causar desconforto, mas não podemos nos agarrar ao comodismo e deixar com que a vida seja levada com murmúrios e sofrimentos. Está aí uma forma que podemos iniciar nossas mudanças, aumentar o repertório comportamental de forma assertiva, ou seja, viver bem, que é sem dúvida sinal de saúde e qualidade de vida. Espero que o texto tenha passado de forma simples e prática o quão importante é se atentar aos pensamentos automáticos e que tenha dado condições para que de alguma maneira ele fique presente para a vida.

Referências Bibliográficas:

BECK, Judith. Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.