Pare de Bater em Mim, Isso Não Me Ajuda e Me Atrapalha!

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Por diversas vezes escutamos pessoas dizendo que o que faltava para que a outra pessoa fosse melhor era uma boa cintada ou ter tomado uma surra quando pequena. Esses tipos de afirmações muitas vezes são feitas sem nenhuma reflexão, dificultando assim pensar sobre esse tipo de postura.

O ato de punir faz parte de nossa história. Se nos atentarmos a esse assunto podemos observar o quanto isso acontece. Quando pensamos em história logo nos lembramos da escravidão. A escravidão foi uma época que dava o direito para os homens das grandes casas punirem seus servos trabalhadores uma vez que eles não obedeciam. Usavam da punição para mostrar poder tanto para quem não realizou a tarefa do modo que deviam quanto para aqueles outros escravos, como uma forma de “exemplo”. Hoje queremos acreditar que isso faz parte do passado.

Antigamente nas escolas os professores puniam os alunos fisicamente como forma de aprendizagem. Cada vez que o aluno fazia algo que não era do agrado do mestre/professor, os professores “consertavam” batendo com a régua em sua mão ou apenas deixando as crianças de castigo, coisa que hoje em dia não pode acontecer mais.

Atualmente, conforme as leis vigentes, uma vez que se comete um crime o cidadão pode ser punido de várias maneiras, mas certamente será punido grave ou levemente.

Agora paramos e refletimos: será que adiantava? Será que isso realmente valeu ou vale a pena acontecer? O que é punir? Será que não deve existir a punição e como seria o mundo sem nenhum tipo de punição?

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Vamos aprofundar a punição. um assunto de grande importância, seja na educação dentro de casa, na relação cuidador e a criança que está sendo cuidada. Deve-se ou não punir?

Anos atrás as crianças apanhavam dos seus pais como uma forma de educação. Na maioria das vezes as crianças emitiam comportamentos que não agradavam seus pais e para que isso fosse “consertado” usava-se de punição física ou psicológica, imaginando que dessa maneira os pais teriam controle dos comportamentos de seus filhos para emitirem comportamentos tidos com certos pela sociedade.

O ato de punir pode ser emitido de diversas maneiras, podendo ser através de agressão verbal, física ou até através de comportamentos não verbais. Darei alguns exemplos:

  • Verbal: Quando alguém que xinga ou quer menosprezar a outra. Ela também pode ser feita através de má critica. Um professor quando diz para o aluno que o trabalho que ele fez está “uma porcaria” o mesmo está emitindo uma punição verbal.
  • Física: Acontece na maioria das vezes nas brigas de rua. É quando alguém agride fisicamente a outra pessoa.
  • Comportamento não verbal: esse comportamento é emitido através de expressões e sinais. Exemplo disso é quando chamamos o garçom com um estalo dos dedos. Uma punição a respeito desse tipo de comportamento é a expressão facial de uma mãe para um filho quando ele está emitindo comportamentos que ela não queira.

A punição foi estudada por Skinner e foi delimitada duas formas de punir. São elas a positiva e negativa.

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Punição positiva diz respeito a uma forma de punir que apresenta um estímulo aversivo, tido como algo ruim para a pessoa. A agressão física é uma punição positiva uma vez que te apresenta à dor ou algo que machuca. Outro exemplo é a punição verbal em que apresenta uma palavra que oprime ou menospreza a outra pessoa. A nomenclatura “positiva” na punição não quer dizer que seja algo bom ou ruim, mais sim no sentido de apresentar algo. Usa-se positivo em análise do comportamento quando é colocado algo, só isso.

A punição negativa é chamada assim porque se tira algo muito bom, tira o que é reforçador para alguém.

E então o que fazer? Deve-se ou não punir?

Para a análise do comportamento existe uma forma mais adequada do que a punição para garantir o comportamento. A teoria psicológica defende que a melhor maneira de garantir comportamentos melhores é oferecendo reforço ao invés de punir.

A diferença principal entre elas é que quando punimos não podemos garantir a consequência do comportamento de quem está sendo punido. Por exemplo: quando um pai bate em seu filho, a criança pode até não emitir o mesmo comportamento na frente dele, mas isso não quer dizer que ele nunca mais fará com outras pessoas ou até a mesma e nem que ele não fará a mesma coisa de outra forma. Um filho que chega drogado e apanha, pode até garantir que ele não chegue em casa mais drogado, porem continuará usando a substância química em outros momentos e em outros ambientes.

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Quando se pune encontramos outras formas de enfrentar e superar a punição e isso foge do controle de quem está punindo, como nos casos citados acima.

Agora quando se fala em reforço, estamos falando do que é bom e da garantia que continue exercendo os comportamentos assertivos. Vou exemplificar para que fique claro. O pai que oferece uma atenção maior ao seu filho quando ele não chega drogado e começar a oferecer a ele outros ambientes onde ele se sinta melhor, pode garantir que o comportamento seja mais bem adaptado ao que o pai deseja.

Diante de tantas informações é importante que a usemos para oferecer o bem. No caso de pais e professores, esse texto é considerado importante para entender o porquê de muitos comportamentos rebeldes de nossas crianças e adolescentes e ainda mais para sabermos como lidar com eles.

Referencia:

MOREIRA, Márcio Borges; DE MEDEIROS, Carlos Augusto. Princípios básicos de análise do comportamento. Artmed, 2007.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.