Pais, Alunos e Professores: E Agora Psicólogo? O Papel do Psicólogo no...

Pais, Alunos e Professores: E Agora Psicólogo? O Papel do Psicólogo no Ambiente Escolar

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“B é uma criança de 8 anos, está cursando a segunda série do ensino fundamental em um colégio particular, onde estuda desde os três anos de idade. No ano de 2006, a professora pediu assistência à coordenadora pedagógica, pois Bruna estava tendo dificuldades em prestar atenção nas tarefas. Mesmo em atividades prazerosas, não se mantinha assentada quando devia, tinha dificuldades para se relacionar com seus colegas, sua leitura era segmentada e, em função disso, tinha dificuldade para concluí-la. Em algumas avaliações, necessitou de um tempo maior para realizá-las. E, como se sabe, se torna impossível o professor resolver isso sozinho, uma vez que seu tempo e sua função na escola é a docência.”

E agora psicólogo? Muitos profissionais em seu início de atuação na área escolar podem e tendem a se deparar com casos semelhantes ao de B, a dificuldade real é intervir no ambiente escolar abrangendo e considerando todos os personagens/ situações relacionados a queixa. E esta atuação do psicólogo escolar difere-se em vários aspectos das outras especificidades da psicologia.

O psicólogo atuaria como clínico no contexto escolar quando baseia sua intervenção num modelo médico. “Seu interesse gira em torno da saúde e da doença mental e do diagnóstico e cura de problemas de comportamento.” (Reger, 1989, p. 13).

Este primeiro modelo proposto de atuação baseada na área clinica apresenta algumas dificuldades pois não se trata de encontros pontuais e individuais, e sim de encontros com vários personagens, que possuem diferentes versões da queixa apresentada.  E em situações frequentes podem apresentar queixas diferenciadas relacionadas ao mesmo aluno/professor. Importante enfatizar que apesar de encontrar-se em contexto diferenciado e que portanto solicita uma intervenção diferenciada do contexto clinico, que em momento algo o psicólogo deve perder seu papel.

Segundo Reger (1989) o psicólogo não possui um papel de educador seu objetivo principal é auxiliar no processo educacional, através do planejamento de programas educacionais. Utilizando as técnicas e conhecimentos psicológicos que possui. Atuando como um elo entre o mundo acadêmico e o sistema escolar.

A definição segundo a qual o objetivo básico do psicólogo escolar é “ajudar a aumentar a qualidade e a eficiência do processo educacional através da aplicação dos conhecimentos psicológicos” (PATTO, 1997)

Afirmamos então que a função do psicólogo escolar é auxiliar o professor, funcionários, alunos e os demais envolvidos no processo educacional. Com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento do aprendizado. Atuando dentro do contexto escolar com um agente de mudanças. Porem como o psicólogo escolar deve atingir seu objetivo?

Vale ressaltar que não existi e possivelmente não existira uma formula especifica que se adequara a todas as escolas, alunos, profissionais e queixas apresentadas. Porem o que será apresentado é um conhecimento teórico dos passos que um psicólogo escolar deve se basear a fim de facilitar a sua atuação frente as queixas apresentadas no âmbito escolar.

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Fonte: Fatos Desconhecidos

Ressaltando que a teoria deve ser aprofundada e adaptada em relação a cada aluno, profissional, escola ou queixa que o psicólogo pretenda atuar. Por buscarmos sempre todos os envolvidos na queixa o psicólogo deve atuar primeiramente com a equipe pedagógica, propondo:

Uma reunião inicial com a equipe pedagógica (orientadores e supervisores e direção, assim como professores) é mais que necessária. (ANDRADA, 2005)

Segundo Andrada (2005) faz-se necessário conhecer o Projeto Político Pedagógico da Escola e proporcionar a equipe pedagógica um espaço semanal ou quinzenal de dialogo. Facilitando a discussão acerca de teorias pedagógicas.

No segundo momento deve-se utilizar e desenvolver propostas de intervenção que envolvam a família no contexto escolar como: entrevista com questões relacionadas à queixa escolar do aluno, encontros nos quais os temas discutidos devem ser as dificuldades de aprendizagem em cada ciclo de vida e auxilia-los a entender qual é o seu papel no desenvolvimento da aprendizagem do aluno. Visando atuar na integralidade dos personagens, o psicólogo deve atuar como mediador entre as partes, proporcionando/facilitando a comunicação dos evolvidos no ambiente escolar.

Unir pais e professores no processo educacional das crianças em estratégias cognitivas que contem com a participação de ambas as partes. (ANDRADA, 2005)

Em relação à criança o psicólogo deve realizar encontros utilizando técnicas e instrumentos lúdicos, a fim de conhecer a criança e verificar a veracidade da queixa. É importante que a criança esteja ciente do motivo dos encontros e que o psicólogo se atente a sua da queixa e dos acontecimentos relacionados a ela.

O psicólogo escolar em todos os aspectos deve sempre tomar uma posição investigativa, se aprofundar na queixa e utilizar-se da escuta de todos os personagens que estão envolvidos no contexto escolar. Após a realização desses passos o psicólogo pode pensar/avaliar possibilidades de intervenção frente a real queixa, como:

 Diagnóstico e encaminhamento das crianças com suspeita de dificuldades de aprendizagem para especialistas da área. Acompanhamento do processo de aprendizagem dos alunos com dificuldades de aprendizagem. (ANDRADA, 2005)

Andrada (2005) ressalta que juntamente com a equipe escolar e professores podem-se criar estratégias psicopedagógicas e incentivar os professores a participar de alguns encontros com a criança. A fim de auxilia-los a repensar em novas praticas para auxiliar o aluno com dificuldade de aprendizado.

Participar das reuniões e conselhos de classe, nas quais o psicólogo poderá estabelecer novas maneiras de perceber o processo educacional dos alunos, evitando rótulos, diagnósticos imprecisos e hipóteses únicas e fechadas. (ANDRADA, 2005)

É importante enfatizar também que o psicólogo escolar deve após as intervenções e a realização das propostas de intervenção, realizar o acompanhamento dos envolvidos na queixa. Facilitando e evitando que dificuldades no processo de aprendizagem, como dificuldades na transmissão dos conteúdos, comportamentos em sala de aula e comunicação entre professores/pais/coordenação. Pois sua intervenção é essencial no âmbito escolar, em diferentes e determinantes aspectos.

Segundo Carvalho (2008) a intervenção e orientação do psicólogo tem um papel fundamental na inclusão social, equidade social, igualdade entre os sexos e da formação da cidadania. Através do incentivo aos indivíduos para que participem do contexto escolar e da inserção da formação pedagógica.

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Fonte: Portal CRP PR

Portanto a atuação do psicólogo no ambiente escolar é essencial, pois através desta visa/considera todos os personagens/aspectos da queixa e atua em conjunto com todos os envolvidos. Para facilitar e explicitar o entendimento do que foi apresentado no texto, segue a propostas interventiva do caso de  exposto no início do texto:

“Como os sintomas apresentados envolviam alguns aspectos que não eram da área pedagógica, a coordenadora pediu que a psicóloga da escola a ajudasse, passou todas as informações já obtidas e a criança foi acompanhada também por essa profissional. Ao pedagogo cabe discernir a necessidade ou não de ajuda de especialistas. Durante todo o processo, elas trabalharam juntas passando informações sobre a criança”

REFERÊNCIAS

  1. ANDRADA, E.G.C.” Focos de intervenção em psicologia escolar”. Psicol. Esc. Educ. (Impr.) vol.9 no. 1 Campinas,2005.
  2. CARVALHO, R.G.G. “A Dimensão Relacional da Intervenção dos Serviços de Psicologia nas Escolas”, Secretaria Regional de Educação & Universidade de Madeira, Madeira, Portugal, 2008.
  3. FREIRE, A.N; AIRES, J.S.” A contribuição da psicologia escolar na prevenção e no enfrentamento do Bullying”. Psicol. Esc. Educ. vol.16 no. 1 Maringá, 2012.
  4. MARTINS, J.B. “A atuação do psicólogo escolar: multirreferencialidade, implicação e escuta clinica”.  Psicologia em Estudo, Maringá, v. 8, n. 2, p. 39-45, 2003.
  5. PATTO, M.H.S. “Introdução à Psicologia Escolar”. (pp.13) 3ed. Casa do Psicólogo, 1997.
  6. REVISTA ELETRÔNICA: “O Caso é o Seguinte…” / Coordenação Pedagógica: Coletânea de Estudos de Casos / Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – v. 1, n. 2 (ago./dez. 2008-). – MG/Belo Horizonte: ICH – PUC Minas, 2008.
  7. REGER, R. ”Psicólogo escolar: educador ou clínico?”,1989 Em: PATTO, M.H.S. ”Introdução à Psicologia Escolar” (pp. 9-16). São Paulo: T. A. Queiroz, 1997.

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