A União Faz a Força! – Os Aspectos da Modalidade Grupal

A União Faz a Força! – Os Aspectos da Modalidade Grupal

781
Compartilhe

Em diferentes ambientes e aspectos de nossas vidas compomos e fazemos parte de grupos, como os grupos familiares, no trabalho, na escola e entre outros. Ocorre pois somos  instintivamente seres gregários, que tendem a coexistir em grupo e são essas relações sociais que definem estes grupos, pois para que haja um grupo os elementos devem possuir relações, aos quais podem apresentar-se de diferentes formas. Porem em tudo o grupo os elementos devem possuir aspectos em comum, que os levam a estabelecer relações e conexões, esta é a junção que estabelece-se em um grupo. Por tanto o que define-se como um conjunto de pessoas correlacionados e relacionando-se de alguma forma.

De “relação” vem à palavra “relativo”. Ora, relativo é o contrario de absoluto. Absoluto quer dizer total, completo, fechado e sem contradições. Se eu vejo, então o grupo a partir de “relações”, estas relações são dinâmica, sempre “relativa”, isto é, incompleta, em construção, em transformação (CAMPOS, 1998).

As relações sociais definem os grupos, pois para que haja um grupo os elementos deve haver relações, assim como não se fecha relações, os grupos também não são fechados, aos quais podem apresentar-se de diferentes formas. Porem em tudo o grupo os elementos devem possuir aspectos em comum, que os levam a estabelecer relações e conexões, esta junção que estabelece um grupo. Por tanto o que defini se um conjunto de pessoas é um grupo, são as relações aos quais estes grupos apresentam e os tipos de relações dos mesmos.

Costuma-se chamar de “massa”, ou “multidão”, a existência de um grande numero de pessoas ligadas por contiguidade física, isto é, que estejam num mesmo local. Não são precisamente “grupos” como os tomamos aqui. São mais “amontoados” de gente, onde as pessoas não chegam, em geral, a se conhecer (CAMPOS, 1998).

A multidão trata-se de um termo que indica um aglomerado de pessoas, porém que não possuem objetivos e podem ou não possuir algo em comum, que não se conhecem, apenas encontram-se no mesmo local. Um exemplo pratico é a estação de metro, que frequentemente apresenta uma concentração de pessoas, aos quais não possuem vinculo, apenas encontram-se situadas na mesma localidade.

Conceitua-se grupo de maneira bem ampla é: “Um grupo consiste de duas ou mais pessoas que interagem e partilham objetivos comuns, possuem uma relação estável, são mais ou menos independentes e percebem que fazem de fato parte de um grupo” (RODRIGUES et al, 1999, p.371).

http://emotionalhealth.com/about-the-services/groups/

Nos grupos as relações alteram-se com o tempo e com variáveis proporcionadas por fatores variados, por este motivo não podemos fechar/estabelecer uma visão determina sobre o grupo, devemos considerar a dinâmica das relações que ocorrem e que desenvolvem-se. Logo considerando esse aspecto destaca-se a dificuldade em definir relações grupais, devemos observar e atentar-se a dinâmica do grupo a fim de alcançar o objetivo de identificar os tipos de grupos.

Nestas perspectivas desenvolveu-se a grupo terapia, ao qual iniciou-se com J. Prats, que iniciou a atuação com o um grupo de tuberculosos em um hospital, com a finalidade de ensinar/discutir aspectos higiênicos. Consecutivamente outros autores iniciaram/desenvolveram pesquisas e trabalhos voltados para a modalidade grupal, em diferentes grupos e com objetivos divergentes.

De acordo com Zimerman (1993) psicanalistas como Foulkes e Riviére, foram autores que também desenvolveram pesquisas e trabalhos voltados para a modalidade grupal, Foulkes inaugurou o processo psicanalítico grupal e Riviére, foi um dos nomes mais renomados da modalidade de grupo terapia.  Riviére desenvolveu estudos voltados para os fenômenos que ocorrem nos grupos, como os papeis, a dinâmica e o desenvolvimento do grupo.

Bion um dos autores mais citados/ utilizados na modalidade grupal, pois propôs que o grupo se movimenta em dois planos, o “grupo de trabalho” que opera com o objetivo de executar e concluir a tarefa proposta no grupo. E “grupo de pressupostos básicos” o plano do inconsciente, onde o grupo circula no âmbito das fantasias e pulsões (Zimerman, 1993).

Os autores que desenvolveram essa modalidade de atendimento em grupo observaram a importância dos grupos na existência humana, e a identidade/autenticidade presente em cada grupo. Observaram que existem diferentes tipos de grupos, estabelecidos através do objetivo e dos vínculos criados pelos grupos como: grupos operativos (ensino – aprendizagem, institucionais e comunitários) e grupos terapêuticos (autoajuda e psicoterápicos).

Grupos operativos são tão abrangentes que muitos autores o consideram o continente de todos os grupos, considerando os vínculos, os papeis e a dinâmica do grupo. Porem essa modalidade é voltada para execução e conclusão da tarefa. Os grupos operativos de ensino – aprendizagem objetivam o aprendizado, logo a formação de mentes. E os institucionais a reflexão e debate para formação de conceitos, veem sendo utilizado em escolas, a fim de estimular a discussão entre pais e professores, para formar/ estabelecer caminhos para a formação dos alunos. Os comunitários são voltados para os cuidados primários, por tanto veem sendo utilizados na área da saúde, como grupos de gestantes.

http://circulosaudavel.com.br/psicanalise-em-grupo-entenda-e-participe/

Grupos terapêuticos propõem um cunho de terapia em grupo, ao qual podem apresentar como os de autoajuda, ao quais os participantes enquadram-se em uma mesma categoria, adicto (obesos), reabilitados, problemas sexuais e entre outros. E os psicoterápicos, que podem estimular insights e propõem-se a cunho terapêutico, objetivando manutenção de estados psíquicos, adaptação nas inter-relações e/ ou remoção de sintomas.

Por tanto destaca-se a importância da modalidade grupal na atuação do psicólogo, através da interação em grupo podemos alcançar os resultados e objetivos do grupo, gerando também reflexão através da dinâmica grupal, que propicia aos participantes elaborar questões individuais, pois a “união faz a força”.

Referencias:

CAMPOS, R.H. F. (Org) et al. Psicologia Social Comunitária da Solidariedade à Autonomia. 2ª ed. Ed. Vozes, Petrópolis, RJ – 1998. GUARESCHI, P. Cap. Relações Comunitárias/ Relações de Dominação.

FARAH, A.B.A. Psicoterapia de grupo: reflexões sobre as mudanças no contato entre os membros do grupo durante o processo terapêutico. Revista IGT na Rede, v.6, nº. 11, 2009, Página 303 de 328.

Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs/ ISSN 1807 – 2526

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos Básicos das Grupoterapias. Porto Alegre – Artes Médicas Sul. 1993.

ZIMERMAN, D. E; Como trabalhamos com Grupos. Ponto Alegre: Artes Médicas. 1997.

Views All Time
Views All Time
1193
Views Today
Views Today
5

Comentários

comments