O Último Semestre: Os Sentimentos do Término da Faculdade

O Último Semestre: Os Sentimentos do Término da Faculdade

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“Sou livre quando amo o que faço. Sou livre quando aceito que o mais importante é a minha consciência. Sou livre quando sei que, na hora do fracasso é sempre tempo de começar outra vez. Sou livre quando sou capaz de amar o instante da vida que eu tenho nas mãos.” Juan Arias

A tão esperada conclusão, o fechamento de um ciclo que todos aguardam, os alunos, os familiares, os colegas e até mesmo os professores mais próximos torcem pela nossa formatura.

Os ciclos da vida são marcados por conclusões, desde pequenos somos motivados a comemorar tais realizações, com pequenas formaturas no pré-primário, no quinto e nono ano do ensino fundamental e no terceiro ano do ensino médio. E não seria diferente com a conclusão de uma faculdade, um ensino superior, todos esperando pelo dia da colação de grau onde os diplomas serão entregues e os chapeuzinhos voarão pelos ares do salão.

Para o aluno acredito que seja um mix de sensações, o alívio de finalmente terminar a maçante jornada de um graduando e a melancolia de ficar longe dos professores, das teorias preferidas, de alguns estágios, dos colegas e até mesmo da dinâmica de um campus.

Eu, prestes a finalizar cinco anos de faculdade de Psicologia, com a conclusão prevista para Novembro deste ano (daqui a quatro meses), já passei pelas duas sensações e hoje não consigo mais separá-las, é como se estivessem juntas, de mãos dadas.

Em certos momentos agradeço à vida por estar terminando, quem faz / fez o curso, especialmente na UNIP, sabe que três estágios obrigatórios com a tensão de reprovar por uma palavra “insatisfatório”, somados a correria com o TCC, mais duas matérias em sala, exercícios online obrigatórios e 200 longas horas de atividades complementares derrubam qualquer ser humano!

Os desafios são diários, nos estágios tudo é muito imprevisível, assim como na vida de um terapeuta seja ele em qual sistema estará inserido, um dia estaremos dispostos a ajudar, mas outros teremos dificuldades que limitam o nosso potencial. Existem dias onde as discussões com os pacientes são fluídas, fáceis, já outros o diálogo parece não sair.

Existem dias onde os supervisores conseguirão ouvir a todos os alunos e auxiliá-los em seus casos, mas outros dias serão tomados pelas incertezas, devido as dificuldades que esses profissionais também tem, principalmente em relação ao tamanho da turma noturna (cerca de 100 alunos, com 100 diferentes casos, que precisam de 100 supervisões individuais, em cerca de 2hs de aula).

E dias onde você vai querer dormir a cada minuto da aula, rezar a todos os santos, deuses e criaturas místicas que existem no mundo para manter seus olhos abertos ou para que o professor termine a aula antes do horário, que parece se arrastar no tempo.

Porém, não existe nada que pague aquele choro do paciente que no final da sessão é substituído por um “obrigado” e um sorriso, a cura evoluindo sessão a sessão, os ensinamentos que, mesmo nós sendo graduandos, podemos passar aos donos de instituições que em certos momentos parecem ter o coração de pedra, mas depois ficam tão interessados em nossos projetos que querem nos ver todos os dias.

“Porém, não existe nada que pague aquele choro do paciente que no final da sessão é substituído por um “obrigado” e um sorriso, a cura evoluindo sessão a sessão”

Não há nada que pague a atenção dada aquela pessoa que nunca sentiu-se ouvida na vida, que sentia-se sozinha com seus problemas, mas que agora pode lutar contra seus monstros e fazer com que os outros escutem sua voz. Nem ao olhar de agradecimento daquela criança que queria ser vista pelos pais, mas eles não podiam porque estavam muito ocupados em sua rotina de trabalho ou smartphones.  

É muito conhecimento adquirido durante cinco anos, e ainda há muito para estudar, existem muitas teorias que não são abordadas na graduação e teremos que busca-las por nós mesmos. É aquela questão: quem faz a faculdade é o aluno! Tem os que se limitam ao que é ensinado e lidam com as matérias “na média” ou até mesmo abaixo dela, e existem alunos que vão além do apresentado nas salas de aula, frequentando cursos, congressos, lendo, etc. e resultam em notas além do esperado.

Quem escolhe fazer uma faculdade porque ama aquilo que estuda tem dificuldade de trabalhar o luto do término, de dizer adeus a muitos professores excepcionais, dos primeiros pacientes, dos primeiros contatos com as áreas da profissão, entre muitas outras coisas que acontecem no decorrer dos semestres.

A questão é que não tem muito como explicar aqui como você pode lidar com esse sentimento de luto, apenas esperar para que ele passe por todos os estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Fica a cargo imaginação e da pretensão de cada um a reflexão para com as possibilidades futuras, o que deseja fazer após a sua formação. Mas isso é material de um outro texto aqui no Blog, passa lá 😉 http://mundodapsi.com/me-formei-e-agora/

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