O Que Sinto é a Danada da Depressão?

O Que Sinto é a Danada da Depressão?

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Vou ousar a dizer que este texto é sim para você, para sua vizinha, para seu chefe e para todos. Ele vai tratar de um assunto que rodeia a boca de “todo mundo”. As pessoas falam de depressão assim como falam pão. E então o real conceito de depressão passa a ser desvalorizado. Vamos discorrer então o que é a depressão da melhor maneira possível.

Quando pensei em escrever esse texto sem dúvida pensei em muitas variáveis que poderiam contradizer uma teoria com outra. Isso claro que me fez estar mais atento ao pensar de quem estou falando. Podemos começar falando a pior das partes para que depois o texto fique mais tranquilo, juro que ficará bem mais legal no decorrer das nossas discussões.

E então vamos falar da “DEPRESSÃO”, que muitas pessoas chamam de “ frescura”, “ Falta de trabalho”, “ sem-vergonhice”, “ falta de Deus”, “ pessoa mimada”, “ quem nunca sofreu na vida” ou até que é falta de “surra”. Bom, lição número um a ser repensada: as pessoas têm essa certa impressão ERRADA, pois acreditam que a pessoa fica em casa descansando. Mas acredite, ela preferiria ser tudo isso a SOFRER da maneira que ela sofre. A falta de trabalho e as diversas outras coisas que ela deixou de fazer não querem dizer que ela não queira fazer, mas sim que é um dos diversos sintomas que se manifestam neste quadro patológico.

Para que essa pessoa seja melhor entendida vou passar durante o texto explicando os diversos conceitos necessários, para que possamos sair do pensamento do senso comum (o que as pessoas acham e não é para uma visão mais humanizada e científica.

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A pessoa que se encontra em um quadro depressivo está passando por um sofrimento psíquico. Quando eu digo isso, eu quero dizer que diferente de quando estamos tristes, esse sentimento é intenso e duradouro, por exemplo, eu sofro porque meu cachorro morreu, mas eu consigo entender essa perda e continuar a viver a vida, posso então estar triste devido a morte de meu cão, mas a intensidade dessa tristeza é bem maior do que para a gente. Essa pessoa devido a um acontecimento ou vários, acaba se desorganizando comportamentalmente, cognitivamente ou até “mentalmente” e não tem condições ou energias para se recompor desse acontecimento, podemos chamar isso de episódio desencadeador de tal sofrimento psíquico.

Pessoas, uma tristeza pode ser uma emoção profunda e ter uma certa duração, mas isso não a torna patológica apenas por ser tristeza, ela pode ser um sofrimento psíquico, mas não necessariamente uma depressão. Se estamos tristes e podemos responder a essa tristeza nós estamos passando por sofrimento psíquico, que isso fique claro. Esse é dos marcos importante para diferenciar a patologia do sofrimento, uma eu consigo me reerguer e ter mesmo com apoio de um profissional uma adaptação e continuar a responder as coisas da vida. Outra bem diferente é quando a pessoa não tem a mínima condição de se organizar e de vivenciar outros benefícios que o mundo oferece. Enfim, com a morte de meu cão eu fico triste e passo pelo “luto”, tenho meus picos de raiva, negação, entre outros sentimentos, mas lembro que tenho um gato que precisa também de meus cuidados e que posso adotar outros cachorros que passam por vários apuros nas ruas. Em outros casos tenho alguém dentro de uma patologia que perdeu seu cão, fica acamada, não consegue ter visão de futuro e acaba passando a impressão que está apenas esperando a morte.

Outra confusão bem comum de se acontecer é as pessoas dizerem que quem tem depressão é “louco”. Vamos combinar que até o termo “loucura” está bem passado. Exemplo dessa grande confusão foi o dia em que eu estava no trem e ele estava lotado, duas melhores do meu lado começaram a conversar com minha presença no meio. O assunto era a amiga da igreja, disseram o seguinte, a amiga “A”:

– Você viu o que aconteceu com a “fulana”, ela endoideceu, está “loquinha!’

Amiga “B”:

– Isso ai é falta de ir à igreja, por isso ela ficou louca!

Amiga “A”

– é deve ser isso mesmo, agora ela não consegue mais levantar da cama, não come e nem consegue interagir quando alguém vai até a casa dela. Emagreceu e tudo mais, a médica dela disse que é depressão.

Amiga “B”:

– Coisa do demônio amiga, fica louca assim mesmo!

Não vou me aprofundar no discurso das duas amigas, mas fica evidente a confusão de conceitos e de relações de causas. Inferindo sobre o que fui ouvindo, eu ousaria dizer que se realmente essa “fulana que está dentro do quadro depressivo” não vai a igreja não seria porque ela não gosta de Deus, mas ela não vai, pois não consegue se levantar da cama e não vê as possibilidades de seu futuro, ela passa por um sofrimento que nós não conseguimos medir sem uma avaliação. O termo loucura usado mostra-se extremamente sem função, pois não existe ligação entre loucura e depressão.

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Falamos bastante do que não é depressão, seguiremos falando sobre o que é. Para o diagnóstico de depressão é necessário que seja feita uma avaliação médica, acreditem ou não, tem muitas pessoas que se autoavaliam ou encontram seus diagnósticos em livros de autoajuda. O profissional capacitado para realizar essa avaliação é o psiquiatra, é ele a pessoa ideal para ser procurada e dependendo do caso será administrado medicação ou encaminhado apenas para a psicoterapia.

O psiquiatra se pautará então no “Manual de Diagnósticos e Estatísticos dos Transtornos Mentais”( DSM) para a realização do diagnóstico e se posicionar. O diagnóstico não pode ser de maneira alguma um lugar para estacionar e acabar a conversa, ele é apenas um indicador da situação atual do paciente. O DSM delimita que para alguém estar dentro do quadro depressivo necessariamente deve-se conter 5 dos seguintes sintomas, que estejam persistindo a pelo menos 2 semanas e há mudanças na rotina e dia a dia da pessoa:

SINTOMAS:
Humor deprimido
Perda de prazeres
Descontrole do peso
Insônia/hipersônica
Agitação
Sensação de fadiga
Sentimento de culpa e ser inútil
Diminuição de capacidade de pensar ou se concentrar
Pensamentos de mortes

É daí que vem a importância do psiquiatra, não é somente ver esses sintomas e se colocar no quadro depressivo, eles são de tamanha complexidade que se dividem em graus e tipos diferentes de depressão.

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Independente da ordem do encaminhamento, a combinação entre os profissionais “psi” é de certa maneira essencial para que o cliente tenha boa aderência ao tratamento. Contamos hoje com uma variedade de atendimentos especializados para trabalhar com a saúde mental. Além dos serviços particulares, temos as UBS e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em que prestam atendimento multiprofissional e se empenham para atender o paciente da melhor maneira possível. Quando atuei em um CAPS pude perceber o quão importante é o trabalho, tanto clinico como grupal, facilitando na melhora desses pacientes.

Referencias:

American Psychiatric Association. (2002). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: texto revisado (DSM-IV-TR). Artmed.

FURTADO, O., BOCK, A. M. B., & TEIXEIRA, M. L. (1999). Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.