Estilos Parentais: O Papel dos Pais no Desenvolvimento Infantil

Estilos Parentais: O Papel dos Pais no Desenvolvimento Infantil

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Ao pensarmos no desenvolvimento infantil nos atentamos a principal referencia da criança, os pais. A eles é incutido o principal papel o de educar a criança, através de regras ou exemplos. Apesar de influencias externas como a escola, amigos, mídia e entre outros, os pais representam uma parte significativa no desenvolvimento de seus filhos. Por tanto cabe a você pai ou mãe, questionar-se…que tipo de pai/mãe eu sou?

Desde a década de 1930, cientistas têm se preocupado com questões como Qual a melhor forma de educar os filhos? e Quais são as consequências que podem ser provocadas no desenvolvimento das crianças educadas por diferentes modelos de pais? (Darling & Steinberg, 1993).

Baumrind (1966) partindo destes questionamentos realizou uma pesquisa com crianças em idade pré-escolar, com o objetivo de identificar comportamentos dos pais associados a comportamentos competentes dos filhos. Ao observar as crianças e os pais, constatou que se educadas por diferentes estilos de comportamento dos pais diferiam no grau de competência social. E a partir de suas pesquisas, Baumrind (1966) propôs um modelo de classificação dos pais com três protótipos de controle: autoritativo, autoritário e permissivo.

Estilo Autoritário: em que há uma tentativa de controlar e modelar, de forma rígida, as atitudes da criança. Estes pais valorizam uma obediência absoluta, recorrendo a medidas punitivas (verbais ou físicas) para que esta se comporte de acordo com a sua exigência. São frequentes as criticas ou ameaças à criança (“se não fazes os trabalhos, deixamos de gostar de ti”; “és um inútil, nem tirar boas notas consegues!”) (RIVERO, 2006).

Este estilo paterno apresenta escassez de afeto, altos graus de exigência, onde a criança vive uma constante cobrança e uma busca pela perfeição. A executa das tarefas é a bargalhada, “se você fizer direito eu vou continuar gostando de você” cujo a moeda de troca é o afeto.  Os pais criam altas expectativas em relação aos filhos, ao executarem tarefas, este modelo paterno pode propiciar aos filhos desenvolverem transtornos psicológicos, dificuldades de interação social e falta de autonomia. Pois frente a situações cotidianas, esperam executar tarefas em altos níveis de exigência e por encontrarem-se “controlados” apresentam dificuldades em tomar suas próprias decisões.

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Estilo Permissivo, em que os funcionam como recursos para os desejos das crianças, e não como modelos. Neste estilo existe a ausência de normas, não encorajando qualquer obediência. Há geralmente calor afectivo e comunicação positiva, sem exigências de maturidade. (MACCOBY & MARTIN, 2004).

De acordo com Maccoby & Martin (2004) este estilo pode ser divido em dois, como: indulgente, onde os pais atendem sempre aos pedidos das crianças e não são exigentes, quanto a regras ou deveres. E o negligente, os pais não se envolvem nas funções paternas, mantem apenas as necessidades básicas da criança.

Neste modelo trata-se de pais permissivos, que impõem a criança o mínimo de responsabilidades, permitem que as mesmas realizem as atividades que e quando desejarem. Satisfazendo-se com a execução das mesmas ou não, dando total liberdade para os filhos, instigando a autonomia. Porém podem formar crianças com dificuldades em executar e seguir regras sociais, propensos à delinquência e/ou inseguras, tendo em vista o segundo aspecto do modelo onde os pais satisfazem apenas as necessidades físicas dos filhos.

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Estilo participativo ou autoritativo, em que há o estabelecimento de normas e limites, num clima de calor afectivo. A comunicação é positiva e otimista. Estes pais adequam a sua atitude à especificidade da criança, no tocante à sua idade e motivações, fazendo exigências de maturidade concordantes com as capacidades e interesses da criança (RIVERO, 2006).

Este modelo parental estimula a autonomia, os pais fornecem a criança à opção de tomaram suas próprias escolhas, porém são paltadas de limites e regras no decorrer do desenvolvimento. Os pesquisadores indicam ser um dos melhores modelos a serem seguidos, pois ao tendem a formarem adultos autônomos e que sabem seguir regras.

O estudo do relacionamento pais-filhos por meio de estilos parentais tem sua relevância por evitar o risco de interpretações erradas a respeito de associações entre aspectos isolados da conduta dos pais e características dos filhos. Comportamentos específicos de pais como bater, podem trazer consequências para o desenvolvimento dos filhos; porém, enfocar qualquer destes comportamentos isoladamente pode levar a uma interpretação errônea (DARLING, 1999).

Logo vale ressaltar que não devemos focar em comportamentos isolados dos pais com seus filhos, para pré definirmos um estilo parental deve-se considerar todos os aspectos da relação pai/filho. E neste relacionamento considera-se como vital o equilíbrio, há momentos para que os pais exerçam a sua autoridade e a momentos para que permitam aos filhos escolherem, relacionamentos abertos e equilibrados facilitam o desenvolvimento das crianças e possivelmente formaram adultos que também saberão ponderar seus comportamentos em determinados momentos cotidianos.

Referências:

DARLING, N. (1999). Parenting style and its correlates. Parenting style and its correlates. ERIC/EECE Publications Digests. Retirado em 12/02/2002, do ERIC/ EECE no World Wide Web http://ericeece.org/pubs/digests.html Darling, N. & Steinberg, L. (1993).

DARLING, N. & STEINBERG, L. (1993). Parenting style as context: An integrative model. Psychological Bulletin, 113, 487-496. Dornbusch, S. M., Ritter, P. L., Leiderman,

MACCOBY, E. & MARTIN, J. (1983). Socialization in the context of the family: Parentchild interaction. Em E.M. Hetherington (Org.), Handbook of child psychology, v. 4. Socialization, personality, and social development (4ª ed., pp. 1-101).

RIVERO, C. Estilo Parentais – Diferentes Formas de Educar. Lisboa, 2006.

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