OS MOTIVOS QUE LEVAM AO SUICÍDIO: A AUTÓPSIA PSICOLÓGICA

OS MOTIVOS QUE LEVAM AO SUICÍDIO: A AUTÓPSIA PSICOLÓGICA

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Novas evidências do acidente do Airbus A320, da Germanwings, suscitam a possibilidade da ocorrência de um homicídio intencional. Especialistas definem homicídio intencional como ação deliberada, que supostamente o co-piloto teve de derrubar o avião. Muito se especula a respeito dos motivos; alguns dizem que o piloto era um suposto terrorista, outros de que isso foi um ato suicida, mas a verdade é que pouco sabemos a esse respeito. 

No texto abaixo vamos discutir um pouco a respeito da autopsia psicológica, uma ferramenta importante da psicologia utilizada para situações onde um suicídio ocorre.

A autópsia psicológica nasceu em Los Angeles (Estados Unidos) nos finais dos anos cinquenta, como resposta à necessidade administrativa de definir a etiologia médico-legal de mortes “duvidosas”, ou seja, nas que não havia suficientes elementos para afirmar se consistia de um suicídio ou de um acidente.

Em 1961 Shereidman e Farberow, junto com o centro de prevenção do suicídio de Los Angeles, acolheram o termino de “autópsia psicológica” para se referir ao procedimento ou técnica de pesquisa para classificar mortes confusas.

Atualmente a autópsia psicológica pode se definir como uma avaliação post mortem, que consiste em uma análise retrospectiva das condições psicológicas de uma pessoa antes de morrer. Em outras palavras, é um processo indireto de coleta e análise de informação, que tem por objetivo descrever e explicar o estado psicológico prévio ao falecimento da pessoa.

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Fonte: Blog Líbero

Segundo Ebert (1991), citado por Morales, os principais objetivos da autopsia psicológica são:

1. Determinar a maneira da morte em casos de equívocos que necessitam ser distinguidos. Sabendo que as maneiras de morte são:

  • natural
  • acidental
  • suicídio
  • homicídio

2. Descobrir o momento e tempo no qual se produz a morte, para isso, o pesquisador deve indagar sobre as diferentes situações da vida do falecido e tratar de relacioná-las com os fatos.

3. Obter informações suficientes para avaliar os dados obtidos de diversas tentativas de suicido, com o fim de criar estatísticas que ajudem a prever tais tentativas.

Segundo Ebert, possui um efeito terapêutico para a família e amigos do falecido, já que as entrevistas que são necessárias para realizar a autopsia, viram um mecanismo terapêutico, permitindo comunicar pensamentos e sentimentos sobre a pessoa falecida,

Como sabemos, a autopsia psicológica tem como função, ajudar a esclarecer os casos de mortes duvidosas: suicídio, homicídio e acidente, onde nem o médico legista, nem o policial tem suficientes elementos para decidir. Para isso utiliza as seguintes técnicas:

  • Valorar os fatores de risco suicida, de risco heteroagressivo ou de risco de acidentalidade.
  • Valorar o estilo de vida do falecido.
  • Avaliar o estado mental no momento da morte.
  • Estabelecer as áreas de conflito e motivaciones.
  • Desenhar o perfil de personalidade do falecido.
  • Esclarecer se existiam sinais de aviso pre suicida.
  • Esclarecer se existia um estado pre suicida.

autops

Faz parte da investigação criminal na autopsia psicológica o estabelecer o círculo de suspeitos nos homicídios de autor desconhecido, através da caraterização da vítima com seus conflitos, motivações e estilos de vida. 

CONHECIMENTO DO COMPORTAMENTO DA VÍTIMA ANTES DE MORRER E SUA RELAÇÃO COM AS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE OCORREU.

Como mencionei anteriormente, a avaliação que é feita na autopsia tenta detalhar o comportamento da vítima antes de morrer, seu estilo de vida, os eventos estressantes, suas motivações, e as situações ou pessoas que puderam ter contribuído ao decesso.

Suicídio

 Fonte: Maestro de Ouro

Adicionalmente, a autopsia psicológica permite avaliar se a vítima estava consciente da decisão que tomava respeito a sua morte. As avaliações psicológicas em estes casos, identificam os fatores precipitantes e desencadeantes que possivelmente influenciaram nas decisões que tomou a vítima a respeito da forma e o momento em que tirou sua vida.  A avaliação pretende compreender o porquê a pessoa cometeu o suicídio e porquê desse jeito.

Contribuições no contexto clínico-epidemiológico:

Neste contexto se realizam análises de grande escala das características das vítimas e das circunstâncias da morte. Este processo contribui na descoberta de padrões de conduta e situações comuns nas pessoas que optam pelo suicídio. Nestes casos, os interesses das avaliações reconstrutivas se centram em identificar os fatores de risco com alto poder de predição do suicídio em populações específicas. O conhecimento dos fatores de risco do suicídio no contexto clinico, por exemplo, permite identificar pessoas e grupos com altas probabilidade de tomar a decisão de se suicidar, prevendo assim, futuros suicídios, tratando a quem este em risco. 

Contribuições no contexto forense:

Neste contexto a autopsia psicológica se realiza com o fim de apresentar uma opinião experta respeito ao comportamento da vitima,  constituindo-se uma fonte de informação importante. Nestes processos se procuram finalidades variadas, como a determinação e reconhecimento público da responsabilidade, indemnizações e prevenção de eventos similares.

Quando possivelmente há responsabilidade de outras pessoas:

No suicido não há dúvida de que a vítima foi a causante do decesso, no entanto, é possível que outras pessoas pudessem ter contribuído direta ou indiretamente em sua decisão de tirar-se a vida. Uns dos casos frequentes de atribuição de responsabilidade são as denúncias de má pratica professional.

 

Homicídio

o potiFonte: O Potiguar

Identificar possíveis suspeitos:

Quando o modo de morte é homicídio e o autor é desconhecido, a autopsia psicológica pode ser útil para estabelecer o círculo de suspeitos. A caraterização da vítima mediante a avaliação reconstrutiva ajuda a identificar às pessoas próximas, assim como o tipo de relação que tinham, os possíveis inimigos, o círculo de amizades, o tipo de atividades de seus conhecidos, etc.

Tipificação do delito:

A autopsia psicológica também tem se utilizado para determinar qual era o estado psicológico e jurídico da vítima, e como isso, aportar informação para tipificar e qualificar o delito.

 

Bibliografia

  1. MORALES, L. A. (2005). “La Autopsia Psicológica”. Manual de Psicología Forense. En: España  ISBN: 0  ed.: Biblioteca Nueva.

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