Metas de Início de Ano x Distorções Cognitivas

Metas de Início de Ano x Distorções Cognitivas

275
Compartilhe

Quanto maior for a crença em seus objetivos, mais depressa você os conquistará. (Maxwell Maltz)            

FELIZ 2018

Mais um ano chega, e provavelmente as famosas metas de início do ano passa cabeça, seja aquele regime, a matricula da academia, uma nova área profissional, enfim, são inúmeros os objetivos que são pensados e até traçados entre o fim e começo de ano. No entanto, o que separa a aquisição dos planejamentos iniciais?

Importante salientar aqui, que o objetivo deste texto não é o aprofundamento das metas ou dicas de como as realizar, mas de como as percepções entre fantasia e realidade prejudicam os caminhos para o cumprimento destas.

Bom, é sabido que você que está lendo este texto deve ser um leitor ativo e assíduo do blog Mundo da Psicologia, e também já deve ter uma noção básica do que são distorções cognitivas, não é mesmo? Ah, mas caso seja o seu primeiro texto aqui na página, será realizada uma explanação básica para melhor compreensão da temática.

O que são Distorções Cognitivas?

O modelo cognitivo parte do pressuposto que os pensamentos influenciam de maneira significativa as emoções e comportamentos, isto dado a ocorrência de algum evento. Estas percepções não ocorrem do nada, mas sim das experiências que cada um teve no decorrer do desenvolvimento, o que chamamos de crença. Tudo o que é internalizado em termos de ensinamentos, observações e modelos, e desta forma, os conceitos se tornam rígidos e inflexíveis sobre uma visão negativa de si mesmo, dos outros e do mundo. Ou seja, pensamentos automáticos disfuncionais dão origem as distorções cognitivas, que por sua vez são más interpretações da realidade, interpretações errôneas dos acontecimentos, e aí já viu, né?

A seguir serão apresentados alguns erros de pensamentos, e prioritariamente de que forma estes prejudicam os planejamentos em termos de metas para o inicio e decorrer do ano.

Metas de Início de Ano x Distorções Cognitivas

Planos, metas e objetivos, se esse início de ano fez com que refletisse sobre possíveis aquisições, o pensamento mais apurado em relação ao fator prejudicial nesse processo, possibilitará melhor compreensão sobre essas limitações. Pensar de maneira distorcida e minhas metas de início de ano estão em harmonia?

Vejam alguns exemplos:

Filtro Mental

Conceito: Você chega a conclusões após manter o foco nos detalhes negativos, desconsiderando pontos positivos.

Exemplo: “Não tenho vergonha na cara, só eu que não consegui parar de fumar, sou uma pessoa horrível.”

Vejam aqui que a meta é parar de fumar, mas neste caso o que está sendo considerado? Quais pensamentos estão reforçando essa crença?

Pensamento Dicotômico

Conceito: Você vê apenas duas categorias para pessoas ou situações; são totalmente boas ou ruins, tudo ou nada.

Exemplo: “Deu tudo errado nessa dieta, não sirvo para isso.”

Vejam a meta é perder peso, porém em qual momento está sendo considerado os pontos intermediários. Há justiça nesse padrão de pensamento?

Leitura Mental

Conceito: Você supõe saber o que as outras pessoas estão pensando ou sentindo, sem considerar outras possibilidades.

Exemplos: “Ela não me dará uma promoção na empresa, deve pensar que sou muito novo e não darei conta.”

Vejam que a meta neste caso é galgar uma promoção profissional, no entanto houve suposições em relação aos pensamentos da chefe. Será que se pode presumir com tanta veracidade o que o outro está pensando? Qual a melhor forma de descobrir isso?

 Rotulação

Conceito: Você atribui um julgamento ou rótulo negativo a você mesmo, aos outros e as situações, sem olhar para todos os fatos.

Exemplo: “Não adianta tentar, sou muito feio para conseguir uma namorada.”

Vejam a meta é conseguir uma namorada, só que o julgamento moral está bem presente no discurso. Será que é válido permanecer livres de julgamentos? Quais as vantagens deste pensamento?

Personalização  

Conceito: Quando algo ruim acontece, você assume a culpa por isso, mesmo quando culpa não é sua.

Exemplo: “Sou o responsável por não conseguir comprar uma casa, trago azar para minha vida.

Vejam que a meta é comprar uma casa, todavia considerar um fator como preponderante é tão benéfico assim? Equilibrar responsabilidades nos eventos podem ser favoráveis para compreensão do ocorrido?

Catastrofização

Conceito: Você pensa que não haverá esperança em seu futuro e que será repleto de catástrofes, sem considerar outros resultados possíveis.

Exemplo: “Perdi a prova do vestibular, desse jeito nunca terei uma profissão.”

Vejam que a meta primordial neste evento é entrar na universidade, entretanto quais as possibilidades estão sendo consideradas? Realmente tudo é tão terrível assim?

Enfim, as distorces cognitivas são inúmeras, no entanto foram listadas somente algumas parta exemplificar de que forma os planejamentos são iniciados em consonância com o padrão e funcionalidade dos pensamentos em relação as metas e objetivos para o decorrer do ano.

Vale a pena a reflexão mais íntima em detrimentos aos eventos que podem ocorrer no dia a dia e avaliar o próprio modelo cognitivo. Questionar os pensamentos e os confrontar pode trazer inúmeros benefícios e melhores aquisições pessoais.

Feliz 2018 e sucesso em suas metas!

Referência Bibliográfica

WOOD, J. C distorções cognitivas e respostas alternativas. Oakland: New Harbinger (2010)

Views All Time
Views All Time
1885
Views Today
Views Today
1

Comentários

comments

Compartilhe
AnteriorComo Fomos em 2017?
PróximoPensamento de Morte e Ideação Suicida: Um Alerta ao Suicídio
Psicólogo clínico, graduado pela Universidade Cruzeiro do Sul, atuante na abordagem Cognitivo Comportamental, sendo esta minha paixão. Mantendo uma página no facebook intitulada @EryelPsi, sendo esta destinada a compartilhar conhecimento a cerca da terapia cognitivo comportamental, bem como assuntos pertinentes a sociedade contemporânea e suas ramificações. Trabalhei por 6 anos em uma Organização Social, com crianças e adolescentes, com projetos que visam a construção da cidadania, convivência e fortalecimento de vínculos. Sou aspirante a pesquisador em comportamentos, neuropsicologia, intervenções psicoterapêuticas, habilidades sociais e psicopatologias, ingressei na área através do congresso 23º Encontro de Serviços-Escola de Psicologia em 2016, sediado pela PUC-SP. Tenho afinidade em temas advindos da Psicologia Social, bem como sociedade contemporânea e relações humanas. Colunista do Blog “Mundo da Psicologia”, com imenso prazer na leitura e escrita, a fim de ampliar e propagar conhecimentos.