O Melhor Amigo do Homem: A Terapia Assistida por Animais

O Melhor Amigo do Homem: A Terapia Assistida por Animais

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Quando crianças o que mais almejamos é ter um bichinho de estimação, pedimos constantemente: “Mãe, quero um cachorrinho” e “Pai olha aquele gatinho, vamos leva-lo pra casa”. As crianças atraem-se e almejam ter animais diferenciados como: cachorros, gatos, hamster, coelhos, furão e entre outros. Pois o que realmente buscamos nestes animais é o companheirismo, nesta relação os animais deixam de assumir o papel de animais e passam a apresentar significados para nós, uma vez que ao adquirirmos um bichinho, na verdade ganhamos um “amigo”.

Segundo Dotti (2014) esta relação surgiu desde os primórdios da origem humano seus instintos sempre estiveram vinculados à natureza animal. Na época dos homens primitivos os animais eram identificados pelas necessidades básicas como comer, vestir e simbolizavam poder/status de acordo com a quantidade de animais.

Com a proximidade das espécies, a convivência e o vinculo, dissociou-se da função de satisfazer as necessidades e passou assumir o papel simbólico. Muito do que passamos, sentimos e almejamos é projetado no animal. Por isto muitos sentem o animal como parte da família e muitas vezes passam atribuir a ele o papel de humano, companheiro, amigo e família.

“Esse interesse que o homem sempre sentiu pelo animal, considerando-o como materialização de seus próprios complexos psíquicos e simbólicos, é hoje em dia muito visível na popularidade dos animais de estimação que são adotados, mais do que simplesmente criados” (DOTTI, 2014).

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A partir deste contato com os animais, percebeu-se que a convivência pode ser benéfica, eles transmitem conforto, acolhimento, alegria e entre outros. Possibilitam que o individuo passe a pensar e a sentir seguro/querido. Uma vez que o animal proporciona carinho e um carinho sincero, independente da pessoa, sem qualquer predileção, um contato sem julgamentos. Partindo da bagagem benéfica que a relação homem/animal proporciona a ambos, surgiu a AAA (Atividade Assistida por Animais) e TAA (Terapia Assistida por Animais).

De acordo com Dotti (2014) o AAA (Atividade Assistida por Animais) envolve a visitação, recreação e distração por meio do contato dos animais com as pessoas. Não há necessidade de uma programação ou sequencia nos encontros. São realizados por profissionais treinados e/ou condutores de animais que realizam vistas de aproximadamente uma hora, semanalmente, sem um objetivo pré-estabelecido, sem histórico ou perfil dos pacientes. O objetivo geral é a melhoria da qualidade de vida, trata-se de uma atividade que possui potencial para desenvolver-se para uma TAA (Terapia Assistida por Animais).

TAA (Terapia Assistida por Animais) envolve serviços profissionais da área medica e outras, que utilizam o animal como parte do trabalho e do tratamento. Tem o acompanhamento do proprietário ou condutor, tem objetivos claros e dirigidos, com critérios estabelecidos, dos quais o animal é parte integrante do tratamento |(DOTTI, 2014).

Segundo Dotti (2014) trata-se de um processo terapêutico formal, com metodologia, desenvolvimento pré- estabelecido, documentado e cujo os resultados são mensurados. E pode ocorrer em grupo e/ou individualmente.

São utilizados todos os tipos de animais que possam entrar em contato com os humanos sem oferecer-lhes perigo como: gato, coelho, tartaruga, chinchila, hamster, peixe, furão, pássaro e até mesmos animais exóticos como a iguana. O principal animal utilizado é o cão, pois apresenta uma natural afeição pelas pessoas, é facilmente adestrado e capaz de criar respostas positivas ao toque, possuindo grande aceitação por parte das pessoas (KAWAKAMI & NAKAMO, 2002).

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A TAA foi utilizada intuitivamente por William Tuke, em 1792, no tratamento de doentes mentais. A equoterapia, uma modalidade TAA, teve seus primeiros relatos como tratamento médico no século XVIII, com o objetivo de melhorar o controle postural, a coordenação e o equilíbrio de pacientes com distúrbios articulares (PAUW, 1984).

De acordo com Juliano et al (2007) no Brasil originou-se com a médica veterinária e psicóloga Hannelore Fuchs que coordena um projeto de TAA em São Paulo atualmente, nomeado como “Pet Smile” e fundadora da Abrazoo (Associação Brasileira de Zooterapia). Ela conta com o auxilio de voluntários que atuam com a interação dos animais (cães, gatos, coelhos) com crianças e adolescentes de hospitais ou instituições.

TAA (Terapia Assistida por Animais) apresenta resultados curto/longo prazo, pois desenvolve aspectos psicológicos e físicos como: diminuição da solidão e da depressão; diminuindo a ansiedade, os efeitos do sistema nervoso sintático, aumentando o estímulo para a prática de exercícios, desenvolvimento psicomotor e sensorial, no tratamento de distúrbios físicos, mentais e emocionais, em programas destinados a melhorar a capacidade de socialização e/ou na recuperação da autoestima.

Os recursos da TAA podem ser direcionados a pessoas de diferentes faixas etárias, instituições penais, hospitais, casas de saúde, escolas e clínicas de recuperação. É fundamental o trabalho de uma equipe multidisciplinar capaz de escolher o método mais adequado a ser aplicado, acompanhando as atividades e o bem estar dos animais e dos pacientes, que irá refletir no benefício real da qualidade de vida dos mesmos (SAN JOAQUÍN, 2002).

Um exemplo do trabalho realizado com animais é a equoterapia que utiliza a similaridade entre o ritmo do movimento do animal e do ser humano de forma que permite, durante a cavalgada, o fortalecimento da musculatura de pacientes com habilidade limitada de funções motoras comuns em casos de paralisia cerebral, esclerose múltipla e traumatismos cerebrais.

Logo podemos ressaltar a importância da atuação em conjunto dos profissionais com os animais, que o contato entre humanos e animais é a porta para a qualidade de vida, e porque não dizer? Que é um dos caminhos para uma vida saudável. Que através desta relação, do que pode parecer apenas um toque, uma lambida e/ou um afago. Esta na verdade carregado com carinho e acolhimento, é que esta bagagem trás aos seres humanos alívios/melhorias psicológicas e físicas. E quem poderia imaginar que aquele bichinho da infância poderia ajudar a alcançar a “cura” e sem fazer muito… utilizando apenas como instrumento o amor que já faz parte de sua essência.

Referencias

DOTTI, J. Terapia & Animais. Ed. Livrus, São Paulo – 2014.

JULIANO, R.S., JAYME, V.D.S., FIORAVANTI, M.C.S., PAULO, N.M., ATHAYDE, I.B. Terapia Assistida por Animais (TAA): Uma Prática Multidisciplinar para o Benefício da Saúde Humana. Acessado em 23 de Outubro de 2015 às 12h12min.

Link de acesso: http://www.vet.ufg.br/Bioetica/Arquivos%20PDF/Terapia%20assistida%20%por%20animais.pdf.

KAWAKAMI, C.H; NAKANO, C.K. Relato de experiência: terapia assistida por animais (TAA) – mais um recurso na comunicação entre paciente e enfermeiro. An. 8. Simp. Bras. Comun. Enferm. May. 2002.

MACHADO, J.A.C  et al. Terapia Assistida por Animais (TAA). Rev.  Científica Eletônica de Medicina Veterinária – ISSN: 1679-7353. Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestrais.

PAUW, K. Therapeutic horseback riding in Europe and America. In: ANDERSON, R.K. The Pet Connection: Its Influence on Our Health and Daily Life. Hart LA ed. Minneapolis: Center to Study Human-Animal Relationships and Environments, p.141-153, 1984.

SAN JOAQUÍN, M.P.Z. Terapia asistida por animales de conpañia. Bienestar para el ser humano. Temas de Hoy, p.143-149, 2002.

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