Medicalização no ambiente escolar

Medicalização no ambiente escolar

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Chegou a loucura do fim de ano. Provas Finais. Correria para bater as metas do trabalho, procurar um novo emprego, ir atrás de uma boa escola para os filhos, enfim. Nos últimos meses do ano precisamos nos transformar em uma máquina com bateria infinita.

Nesse contexto você se depara com um mal estar tremendo.

-Droga! Bem agora que eu tenho mil coisas para fazer?!

Você vai ao Pronto Socorro e ele diz o quê? Que é estresse! Poxa vida, estresse? Bem que poderia ser uma virose para eu tomar um remedinho e passar logo né?

Essa cultura de cidade grande a qual não nos permite parar, nos transforma em seres movidos pelo imediatismo. Isto, porém, deve ser refletido ao falar sobre a medicalização na educação.

 

Pra começar, vamos problematizar

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Fonte: revistaescola.abril.com.br

A medicalização pode mascarar problemas sérios transformando-os em patológicos. A atualidade tende a reduzir tudo que é social e politico a problema orgânico, pois, muitas vezes, é mais fácil lidar com problema de cunho médico que buscar o método de educação ideal para determinada criança.

 

Porquê Político e Social?

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Fonte: medicalizacao.org.br

 

Progressão continuada

O sistema educacional das escolas publicas tem como base a progressão continuada que pressupõe que o aluno consegue obter conhecimento e competência em um período maior que em um ano. Assim, não prevê reprovação e sim aulas de reforços escolares.

Essa postura educacional faz com que estudantes com dificuldades de aprendizagem avancem um período sem que consigam acompanhar a próxima série. Causando então, desmotivação, baixo senso de auto-eficácia e impossibilidade de acompanhar o restante da sala.

 

A pressão Social

Nossa sociedade estabelece com a ideologia vigente o conceito de certo e errado, bom e mau, inteligente e doente. Tendo em vista este contexto, vemos pais temerosos por fazer os filhos terem um espaço na sociedade, um futuro certo e melhor que o deles próprios.

A criança, então, passa a ter tarefas o dia todo;

Escola, almoço, inglês, natação e vôlei. No dia seguinte, ballet, karatê e uma segunda língua estrangeira, afinal, é importante na sociedade em que vivemos.

O aluno passa a perder a condição da infância, podendo brincar, ficar disperso e até mesmo dormir durante a aula.

 

O fracasso escolar sugerindo a Patologização

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Fonte: redebrasilatual.com.br

 

Disfunções Neurológicas

Estamos vendo o ‘mau comportamento’, o ‘desinteresse’ e a ‘dificuldade de aprendizagem’ como doença orgânica (biológica, do organismo). Esquecendo-nos que o ser humano é biopsicossocial (visto das dimensões biológicas, psicológicas e sociais).

 

Top 3 das doenças mais diagnosticadas

. TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

.  Dislexia

.  Distúrbios de Aprendizagem

 

Ao olhar os critérios estabelecidos pelo DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), observamos que a prevalência de tais doenças é menor que o diagnóstico em questão.

 

Atenção escola:

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Fonte: envolverde.com.br

 

A escola tem um papel importante não só na formação acadêmica, mas também no desenvolvimento pessoal da criança. Tendo em vista isto, deve-se tomar cuidado para não rotular o aluno dentro da sala de aula não os normatizando.

 

Efeitos da Estigmatização

– Prejuízo da autoestima

– Introjeção da doença

– Auto conceito ruim

– Desmotivação

 

A desatenção, a agressividade e a falta de interesse não são passiveis de diagnósticos que induzem a medicalização.

É importante trabalhar o problema social e não transforma-lo em individual, assim devemos nos atentar a olhar para o problema e amenizá-lo de todas as formas.

Não podemos fechar nos olhos para os diagnósticos corretos. Doenças como o TDAH existem. E não devemos banaliza-lá transformando qualquer comportamento suspeito em produto da mesma.

 

Fontes:

LUENGO, FC. A vigilância punitiva: a postura dos educadores no processo de patologização e medicalização da infância. São Paulo: Editora UNESP;  Cultura Acadêmica, 2010. Disponível em  <http://static.scielo.org/scielobooks/sw26r/pdf/luengo-9788579830877.pdf>

Forúm sobre medicalização da educação e da sociedade. Disponível em <http://medicalizacao.org.br/sugestao-de-leitura/>

PASTURA, G.; MATTOS, P.; ARAÚJO, A. P. Q. C.  ‘Prevalência do Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade e suas comorbidades em uma amostra de escolares’ Arquivos de Neuropsiquiatria 2007. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/anp/v65n4a/a33v654a.pdf>

OLIVEIRA, C. ‘Medicalização: troca de carinho e atenção por remédios e tratamentos’ Rede Brasil Atual, Julho de 2013. Disponível em <http://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2013/07/medicalizacao-da-sociedade-e-da-educacao-e-tema-de-seminario-internacional-em-sao-paulo-7474.html>

SAWAYA, S. M. ‘Alfabetização e fracasso escolar : problematizando alguns pressupostos da concepção construtivista’ Educação e Pesquisa, Junho de 2000. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/ep/v26n1/a05v26n1.pdf>

MOYSÉS, Maria Aparecida. A  e COLLARES, Cecília A . L. Sobre alguns preconceitos no cotidiano escolar. In: Idéias 19, FDE – Fundação para o desenvolvimento da Educação. São Paulo, 1993. p. 9-25

Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade. http://www.crpsp.org.br/medicalizacao/manifesto_forum.aspx

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