O Lado Negro da Força: A Sombra em Anakin Skywalker (Star Wars)

O Lado Negro da Força: A Sombra em Anakin Skywalker (Star Wars)

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“O lado negro da Força é o caminho para muitas habilidades que alguns consideram ser… Antinatural.” (Senador Palpatine).

Uma das grandes bilheterias mundiais e com grande seguidores em todo o mundo é que Star Wars, a grande franquia de George Lucas, vem conquistando cada vez mais fãs sendo uma das sagas mais conhecidas atualmente e que em muito contribui para o entendimento do universo da Psicologia, dentre tantos o da Psicologia Junguiana proposta por Carl G. Jung.

Ao observamos o enredo como um todo podemos encontrar ricos personagens que nos auxiliam a vivermos, de forma projetiva e identificatória, partes de nossa personalidade e dentre eles uma figura central nos chama atenção: Darth Vader.

Nascido como Anakin Skywalker, gerado pela força sendo um importante cavaleiro Jedi na República Galáctica, o mesmo é corrompido pelo sombrio que o faz “enterrar” a personalidade antiga dando origem a uma nova, sendo o equivalente oposto de tudo que um dia havia sido contrariando as expectativas de todos, inclusive de si próprio quando criança.

Ao se tornar aquilo que mais negava e o diverso de tudo que um dia acreditou ele nos incita a pensar sobre o que de fato permeou essa mudança. Seriam os anos de escravidão em Tatooine? Seria a perda de sua mãe  Shmi Skywalker? Ou seria ainda o fato de esconder seu relacionamento com Padmé?

Ambas as situações são decisivas ao pensarmos sobre a sua condição, mas algo maior deve ser levada em consideração nessa análise: SUA SOMBRA.

Segundo Carl Jung, a SOMBRA, é um conceito importante de sua teoria relacionada ao inconsciente pessoal e sendo a forma de personificação de alguns aspectos inconscientes de nossa personalidade.

A mesma corresponde “aquele algo a esconder,” que a humanidade traz dentro de si, não sendo de maneira alguma negativa ou positiva, mas sim  possuindo traços que nos auxiliam em nosso crescimento, e que pela cultura ocidental é vista de forma a colaborar para o “mal” visto que a mesma, na maioria dos casos, é contrária ao que se é tido como aceitável.

“De um modo geral, a sombra possui uma qualidade imoral ou, pelo menos, pouco recomendável, contendo caraterísticas da natureza de uma pessoa que são contrárias aos costumes e convenções morais da sociedade. A sombra é o lado inconsciente das operações intencionais, voluntárias e defensivas do ego.” (Stein, Murray. O mapa da alma, pg 98).

Anakin ao ter o potencial para se tornar um Jedi poderoso, também trouxe em si o germe para ser um grande Lord Sith, visto que ambas as possibilidades estavam dentro dele, assim como ocorre em todas as pessoas.

Interessante é notar que ao deixar que sua sombra viesse à tona, mesmo que por uma possessão, Skywalker traz à possibilidade de uma nova organização a ordem Jedi, produz uma nova configuração a aquilo que estava estabelecido anteriormente e arremata a profecia que o cercava da forma menos esperada, nos mostrando que a força conhece seus meios de agir.

É exatamente por deixar o lado obscuro vir à tona e ser suscetível ao mesmo que a escolha por ser ele a pessoa trazer o equilíbrio é de grande sabedoria, atrelando – se a ideia de Jung de que: O homem que não atravessa o inferno de suas paixões também não as supera.

Alguém que não sucumbe e não olha para o seu pior lado e não aprende com o mesmo está fadado ao eterno fracasso, é nesse sentido que Darth Vader é a grande solução para uma força abandonada e que precisava se reerguer, ele é a origem da possibilidade do bem se destacar, mesmo que para isso o mal tenha que existir.

“Tenciono agora fazer o jogo da vida, ser receptivo a tudo que me chegar, bom e mal, sol e sombra alternando-se eternamente; e, desta forma, aceitar também minha própria natureza, com seus aspectos positivos e negativos…”.  Carl Jung.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. ed. Nova fronteira.2008.pg.447

STEIN, Murray. O Mapa da Alma- Uma Introdução.ed. Brasil: Cultrix. 2000. pg. 216

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Graduanda em Psicologia pela FSP- Faculdade Sudoeste Paulista, apaixonada por religião e afins, vidrada na saga Star Wars, amante de séries e literatura brasileira. Nas horas vagas toca piano e arranha no violão, além de tentar verse leva algum talento na escrita. Ah, possui grande afinidade pelas ideias de Carl G. Jung, desde o primeiro momento em que ouviu sobre as mesmas se tornando, ele, o dono de seu coração. Teve um flerte com Freud, algo de um semestre, mas permanece firme com o primeiro amor.