Uso de Jogos Eletrônicos na Clínica Infantil

Uso de Jogos Eletrônicos na Clínica Infantil

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Girl and boy playing video game

Com o avanço tecnológico, pode-se lançar mão de recursos tecnológicos em consultório, principalmente no que diz respeito à terapia infantil. Atualmente, encontram-se estes recursos na terapia cognitivo-comportamental (TCC) com o objetivo de acessar esquemas cognitivos, emocionais e comportamentais de crianças com maior facilidade, visando motivar e aumentar a probabilidade de memorização da sessão e a generalização dos conceitos aprendidos.

Estudos focadas nas pesquisas com jogos, sejam eles comerciais ou específicos para terapia, indicam que pacientes são mais colaborativos e motivados; diminui-se o estigma de ir à terapia; a relação com o terapeuta pode-se tornar mais próxima e eficiente; crianças aumentaram suas habilidades de resolução de problemas; os sintomas do transtorno das crianças tendem a melhorar com a mediação com o computador.

Os jogos se constituem como um instrumento interessante para a psicoterapia, pois são criados com o propósito de entreter e oferecem ao jogador um mundo alternativo e seguro em que é possível explorar e refletir as próprias deficiências e habilidades. Observa-se também que os jogos possibilitam às crianças falarem sobre o que sentem e pensam, de forma que são capazes de utilizar metáforas de seus próprios processos ao jogar durante a psicoterapia. Isso acaba permitindo que aumente as interações sociais, a autoestima e o autocontrole do paciente.

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Outro aspecto que vale ser ressaltado são crianças que vivem em situações sociais ditas como complexas. O ambiente do jogo, por vezes, pode propiciar a esses pacientes certa distância da realidade, dando-lhes segurança para que atuem e ensaiem questões importantes de suas vidas.

A seguir são apresentados alguns jogos baseados na abordagem cognitiva-comportamental. A maioria ainda está em desenvolvimento, aperfeiçoamento e validação.

  • Friends For Life Game

É um aplicativo para aparelhos móveis desenvolvido em 2013. Abrange conteúdo para crianças que participam do Friends for Life (11 anos de idade) e do Fun Friends (4 a 6 anos de idade). Constitui-se de diferentes jogos, cada um com um objetivo diferente. Ele vem sendo utilizado no Brasil com um modelo teórico para a prevenção/intervenção precoce da ansiedade e depressão, abordando a cognição, o aspecto fisiológico e os processos de aprendizagem. Pode ser acessado no site www.pathwayshrc.com.au, www.amigosparaavida.com.br, www.amigosbrasil.com.br e www.adaptadamente.com.br.

  • Eathquake in Zipland – Therapy Game for Children of Divorce

O principio desse jogo é o uso do humor. Foi desenvolvido por Chaya Harash em 2005 para auxiliar crianças entre 09 e 12 anos a lidar com o estresse da separação dos pais, além de raiva, culpa, conflitos de lealdade, conflito, vergonha, abandono, não aceitação, falsas esperanças, medo de mudança e outros efeitos que possam a se apresentar. O mesmo foi desenvolvido em forma de Quest, pois exige um alto nível de pensamento criativo a alta tolerância para a falta de clareza e incerteza.

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  • Brave Online

É um programa de intervenção online assistida por terapeutas voltado para o tratamento do Transtorno de Ansiedade de Separação (TASe), Transtorno de Ansiedade Social (TAS), Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e fobia específica em crianças e adolescentes. É disponível uma versão para crianças entre 7 e 12 anos contendo 16 sessões e outra para adolescentes contendo 20 sessões. Inclui-se também cerca de 6 sessões com os pais. O mesmo foi desenvolvido pela equipe de Spence, na Austrália. Seu foco é oferecer estratégias de gerenciamento da ansiedade e a identificação das respostas fisiológicas relacionadas. Inclui também relaxamento, resolução de problemas, reestruturação cognitiva e exposição gradual, com autorreforço positivo.

  • Ricky and The Spider

O jogo foi desenvolvido por Brezinka, no Departamento de Psiquiatria Infantil e Adolescente da Universidade de Zurique. Foi elaborado para o tratamento do TOC em crianças com idade entre 6 e 12 anos. Baseia-se na psicoeducação, externalização, exposição e prevenção de respostas. São disponibilizados materiais complementares no site www.rickyandthespider.uzh.ch como tarefa para a criança com TOC.

  • Rage Control

Foi desenvolvido por Jason Kahn e por José Gonzales-Heydrich do Boston Children’s Hospital. O mesmo é indicado para crianças com problemas de controle da raiva. O jogo consiste em atirar em naves inimigas, contudo a criança utiliza um sensor no dedo (para biofeedback) que controla a frequência cardíaca e a exibe na tela do computador. Quando a frequência cardíaca não é controlada, perde-se a capacidade de disparar contra as naves inimigas. Dessa forma, para poder jogar de modo adequado é necessário que a criança mantenha a calma.

Referências

Gallina, L. M. O uso de videogames na clínica psicoterápica: revisão de literatura. SBC Proceedings of SBGames. XI SBGames, Brasilia, 2012.

Rossi, M. L. Recursos tecnológicos em terapia cognitivo-comportamental com crianças. In: Federação Brasileira de Terapias Cognitivas; Neufeld, C. B.; Falcone, E. & Rangé, B. (Orgs). PROCOGNITIVA Programa de Atualização em Terapia Cognitivo-Comportamental: Ciclo 1. Porto Alegre: Artmed Panamericana.

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