Integrando o indivíduo na sociedade por meio da educação

Integrando o indivíduo na sociedade por meio da educação

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O conhecimento histórico nos leva a compreensão de que a prática pedagógica sempre esteve influenciada e reforçada pela cultura dominante.

Nas civilizações orientais, a preocupação com a educação estava voltada à questão do sagrado, dessa forma eram oferecidas regras de conduta e orientação baseadas nos princípios da religião objetivando preservar os costumes. Na Grécia clássica, a razão é reconhecida, o divino dá lugar ao humano, nasce o cidadão. No entanto, tanto na pedagogia grega quanto, posteriormente na romana, a atividade intelectual era restrita às elites.

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“A Escola de Atenas” (1509-1510), de Rafael Sanzio

No Brasil colônia, a educação não era prioridade para o colonizador, mas sim para os jesuítas, eles se empenhavam na atividade pedagógica o que facilitava a dominação da metrópole. No processo de “educação” dos índios era evidente a diferença entre os valores dos nativos e os valores dos colonizadores. Num primeiro momento, os filhos dos índios e os filhos dos colonos eram instruídos juntos.

Posteriormente, eles eram separados e a formação tornava-se distinta, os primeiros recebiam uma educação elementar com a finalidade de tornarem-se dóceis para o trabalho; já a educação do segundo grupo ia além da educação elementar, destinava-se a formação humanista, filosófica e teológica. Novamente, prevalecem os objetivos dos dominantes, o governo português reconhece que a educação é importante como meio de submissão e de domínio político (ARANHA, 1989).

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Quadro representando os jesuítas na catequização dos índios.

Fonte: MundoEducação

Cada sociedade comporta um tipo de educação (DURKEIM, s.n.) e, na medida em que educação e sociedade estão intimamente relacionados, o primeiro acaba por satisfazer as necessidades do segundo.

No Brasil, a ampliação da escolarização e as reformas realizadas no sistema educacional deram à maioria da população o acesso a níveis de ensino antes destinados apenas a uma minoria. O poder público então, dispondo de pouco tempo, teve que incorporar todos a um sistema que não havia sido pensado no conjunto da sociedade, tratando-os igualmente esquecendo as diferenças. Nesse processo, tornou-se evidente a existência das desigualdades e a questão da identidade foi colocada em “xeque”. Além do conhecimento escolar ser distribuído de maneira desigual, está seguindo a lógica neoliberal, segundo constata Neto:

“(…) o conhecimento escolar – e, de resto, a própria escolarização – deixa de ser entendido como um elemento socializador e como um direito social e passa a ser entendido como uma mercadoria a ser adquirida.”

A mídia teve e tem papel significativo nesse contexto, já que aparece para administrar a vida do indivíduo, regular sua maneira de agir e o que pensar, além de intervir diretamente na educação e nos procedimentos e encaminhamentos dados pelos professores. Esse discurso todo está amparado na fala de especialistas em educação que criam representações para reforçar relações de dominação ou de exclusão. Nesse sentido, o binômio maioria-minoria (ROSO; STREY; GUARESCHI; BUENO, 2002) pode ser empregado para o entendimento do processo que envolve o indivíduo que exclui e o que é excluído.

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Fonte: Inverso Contraditório

Na medida em que é necessário romper com tudo que fortalece as injustiças sociais e que o grande desafio é integrar o indivíduo na sociedade por meio do reconhecimento e valorização da diversidade e da construção de uma identidade coletiva; o objetivo da prática pedagógica não é transformar o outro em igual, mas dar subsídios para que um atue ao lado do outro, criando oportunidades enriquecedoras por meio do convívio com as diferenças. Como sugere Candau e Moreira (2003): (…) A escola, (…) passa a ser então concebida como um espaço de cruzamento, conflitos e diálogos entre diferentes culturas.

 

 Referências Bibliográficas:

ARANHA, Maria L. de A. História da Educação – 1ª ed. – São Paulo: Moderna, 1989.

DURKHEIM, E. Educação e Sociologia . 5 ed. – São Paulo: Melhoramentos.[s.n. 19–].

MOREIRA, A. F. B. & CANDAU, V. M. Educação escolar e cultura(s): construindo caminhos. Rev. Bras. Educ., Ago 2003, n.23, p.156-168. ISSN 1413-2478. Disponível em: htt://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-247820030002000012&1ng=pt&nrm=isso. Acesso: 10/05/2007.

NETO, A. V. Cultura e currículo. Contrapontos, Jan.Abr 2002, V. 2, n.4, p.43-51. Disponível em: http://200.169.57.157/asp/system/empty.asp?P=2669&VID=default&SID=881034676780777&S=1&A=closeall&C=26493. Acesso em 06/04/2007

ROSO, A. et al. Cultura e ideologia: a mídia revelando estereótipos raciais de gênero. Psicol. Soc., Dez 2002, vol.14, no.2, p.74-94. ISSN 0102-7182. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822002000200005&lng=pt&nrm=iso.  Acesso: 10/05/2007

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