A Importância da Conduta Humanizada Diante das Deficiências

A Importância da Conduta Humanizada Diante das Deficiências

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Fonte: Aprender Livre

A humanização na área da saúde entrou em discussão no “Movimento da Reforma Sanitária”, ocorrido nos anos 70 e 80 do século XX, quando se iniciaram os questionamentos acerca do modelo assistencial vigente na saúde, centrado no médico. Este modelo era muito especializado, focando na doença e não a promoção da saúde.

Em 2001, foi elaborado o “Programa Nacional de Humanização” da Assistência Hospitalar do Ministério da Saúde, no qual, busca estender o conceito de humanização para toda a instituição hospitalar, através da implantação de uma “cultura organizacional” diferenciada que visa obter uma conduta profissional mais empática.

A humanização em saúde pode ser definida como “o resgate do respeito à vida humana”, levando–se em conta as circunstâncias sociais, psíquicas e emocionais presentes em todo relacionamento. Ao se falar do momento do diagnóstico de uma deficiência acredita–se que a humanização torna–se importante, pois estudos apontam que a atitude do profissional frente à família pode amenizar o choque causado pela notícia, além de influenciar as atitudes familiares posteriores frente ao indivíduo com deficiência.

Para que isso ocorra de forma satisfatória é de extrema importância que a equipe estabeleça um vínculo terapêutico com o paciente e família, pois o estabelecimento deste vínculo pressupõe a aproximação para a compreensão da pessoa enferma e uma empatia mínima entre as partes envolvidas, para que o paciente passe da situação de “caso”” para a de “pessoa”. Resultando em uma relação e atendimento mais personalizado, menos objetado e mais humanizado.

“A vinculação é uma tarefa nobre e não um jogo de sedução para perpetuar a necessidade de lisonja do profissional. A vinculação é um compromisso, uma manobra bem intencionada, calculada, sem ser fria, movida basicamente pela intuição e pelo sentimento do profissional” (Benetton, 2002 p.77).

Através do vínculo terapêutico, é possível da equipe entender a necessidade a ser suprida e acolhida, pois cada família reage de uma forma perante à deficiência. Algumas passam por período de crise aguda e recuperam–se gradativamente, outras apresentam mais dificuldades e acabam estabelecendo uma situação crônica de desequilíbrio – Essas duas situações têm em comum o processo de luto (SCHWARTZMAN, 1999).

fases-do-luto

A relação dos pais com a equipe responsável pelo tratamento, geralmente, é permeada por diversos sentimentos, tais como: insegurança em relação à competência da equipe e inibição para o questionamento acerca do que é realizado com a criança, isto ocorre pela crença que a cura do filho depende somente do que é proposto (FIUMI, 2003). Portanto, após o diagnóstico, a família deve entrar em contato com profissionais de várias áreas para sanar eventuais dúvidas não esclarecidas no momento diagnóstico, visto o elevado número de informações transmitidas na ocasião e a impossibilidade de assimilação total.

O descobrimento da deficiência de um filho, tanto no seu nascimento quanto crescimento, representa o fim do sonho de criar um ser perfeito e requer que os pais façam o luto da criança idealizada durante o período de gestação para assim, aceitar esta criança com suas reais potencialidades. Sentimentos como incapacidade, choque, tristeza, confusão, ambigüidade, culpa, medo, raiva, lamentação, auto-piedade e frustração são esperados da família, já que seu núcleo encontra–se debilitado e vulnerável (FINNIE, 1980).

A vivência das fases de luto é importante para que a família se reestabeleça e se adapte à nova realidade, modificando hábitos e situações cotidianas para o melhor acolhimento dessa criança. Por essa razão é importante orientar essa família, além de acolher, no momento da notícia, sobre as próximas etapas a serem realizadas com a criança: exames, instituições especializadas a serem procuradas e os tipos de tratamentos necessários (SCHWARTZMAN, 1999).

O nascimento ou a descoberta da deficiência de um filho abala a estrutura familiar estabelecida anteriormente, acredita-se que a forma de comunicação do diagnóstico influencie a reação dos familiares a esta informação e posterior adaptação dos pais à mesma (FIUMI, 2003; FINNIE, 1980). A comunicação adequada pode ainda favorecer o estabelecimento do vínculo dos pais com a criança (SCHWARTZMAN, 1999).

A formação técnico–científica aliada à humanização dos profissionais de saúde pode favorecer o atendimento e a comunicação de um diagnóstico. A mecanização, falta de preparo profissional e o grande número de atendimentos realizados por profissional no sistema público de saúde dificultam a interação médico–paciente/familiares, impedindo muitas vezes a melhor compreensão do processo da doença, fatores associados e cuidados negligenciados.

Fonte: frases! Administradores
Fonte: frases! Administradores

Dessa forma, a ausência desse vínculo estabelecido entre profissional da saúde e familiares, no caso do diagnóstico das deficiências influenciará as atitudes familiares posteriores frente ao indivíduo com deficiência, sua interação com a família e adaptações.

REFERÊNCIAS

BENETTON, L. G. Temas de psicologia em saúde: a relação profissional-paciente. 2. ed. São Paulo: L. G. Benetton, 2002. 335 p.

FINNIE, N. A. O manuseio em casa da criança com paralisia cerebral. São Paulo: Manole, 1980.

FIUMI, A. Orientação familiar: o profissional fisioterapeuta segundo percepção das mães de crianças portadoras de paralisia cerebral. São Paulo, 2003. 127p. Dissertação (Mestrado em Distúrbios do Desenvolvimento) — Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2003.

SCHWARTZMAN, J. S.; TORRE, C. A.; BRUNONI, D.; SCHWARTZMAN, F.; SCHWARTZMAN, M.L.C.; VÍTOLO, M. R.; MILLS, N. D.; CASARIN, S.; GUSMAN, S. Síndrome de Down. São Paulo: Mackenzie, 1999. 324P.

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