Coping: Medida de Enfrentamento de Familiares de Pacientes com Câncer

[PARTE II] Coping: Medida de Enfrentamento de Familiares de Pacientes com Câncer

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Resultados e Discussão:

1) Conhecimento do diagnóstico pelo paciente, suas informações e recursos:

A. Grupo de familiares que relataram que o parente adoecido possui conhecimento do diagnóstico:

B. Grupo de familiares que relataram que o parente adoecido não possui conhecimento do diagnóstico:

  • Os familiares adoecidos utilizam-se da religião e suporte familiar como medidas de enfrentamento.

2) Enfrentamento do diagnóstico pelo familiar:

  • Sentimentos: Sentimentos de tristeza, preocupação, impotência, revolta e medo.
  • Pensamentos: Pensamentos positivos, impotência diante da doença, sofrimento, antecipação da perda do ente, crença frente à cura da doença, e pensamentos em relação a experiências anteriores frente a antecedentes mórbidos de câncer de outros familiares; apenas um entrevistado optou por não referir seus pensamentos. Os pensamentos negativos referidos pelos familiares foram fuga de pensamento frente à doença.
  • Medidas de enfrentamento do diagnóstico: Fé, orações, terapia, religião, fuga de pensamento frente à doença, e o incentivo para a melhora do familiar adoecido.

3) Enfrentamento frente ao tratamento da doença:

  • Presença de recursos de enfrentamento: Pensamentos positivos; Confiança frente ao tratamento; Crença; Fé.
  • Frágeis recursos de enfrentamento: Sentimento de impotência frente ao tratamento; Medo do sofrimento do familiar adoecido.
Fonte: Tyent Brasil

4) Enfrentamento frente ao prognóstico da doença:

Os participantes foram subdivididos em três grupos:

A. Prognóstico reservado (ruim): 

B. Prognóstico favorável (bom): 

C. Não possui informação sobre o diagnóstico:

  • Presença diária com o parente adoecido, proporcionando rede de apoio ao mesmo, este dado sugere que essa rede de apoio pode contribuir para o enfrentamento do prognóstico dos familiares e pacientes.

5) Antecedentes mórbidos familiares (Câncer):

  • A maioria respondeu que já possuíram mais de um antecedente mórbido familiar de câncer.
  • Estes dados corroboram para o enfrentamento da doença, o qual pode interferir tanto positivamente, quanto negativamente os recursos de enfrentamento dos respectivos familiares.

6) Mudanças da dinâmica familiar:

  • Quatro participantes responderam que houve mudança na dinâmica familiar.
  • Apenas uma participante respondeu que não houve mudança na dinâmica familiar.
  • Podemos dizer que a doença de um membro da família sempre irá provocar uma mudança na dinâmica familiar, ainda que mínima.

7) Mudanças no dia-a-dia:

  • Acompanhamento domiciliar;
  • Idas frequentes ao médico;
  • Cuidados especiais, como por exemplo, ficar perto do familiar a maior parte do tempo, cuidar da alimentação e higiene;
  • Afastamento do trabalho; e
  • Limitações de atividades sociais e de lazer.
Fonte: Biosom

8) Formação religiosa e sua influencia no adoecimento/tratamento:

  • A maioria afirmou que houve interferência, responderam que a formação e os preceitos religiosos ajudaram positivamente nos recursos de enfrentamento.
  • A presença da formação religiosa corrobora para o processo de enfrentamento da doença, agindo positivamente frente ao processo.

9) Enfrentamento da hospitalização / Revezamento familiar na hospitalização:

Não foi levantado na pesquisa realizada, pois nenhum dos familiares adoecidos encontrava-se hospitalizado no momento, não havendo informações suficientes para o levantamento de dados acerca da hospitalização.

Segue a referência de um artigo (recomendo a leitura) publicado também ano passado, referente ao mesmo tema deste trabalho, porém com familiares de pacientes com câncer no contexto hospitalar: Fetsch, C.F.M.; Portella, M.P.; Kirchner, R.M.; Gomes, J.S.; Benetti, E.R.; & Stumm E.M.F. (2016) Estratégias de coping entre familiares de pacientes oncológicos. Revista Brasileira de Cancerologia; 61(1): 17-25.

Considerações Finais:

  • Importância dos estudos como compreensão de estratégias de enfrentamento destes familiares, ressaltando a significância da utilização do Coping.
  • Poucos estudos voltados especialmente no enfrentamento de familiares de pacientes oncológicos, havendo apenas uma gama de estudos referente unicamente aos próprios pacientes.
  • Na maioria das revisões de literatura utilizadas nesta pesquisa não são pesquisas voltadas à área da Psicologia, sendo a grande maioria responsável pelos estudos publicados, especificamente a área de Enfermagem.
  • A atual pesquisa é de extrema importância, pois poderá servir de auxílio para demais pesquisas referentes ao tema e incentivar os pesquisadores ao aumento da gama de trabalhos e pesquisas voltadas aos psicólogos-pesquisadores e às demais áreas.
  • É imprescindível que haja mais estudos na área da saúde, principalmente voltados à área de Psicologia referente ao coping de familiares, que estejam presentes no processo de adoecimento dos pacientes oncológicos, pois é de extrema magnitude frente ao processo de adoecimento e tratamento do paciente.
  • Deve-se salientar a importância da atuação dos Serviços de Psicologia dos hospitais para que sejam reforçados os atendimentos e acompanhamentos não só dos pacientes, como também os familiares.

Referências (citadas no blog):

Antoniazzi, A. S., Dell’Aglio, D. D., & Bandeira, D. R. (1998). O conceito de coping: uma revisão teórica. Universidad Federal do Rio Grande do Norte.

Carvalho, V. A. & Veit, M. T. (2008). Psico-oncologia: Definições e Área de Atuação. In. CARVALHO, V. A. et al. (Org.). Temas em psico-oncologia., p. 15-19. São Paulo: Summus

Folkman, S. (1984). Personal control and stress and coping processes: A theoretical analysis.Journal of Personality and Social Psychology, 46, 839-852. Nova Yorque, Springer

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Para referir este artigo (Blog): Santos, F. F. (2017). Coping: Medida de Enfrentamento de Familiares de Pacientes com Câncer. In. Mundo da Psicologia, Internet. Disponível em <http://mundodapsi.com/coping-medida-de-enfrentamento-de-familiares-de-pacientes-com-cancer/> 2017.

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Para referir o trabalho original: Santos, F.F. (2016). Coping: Medida de enfrentamento de familiares de pacientes com câncer. USJT – Universidade São Judas Tadeu, Curso de Psicologia, Trabalho de Conclusão de Curso.

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