Ideias que Mudaram Nossa Forma de Pensar: Treinamento de Pais

Ideias que Mudaram Nossa Forma de Pensar: Treinamento de Pais

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É sabido que a família é o primeiro e mais importante contexto interpessoal e social durante o desenvolvimento humano. Os pais atuam como agentes de socialização de seus filhos ao mesmo tempo em que se utilizam de estratégias e técnicas que orientem os comportamentos das crianças, o que é chamado de prática educativa parental. Muitos pais não recebem a preparação adequada para educar seus filhos, além daquela que receberam de seus próprios pais e de sua experiência de vida, o que faz com que grande parte dessa aprendizagem ocorra através de ensaio e erro.

Estas práticas educativas devem promover o desenvolvimento da autoestima, autonomia e de habilidades sociais. É possível afirmar que os pais que estabelecem regras e as fazem serem cumpridas, que auxiliam na aquisição de responsabilidades gradativamente, que facilitam o diálogo ao ouvir a criança e demonstram afetividade possuem maiores chances de ensinar a seus filhos a serem responsáveis, comunicativos e autoconfiantes ao mesmo tempo em que estão prevenindo condutas impulsivas, agressivas ou inibidas.

Contudo, pode-se dizer que uma relação pouco afetuosa em que se utilizam práticas disciplinares coercitivas ou inconsistentes e possuem uma supervisão inadequada de comportamentos estão relacionadas ao aumento do risco de a criança apresentar problemas comportamentais e emocionais relevantes.

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É possível apontar diversos modelos de práticas parentais. Existem famílias que podem ser consideradas tão disfuncionais que os pais não conseguem exercer seu papel de educadores de seus filhos. Essas famílias podem ser consideradas como negligentes, com pouca ou nenhuma autoridade ou envolvimento com a criança.

Alguns pais acreditam que devem disciplinar seus filhos de modo severo, pois se não o fizerem assim, a criança não irá aprender valores sociais sancionados pela comunidade em que estão inseridos. Esse é o chamado modo “antigo” ou autoritário.

Existe uma outra forma também, chamado indulgente ou “laissez faire”, em que a atitude dos pais é “liberal” e os mesmos acabam negligenciando a necessidade de monitorar o comportamento dos filhos.

O modelo democrático-recíproco ou eficiente se pauta na disciplina enquanto construção de uma base mútua de confiança em que os pais adotam um estilo contratual. Assim, normas e regras são explicadas e negociadas com os filhos em forma de acordos. Observa-se que este seria o modelo mais positivo para o desenvolvimento da criança, contudo é o menos utilizado, uma vez que exige maior preparo e disposição dos pais e educadores.

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O treinamento de pais surge a partir da demanda de problemas comportamentais e emocionais de crianças e adolescentes. O mesmo parte da premissa de que a falta de habilidades parentais é (em parte) responsável pelo desenvolvimento e/ou manutenção de interações familiares (e até mesmo sociais) perturbadoras e influência no comportamento dos filhos.

Este treinamento pode ser aplicado com diversos objetivos, mas o mais recorrente é para problemas explícitos de comportamento, tais como, birras, agressões e desobediência excessiva. Busca-se transformar os pais em “terapeutas comportamentais” de seus filhos, transformando-os em mediadores dos comportamentos inadequados que a criança apresenta. Nota-se que muitos dos comportamentos que as crianças mantêm estão relacionados com os déficits de habilidades sociais dos pais para manejar os comportamentos de seus filhos.

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Alguns programas de treinamento incluem didaticamente fundamentos da análise do comportamento aplicada, pois quaisquer modificações efetivas e duradouras de comportamento da criança necessitam de mudanças prévias na forma como os pais e/ou educadores a tratam. Busca-se que os pais motivem os filhos a serem assertivos através de técnicas de incentivo, de atenção ao bom desempenho e da retirada de atenção quando a criança não se comportar da forma combinada.

Um programa também muito utilizado é o treinamento com foco em Habilidades Sociais Educativas (HSE). Um de seus objetivos é incluir conjunto de habilidades sociais do pais aplicado à prática educativa dos filhos em que deve envolver o diálogo, expressão espontânea de sentimentos positivos e negativos, cumprimento de promessas e coerência dos pais quanto à educação dos filhos.

Em suma, os programas de treinamento de pais cumprem o papel de ensinar e aprimorar as habilidades sociais, educativas e parentais com estratégias de intervenção que aumentem a probabilidade de prevenir problemas comportamentais futuros, além de habilitar pais, educadores, cuidadores e responsáveis a serem assertivos e efetivos na educação de crianças.

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REFERÊNCIAS

COELHO, Marilia Velasco; MURTA, Sheila Giardini. Treinamento de pais em grupo: um relato de experiência. Estud. psicol. (Campinas),  Campinas ,  v. 24, n. 3, p. 333-341, Set.  2007 . 

FERNANDES, Luan Flávia Barufi et al . Efeitos de um programa de orientação em grupo para cuidadores de crianças com transtornos psiquiátricos. Estud. psicol. (Campinas),  Campinas ,  v. 26, n. 2, p. 147-158, jun.  2009 . 

PINHEIRO, Maria Isabel Santos et al . Treinamento de habilidades sociais educativas para pais de crianças com problemas de comportamento. Psicol. Reflex. Crit.,  Porto Alegre ,  v. 19, n. 3, p. 407-414,   2006 .  

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