Psicólogo Hospitalar Frente à Pacientes com Alteração no Estado da Consciência

Psicólogo Hospitalar Frente à Pacientes com Alteração no Estado da Consciência

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Resumo: No hospital geral, assim como toda equipe de saúde, o psicólogo hospitalar tem que estar preparado para todos os tipos de demandas e situações advindas do paciente, seja ela na emergência, no pronto-socorro, UTI, leitos de internação, seja onde for. Um dos grandes desafios como psicólogo hospitalar saber como lidar nestas devidas situações.

No hospital geral é comum o psicólogo se deparar com pacientes com alteração patológica no estado da consciência, no qual podem ser de vários tipos e ocasionados por causa orgânica, ou seja, própria doença, ou por conta dos medicamentos (como por exemplo, morfina), pós-cirúrgico, ou até mesmo pacientes psiquiátricos que dão entrada via Pronto-Socorro.

Neste artigo irei explicar quais são os tipos de alterações no estado da consciência, as causas e como o psicólogo lida com essa situação.

Palavras-Chave: Psicólogo Hospitalar; Hospital; Pacientes; Alteração no Estado da Consciência.

Na semiologia do campo da consciência, a “consciência” possui três definições diferentes: Neuropsicológica; Psicológica; Ético-filosófica. Neste artigo usarei como base a definição Psicológica.                                                                      

Definição psicológica – soma total das experiências conscientes de um indivíduo em um determinado momento. É a dimensão subjetiva da atividade psíquica do sujeito que se volta para a realidade. Na relação do eu com o meio ambiente, a consciência é a capacidade de o indivíduo entrar em contato com a realidade, perceber e conhecer os seus objetos

Para compreendermos melhor como o Psicólogo Hospitalar pode atuar quando há um paciente com alteração patológica na consciência, precisamos entender cada alteração, para podermos identificar melhor cada demanda, sem antes tomar decisões ou hipóteses precipitadas.

Tipos de alterações patológicas no estado da consciência:

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Fonte: noticiasnaturais.com

 1) Alterações Quantitativas da Consciência:

  • Obnubilação (ou turvação da consciência)

Refere-se à alteração de grau leve ou moderada do estado da consciência. O paciente não tem percepção da tal alteração, com lentidão do pensamento, da marcha, com dificuldades de interação, podendo ter alterações psíquicas e comportamentais de irritabilidade, sonolência, fadiga, etc.

Paciente pode estar em Obnubilação por conta dos medicamentos, intoxicação medicamentosa, uso de drogas, álcool (famoso bêbado), ou até mesmo em pré-operatório.

O psicólogo no momento do atendimento deve estar atento ao comportamento do paciente e levantar dados sobre o histórico de vida e de como veio parar no hospital. Também é importante olhar no prontuário e perguntar para o médico ou enfermeiros sobre o estado do paciente.

  • Sopor

Sopor é um estado de marcante turvação da consciência no qual o indivíduo pode apenas ser desperto por um estímulo energético de natureza dolorosa. O paciente em estado de sopor se apresenta evidentemente sonolento, embora ainda possa apresentar reações de defesa, é incapaz de qualquer ação espontânea.

Nessa situação, o psicólogo não há possibilidades de intervenções com o paciente até que ele tenha melhoras em seu quadro, neste caso, o psicólogo pode ter como segmento, um atendimento com um familiar ou com o acompanhante do paciente.

  • Coma

Coma é o estado mais profundo de rebaixamento do nível de consciência, onde nesse estado, não é possível qualquer atividade voluntária consciente.

Assim como no Sopor, o psicólogo não consegue fazer uma intervenção com o paciente até que ele tenha melhoras em seu quadro, neste caso, o psicólogo pode ter como segmento, um atendimento com um familiar ou com o acompanhante do paciente, dando também o devido suporte e apoio ao mesmo enquanto o paciente estiver internado.

2) Síndromes psicopatológicas associadas ao rebaixamento do nível da consciência

  • Delirium

Delirium é considerado como uma síndrome confusional aguda. É denominado como um rebaixamento do nível de consciência que pode ser de leve a moderado, acompanhado de desorientação temporoespacial, ansiedade, angústia, agitação ou lentificação psicomotora, ilusões e/ou alucinações visuais, ocorre com maior intensidade no período da noite.

IMPORTANTE: NÃO CONFUNDIR Delirium com Delírio. (Delirium é uma alteração do nível da consciência, e Delírio é uma alteração do juízo.)

Delirium origina-se de causas orgânicas, podendo ser causado por doenças com prognósticos reservado, pacientes com muita dor, por medicamentos, como por exemplo, uso excessivo de morfina¹, pós-operatório, pacientes internados na UTI (onde ocorre grande parte dos quadros de delirium).

O Psicólogo deve estar atento ao quadro do paciente, levantando informações no prontuário, com a equipe de saúde, ao fazer uma avaliação psicológica do paciente, levantar aspectos do quadro clínico, levantar dados de até onde o paciente sabe do seu atual estado, jamais duvidar frente ao paciente em relação às suas alucinações/ilusões, e também dar o devido suporte aos familiares deste paciente, enquanto o paciente estiver internado.

¹Morfina: Pertence ao grupo dos opióides, os receptores opioides são importantes na regulação normal da sensação da dor. O uso deste medicamento é destinado à pacientes com dor crônica (pós operativa ou principalmente usado em pacientes oncológicos), dor aguda (traumas, ou até mesmo em partos) e também é utilizado em anestesia geral, acompanhado com o gás anestésico.

  • Estado onírico “Viver um sonho acordado”

Este estado é semelhante a um sonho muito vívido. Alucinação visual intensa com caráter cênico: cenas complexas, ricas em detalhes. Às vezes exprime sentimento de angústia, temor, pavor. O paciente apresenta manifestações psíquicas e comportamentais de agitação, gritos, se debate na cama, tem sudorese profusa. Há geralmente uma amnésia consecutiva ao período em que o doente permanece em estado onírico.

Essa alteração ocorre por conta de intoxicação, síndrome de abstinência de drogas (especialmente no delirium tremens), e quadros febris tóxico-infecciosos.

Muitos pacientes psiquiátricos, pacientes com uso excessivo de drogas ou abstinência, ou até mesmo com quadros febris tóxico-infecciosos dão entrada pela emergência do Pronto-Socorro, que na maioria das vezes vão para UTI, nestes dois setores o psicólogo hospitalar vai se deparar com essas demandas e com este estado de rebaixamento da consciência. Psicólogo deve procurar levantar o histórico do paciente e de sua moléstia, famoso (Histórico Pregresso da Molestia Atual – HPMA), se o paciente não estiver contactuante², o psicólogo deve procurar fazer uma avaliação psicológica do familiar e depois fazer um suporte ao mesmo se possível.

²Contactuante: Aquele indivíduo que responde ao estimulo oferecido.

3) Alterações Qualitativas da Consciência:

Alterações qualitativas da consciência são consideradas como uma alteração parcial ou focal do campo da consciência. Uma parte do campo da consciência está alterada e outra não. Quase sempre há também uma diminuição do nível de consciência.

  • Estados crepusculares

Estreitamento transitório do campo da consciência com a conservação da atividade psicomotora global, podendo apresentar atos automáticos. Surge e desaparece de modo abrupto, duram de poucas horas a algumas semanas. Em geral, ocorrem atos explosivos violentos e episódios de descontrole emocional. Quadros histéricos agudos, epilepsias, intoxicações, uso de drogas, podem causar alteração da consciência em estados crepusculares.

O psicólogo deve estar atento às manifestações psíquicas e comportamentais do paciente, analisando e avaliando também o estado psicológico geral.

  • Dissociação da consciência (estado segundo)

É quando o paciente “apaga” seu grau de consciência. Na psicanálise, a dissociação da consciência está ligado à alguns quadros histéricos e neuróticos, como um mecanismo de defesa para negação da realidade.

(Pesquisar mais e dizer do psicólogo)

  • Transe

Semelhante ao sonho acordado.  Atividade motora automática e estereotipada com suspensão parcial dos movimentos voluntários. Maioria das vezes é induzido por outra pessoa. É um estado dissociativo da consciência relacionado a conflitos pessoais e transtornos psicopatológicos.

É muito raro ocorrer no contexto hospitalar, o psicólogo deve avaliar o paciente nesta situação.

  • Experiência Quase-Morte (EQM)

Este processo é dado quando há uma perda da consciência, parecido com ‘estar morto’, porém sem decreto de morte cerebral. Com isso, o paciente tem sensação de estar fora do corpo, de ‘ver a luz branca’, sensações de visões, alguns pacientes relataram ver de fora do corpo os médicos fazendo cirurgia nele mesmo, conversar com algum ente querido já falecido, entre outros.

Há uma discussão enorme no campo da psicologia, neuropsicologia, da medicina e de conceitos de crenças religiosas. A função do psicólogo neste caso é RESPEITAR o que o paciente relata, e JAMAIS interferir segundo suas crenças como pessoa ou profissional, deixando-o expressar livremente sem julgá-lo e interferir.

Conclusão: É um desafio e tanto para o psicólogo hospitalar perceber e compreender demandas de pacientes juntamente com determinadas alterações na consciência. Muitos psicólogos de primeira viagem ou até mesmo estagiários/aprimorandos, quando se deparam com esse tipo de demanda não sabem o que fazer e muitas vezes se sentem mal, principalmente quando o paciente não é receptivo ao atendimento. Nos resta pararmos para refletir e ter o conhecimento que sempre fazemos nosso melhor, e que com o tempo, você começa a perceber melhor as demandas.

Espero que tenham gostado deste artigo, é um tema específico, porém presente todos os dias no contexto hospitalar, seja lá qual setor ou área você estiver.

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Para referir este artigo: Santos, F. F. (2015). Psicólogo Hospitalar Frente à Pacientes com Alteração no Estado da Consciência. In. Mundo da Psicologia, Internet. Disponível em <http://mundodapsi.com/hospitalar-pacientes-alteracao-estado-consciencia> 2015.

Referências:

Morfina. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: <pt.wikipedia.org/wiki/Morfina>, recuperado em 04 de Maio de 2015

Dalgalarrondo, P. (2008). A Consciência e Suas Alterações. In Dalgalarondo, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. (p. 88-101) 2 ed. Porto Alegre: Artmed

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