Hipnose Para Medos e Traumas – Método Eficaz?

Hipnose Para Medos e Traumas – Método Eficaz?

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A hipnose é um método um tanto quanto polêmico no universo da Psicologia, por quê? Existem psicólogos que utilizam técnicas da hipnose, e/ou se baseiam em seus princípios para a realização de seus atendimentos, porém existem outros que não acreditam em sua eficácia, preferindo distanciar-se do método.

Para facilitar nossa entrada neste contexto, vamos conversar sobre o que é a hipnose. Segundo o dicionário, hipnose é um estado semelhante ao sono gerado por um processo de indução, no qual o indivíduo fica suscetível á sugestão do hipnotizador; ou seja, é quando alguém, com ajuda da voz ou de um pêndulo, coloca outro indivíduo em estado de consciência periférica reduzida. Quando a hipnose é voltada para o tratamento terapêutico denomina-se hipnoterapia.

Algumas técnicas da hipnose eram utilizadas desde a época do Egito Antigo e foram ganhando força através das gerações. Esse método ganhou maior visibilidade quando Sigmund Freud começou a utiliza-lo para tratar sua paciente com histeria, no filme “Freud Além da Alma” (disponível completo no YouTube) essa utilização é bem ilustrada, ele conseguia leva-la ao passado, como um regresso, para obter memórias reprimidas. Ele acreditava que desta forma poderia compreender as raízes da patologia e, assim, cura-la.

Porém, Freud acabou por abandonar o método porque a hipnose dura um determinado tempo, mas não é permanente e, desta forma, os sintomas reapareceriam. Ele então focou seus estudos ao desenvolvimento da Psicanálise, onde faz com que o paciente se dê conta da causa dos sintomas, tornando o inconsciente consciente, e assim realizando uma cura duradoura.

Milton Erickson foi um dos hipnoterapeutas mais influentes do pós-guerra, ele popularizou um novo tipo de hipnoterapia, a hipnose ericksoniana, que caracteriza-se por sugestão indireta, ou seja, utilização de analogias no lugar de uma indução clássica.

Enquanto a hipnose clássica apresenta-se mais autoritária e direta (frase de exemplo: “você vai parar de fumar”), muitas vezes encontrando resistência do paciente, a forma conduzida por Erickson apresenta-se mais permissiva e indireta (frase de exemplo: “você pode se tornar um não fumante”). Esta última dá ao paciente a oportunidade de aceitar sugestões com as quais se sentirá mais confortável em realizar o trabalho, possibilitando progresso em seu próprio ritmo e consciência dos benefícios.

Existem estudos e hipnólogos que trabalham incansavelmente visando a cura de medos e traumas em seus pacientes (por exemplo, o medo de animais – aranhas, baratas, etc.), aplicando suas técnicas e, muitas vezes, vendo resultados positivos. Porém ainda existe muito preconceito para com a hipnose provavelmente devido a apresentações fantasiosas sobre fazer com que o paciente imite um pássaro ou usa-lo para fazer coisas “sem muito sentido”.

Devemos pensar que a hipnose é um método que visa a melhoria da qualidade de vida do paciente e não um método para ser amostrado de forma a entreter um público.

Algumas pessoas que passaram pelo processo hipnótico dizem que este fez efeito e transformou suas vidas, porém algumas não sentiram que ela foi tão eficaz. Assim, da mesma forma que algumas abordagens da psicoterapia funcionam para uma pessoa e para outra não, podemos dizer que cada ser humano tem o seu modo de resolver suas questões.

Assim não podemos, neste texto, dar a certeza de que este método resolverá para você ou para mim, é apenas a própria pessoa que, em busca de melhorar, encontrará a sua forma ideal de fazê-lo.

Referências

NEUBERN, M S ‘Hipnose e dor: proposta de metodologia clínica e qualitativa de estudo’, PsicoUSF, Itatiba, Agosto/2008. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-82712009000200009&lng=pt&nrm=iso> acesso em 27 de Março de 2016.

NEUBERN, M S ‘Hipnose e Psicologia Clínica: Retomando a história não contada’, Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2006. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/%0D/prc/v19n3/a02v19n3.pdf> acesso em 27 de Março de 2016.

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