Um super guia sobre o ciúmes

Um super guia sobre o ciúmes

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Você já sentiu um nó na garganta junto com um aperto no peito e a sensação de perda de controle? Pois bem. Eu também. E isso, meus queridos, a depender do contexto é o ciúme. Tão natural quanto a luz do dia, o ciúme é encontrado em todas as pessoas e certamente já foi expresso ao menos uma vez.

Já parou para pensar a quantas palavras o ciúme é relacionado?  Quantas vezes você já usou o ciúme como desculpa de um ‘mau’ comportamento?

Saiba que essa confusão de palavras e significados são tão comum quanto sentir o ciúme. Isto pois o mesmo é encontrado na relação eu-outro. Passando, então, por toda complexidade que se dá nesta relação.

Agora, vamos te ajudar a entender melhor cada qual.

O ciúme ligado a outro sentimento

O ciúme pode estar vinculado a sentimentos e esses podem trazer efeitos para o  que sente o ciúme, para o parceiro alvo do ciúme e efeitos sobre a relação em geral. Vejamos alguns exemplos

AMOR

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Fonte: Portaldoholanda.com.br

 

“Eu sinto ciúme porque te amo”

Ahh, o amor… Fenômeno complexo que move a vida, não é mesmo? Pois bem, move estudos também. O ciúme é universal. Todos carregamos um pouquinho de ciúme. Isto pois, todos temos a capacidade de amar.

O ciúme vinculado ao amor é o conhecido ciúme normal. O que traz a manutenção do amor, dá um tempero especial. Ele mostra o interesse no amor do outro. Todos já passamos por situação envolvendo esse tipo de ciúme.

 

MEDO/INSEGURANÇA

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Fonte: anderkarloss.blogspot.com.br

 

“Não tenho ciúme, tenho medo de te perder”

O ciúme surge da percepção de uma ameaça. Em geral vem acompanhado de um incomodo profundo visto que tem um efeito negativo sobre o próprio individuo que sente ciúme, prejudicando a auto-estima e até mesmo não conseguindo viver o relacionamento.

EGOÍSMO

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Fonte: istoe.com.br

 

“Você é só meu e de mais ninguém”

 

Há o ciúme em contraste ao egoísmo. Neste, o parceiro é tratado como um objeto pessoal e acabando perdendo a própria identidade para ser o que o companheiro deseja, correspondendo, então, sua expectativa.

Essa tipologia de ciúme não é saudável para manutenção do relacionamento e a certo nível pode ser patológico.

NOTA: Muito se confunde o ciúme com a inveja e a voracidade. Mas saiba, meu caro, que essas são diferentes

Segundo Melanie Klein a inveja surge da admiração para com o outro e a vontade de ser igual. Porém esse sentimento é motivado pela aniquilação do outro causando então a destruição do objeto de inveja. Em geral a inveja se dá a algo e não a alguém.

A Voracidade por sua vez faz o mesmo caminho da inveja, porém, não há motivação na  aniquilação do objeto amado.

O ciúme envolve uma terceira pessoa. É uma relação triangular ligado a alguém. É motivado pelo amor.

  

Há diferença no ciúme do homem e no da mulher?

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Fonte: edudoroteu.blogspot.com.br

 

Por motivos culturais e fisiológicos podemos observar diferentes maneiras de sentir ciúme de acordo com o gênero. Isso graças a uma concepção histórica a qual a sociedade via a mulher como ser delicado e submisso. Com a percepção das mulheres e a revolução dos seus direitos surge a dúvida: o ciúme masculino é mais reconhecido socialmente que o feminino? E a demonstração, é semelhante?

Antes das respostas te faço mais algumas perguntas: Você acha que quem é mais investigativo quando sente ciúme? E quem é mais sentimental?

Vários estudos nos mostram as respostas;

 

A mulher enciumada

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Fonte: novotempo.com

As mulheres são assumidamente ciumentas e se sentem incomodadas ao sentirem ciúme. Pode-se relacionar esta afirmação ao fato de mulheres sentirem ciúme por medo de um envolvimento emocional do parceiro em relação a outra pessoa.  Elas tendem a demonstrar seu ciúme com reações emocionais;

 

– Xingar o Parceiro

– Brigar com o Parceiro

– Chorar

– Terminar relacionamento

 

Esses comportamentos são pouco desaprovados pelos parceiros e pela sociedade em geral.

 

O homem enciumado

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Fonte: suzelitasworld.blogspot.com.br

 

Os homens, por sua vez, tendem a agir como forma de controle.

 

– Controlar amizades do Parceiro

– Investigar o celular

– Pedir senha do Facebook

– Ligar para saber onde está.

 

Esses comportamentos, geralmente, são desaprovados parcialmente pela sociedade. Os homens sentem ciúme pela ameaça do envolvimento sexual do cônjuge com outro. O que nos leva a perceber o porquê de comportamentos tão investigativos.

 

O homem e a mulher

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Fonte: suelenl.blogspot.com.br

 

Ao contrário do que se pensa, não há diferenciação na aceitação da manifestação de ciúme feminino ou masculino, entretanto, as mulheres são um pouco menos desaprovadas.
A estatística referente a traição é semelhante em ambos os gêneros. O que difere é a percepção moral de cada um;

 

Acertaram as perguntas? Pois bem, vamos ver então as ideias centrais ligadas ao ciúme

A traição, o Ciúme e algumas Curiosidades

Um estudo realizado por Fonseca et al (2005) sugere que;

Em geral, a maioria dos homens percebem a traição do sexo oposto como algo muito negativo, enquanto a maioria das mulheres ou não conseguem dizer o que sentem ou acham normal essa atitude do homem.

Entretanto, a maioria dos homens e mulheres que nunca foram infiéis consideram essa conduta desonesta.

A curiosidade vem do levantamento feito nesse estudo ao qual diz que:

– Mulheres que em alguma situação já pensaram ter sido traídas admitem que já haviam fantasiado a situação.

– Homens, por sua vez, que já pensaram terem sido traídos, atribuem a fofocas e intrigas.

Vocês estão convencidos agora de que o ciúme do homem é baseado em fatos concretos e o da mulher em situações fantasiosas?! Ainda não? Então olhem essa afirmação :

 

“Para o homem, o ciúme é útil uma vez que o protege contra os riscos de perder o tempo que investiu na corte de uma mulher, de dedicar-se aos filhos que não são seus e de danificar sua reputação. Para as mulheres, a utilidade do ciúme estaria relacionada ao fato de afastar a possibilidade de uma rival retirar a segurança emocional para com ela e filhos.”
(BUSS, 2000,  apud COSTA 2005, S/P).

 

Estão convencidos agora?

E você sabia que os efeitos que vimos no decorrer do texto acontecem, pois sugerem um alívio na pessoa? Alguns exemplos:

Sua namorada, em uma discussão te diz:

– Ok, vá lá com ela.

O que você faz?

  1. a) Obedece à namorada e vai atrás da pessoa a que ela se referiu
  2. b) Apenas sai andando
  3. c) Diz para sua namorada que ela é a única que você ama e a elogia

Posso apostar uma coxinha que você passou o olho pela B, mas parou na C, correto? Pois bem. Saiba que você acaba de aliviar parte de seu sofrimento. E que dá próxima vez, provavelmente ela fará isso mais uma vez. Isto porque você reforçou esse comportamento lhe dando uma certeza e uma demonstração de carinho.

Próxima…
Seu namorado te interroga toda vez que você sai com seu amigo.

O que você faz?

  1. a) Falo para meu namorado que o Fulaninho é só seu amigo
  2. b) Evita sair com o Fulaninho sem a presença do seu namorado
  3. c) Quebra tudo e diz que você sai com quem você quiser

Vamos ver… Você respondeu A. Mas analisando toda a história de seu relacionamento se identificou com a B? Certamente isso aconteceu não só com você, meu caro leitor, aconteceu também comigo, por exemplo. E com muitas outras pessoas. O ato de deixar de sair com seu colega ou sair apenas quando seu companheiro(a) está presente faz com que seu parceiro veja que você se importa com a opinião dele e provavelmente repita essa conduta posteriormente.

Essas condutas se generalizam em outras situações.

 

Então galera, o ciúme é normal e pode até ser o tempero do amor, mas pode se tornar patológico e insustentável na relação. Então, força na peruca e não exagerem.

 

 

Fontes:

ALMEIDA, T ‘O ciúme e os relacionamentos amorosos heterossexuais contemporâneos’ Estudos de Psicologia, 2008. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/epsic/v13n1/10.pdf>

COSTA, N. ‘Contribuições da psicologia evolutiva e da analíse do comportamento acerca do ciúme1’ Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, Junho de 2005. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1517-55452005000100003&script=sci_arttext&tlng=es>

FIGUEIREDO, L. C.  ‘A clínica Psicanalítica a Partir de Melanie Klein. O que isto pode significar?¹’ Jornal da Psicanálise, Dezembro de 2006. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/jp/v39n71/v39n71a08.pdf>

FONSECA, F.N.; NERY, L.B.; BENIGNO, L.F. ‘Ciúme: Diferenças e Semelhanças de Gênero. Laboratório de Psicologia Ambiental.’ 2005. Disponível em <http://beco-do-bosque.net/pdf/2005Ciume.pdf>

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