#FelizesParaSempre – Os Aspectos dos Relacionamentos Virtuais

#FelizesParaSempre – Os Aspectos dos Relacionamentos Virtuais

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“Tenho 35 anos e acabei de passar por uma situação em que estou extremamente decepcionada.
Conheci o cara pela internet e depois descobri que tínhamos amigos em comum, isso me deixou bem mais tranquila. Marcamos de nos encontrar e conhecer pessoalmente. Ele, um cara de 46 anos, divorciado, esportista e com um ótimo papo superinteressante.

Resumindo: passamos o fim de semana juntos na casa de uns amigos. Ele já me apresentando como namorada. Me deixou em casa no domingo, ainda jurando amor eterno.
Na segunda-feira, sumiu. Não me responde no WA e nem as minhas ligações” (Relato- Internauta Anônima).

        Este relato levanta os seguintes questionamentos: O que é real? E o que é virtual? E o virtual pode tornar-se real? Atualmente com os avanços tecnológicos que atualizam-se com uma frequência/velocidades surpreendentes tornaram pratica e simples inúmeras funções em nosso cotidiano que anteriormente demandavam tempo, esforço e disponibilidade. Atividades como divulgar produtos, localizar/procurar endereços, buscar/candidatar-se a vagas de emprego, conversar familiares/amigos que encontram-se distantes, iniciar novas amizades, adquirir novos conhecimentos e entre outros.

        Segundo Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 (PBM 2015), divulgada em 2014 pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, quase metade dos brasileiros utiliza a internet regularmente. E estes internautas ficam conectados, em média, 4h59 por dia durante a semana e 4h24 nos finais de semana, estes resultados superam ao tempo que os brasileiros assistem a TV.

Entre os internautas, 92% estão conectados por meio de redes sociais, sendo as mais utilizadas o Facebook (83%), o Whatsapp (58%) e o Youtube (17%). O Twitter, popular entre as elites políticas e formadores de opinião, foi mencionado por apenas 5% dos entrevistados (Portal Brasil, 2014).

        Portanto os internautas passam grande parte do seu dia conectados/acessando os meios de comunicações disponíveis, preocupando com o que se posta nas redes sociais e consequentemente postando conteúdos de opinião e/o pessoais esperando receber curtidas/likes. E com esta utilização desenfreada destes meios de comunicação com frequência e incidência relevantes, propicia-se a dificuldades na interação social e passam-se a confundir o virtual do real. Vamos compreender estes questionamentos levantados no inicio: O que é real? E o que é virtual?

O real seria da ordem do “tenho”, enquanto o virtual seria da ordem do “terás”, ou da ilusão, o que permite geralmente o uso de uma ironia fácil para evocar as diversas formas de virtualização (LÉVY, 1996).

        Logo o virtual esta relacionado à ilusão, as exceptivas geradas em cima da fantasia e do imaginário. Ao conhecermos alguém em nosso cotidiano imediatamente já criamos exceptivas e impressões em relação à pessoa. Por tanto conhecermos alguém virtualmente é um “prato cheio” para o nosso imaginário, para criamos essas expectativas e essas impressões mediante ao contato virtual. Este é um dos motivos que veem levando ao aumento da busca pelos relacionamentos virtuais, pois as chances de manter e evitar decepções em um relacionamento onde à imagem do outro foi criada por mim inicialmente são mínimas e uma vez que o mundo virtual propicia a elaboração destas fantasias.

A descrição num cadastro de perfil, a escolha do apelido com o qual o internauta participa de uma sala de bate-papo, todos os sujeitos à seleção da consciência, e recortados de um todo, favorecem projeções, fantasias e ilusões, cuja repercussão, favorável ou desfavorável, estará implicada na manutenção ou rompimento do contato (DONNAMARIA & TERZIS, 2009).

Becasales99
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        Outro aspecto que propicia essas fantasias é a facilita no recorte, estes perfis tratam do ser como um recorte, posso ser nele o que há de melhor em mim. Posso transparecer ao outro somente as minhas qualidades e/ou posso ser quem desejar um ator famoso ou um anônimo que esteticamente julgo ser superior ao meu aspecto físico. Podem ocorrer casos em que o internauta assume este papel para o outro e pode passar a crer que ele é este recorte, pois esta linha entre o real e o virtual é tênue, basta pouco para rompê-la, criando a dissociação, o virtual para ele passa a tornar-se o real.

        Por tanto essa facilidade em fantasiar através do virtual propicia os “relacionamentos virtuais” E o que são essas relações virtuais? Que em nossa sociedade contemporânea apresentam-se em numero significativo e frequência exacerbada.

Antes de tudo, são relações, entre pessoas que não se conhecem fisicamente, travadas e mantidas por meio das redes digitais de telecomunicação interativa: Internet e telefonia celular (COSTA, 2005).

“Diferentemente dos ‘relacionamentos reais’, é fácil entrar e sair dos ‘relacionamentos virtuais’. Em comparação com a ‘coisa autêntica’, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear. (…) ‘Sempre se pode apertar a tecla de deletar’”.  (BAUMAN, 2003/2004, p. 13)

        Este é outro aspecto que estimula a procura pelos relacionamentos virtuais, primeiro a facilidade em fantasiar, criar o outro que eu desejo ter e após também a facilidade em apagar este relacionamento, apaga-se um perfil/conta, logo conclui-se um relacionamento e apos inicia-se um novo, evitando o enfrentamento do termino e o luto pela perda do outro/relacionamento. Este tipo de relacionamento enfatiza novamente uma característica da nossa sociedade atual, a praticidade e a velocidade, no relacionamento virtual não perde-se tempo com o termino e evitasse qualquer sofrimento. Logo um relacionamento pode iniciar-se como virtual, porem para manter-se fazem-se necessário o contato físico, a fim de que o virtual torne-se real.

        Portanto um vínculo, caracterizado, de acordo com de Puget e Berenstein (1993), pelo sentimento de pertencimento, pode nascer online; porém, para a vida amorosa, necessitará da presença para seu sustento.

        Devemos buscar o que nos torna felizes, utilizar os recursos virtuais disponíveis visando o nosso bem estar, evolver-se/relacionar-se com outro inicialmente pela tela do computador/celular porem transportar para o real. Pois as palavras digitadas não equivalem às ditas face a face, os emoji não equiparam-se as expressões/ comportamentos reais e as fotos/vídeos não podem substituir os abraços e o contato físico. E nenhum perfil/conta por mais embasado somente de aspectos positivos e carregado de qualidades, pode superar o real, cheio de defeitos e erros, porém são estes que nos tornam únicos e insubstituíveis, ninguém pode deletar o seu perfil real.

nossanoite.com.br
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REFERÊNCIAS

BAUMAN, ZYGMUNT. Amor líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. (Trabalho original publicado em 2003).

COSTA, A.M.N. SOCIABILIDADE VIRTUAL: SEPARANDO O JOIO DO TRIGO. Psicologia & Sociedade; 17 (2): 50-57; mai/ago.2005.

DONNAMARIA, C.P & TERZIS, A. O Amor Caiu na Rede: Sobre a Procura de Parceiro e a Evolução de Vínculos Amorosos na Internet. Rev. SPAGESP vol.10 no.2 Ribeirão Preto dez. 2009.

LÉVY, P. O que é Virtual?. Editora 34 LTDA. (edição brasileira), 1996.

PORTAL BRASIL. Cerca de 48% dos Brasileiros usam Internet Regularmente. 2014. Acessado em 23 de Janeiro de 2016 às 20h23min.

Link de acesso: http://www.brasil.gov.br/governo/2014/12/cerca-de-48-dos-brasileiros-usam-internet-regularmente

PUGET, J.; BERENSTEIN, I. Psicanálise do Casal. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

RODRIGUES, C. Namoro Virtual! Fui Enganada!. 2014. Acessado em 23 de Janeiro de 2016 às 19h33min.

Link de acesso: http://gatagarotauniversofeminino.blogspot.com.br/2013/06/namoro-virtual-fui-enganada.html

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