A Família e a Configuração de suas Composições

A Família e a Configuração de suas Composições

845
Compartilhe
Fonte: contrapontosocial.wordpress.com

A família é concebida por meio de um conjunto de leis, normas e hábitos. Estando representada por um espaço de socialização e de exercício de cidadania, sendo desmistificada a ideia de um modelo ideal de família. Além disso, a família é um dos principais contextos de socialização, uma vez que é nela que está o primeiro contato social do ser humano. Possuindo, portanto, um papel fundamental para a compreensão do desenvolvimento humano, que por sua vez está em constante processo de transformação.

Anteriormente, com o advento da urbanização, com o início da industrialização e, consequentemente, a reorganização da população, o conceito de família e suas representações sofreram grandes modificações. E hoje, a família contemporânea traz reflexos de movimentos que lutaram por direitos e por igualdades, como a inserção feminina no mercado de trabalho e o direito a separação.

Hoje em dia, podemos encontrar uma diversidade de famílias, que vão desde a ideia de família nuclear burguesa até a família unipessoal, sendo  impossível classificá-las e/ou julgá-las como certas ou erradas, boas ou ruins, felizes ou tristes, até porque não existe família perfeita, e todos nós, como seres humanos que somos, passamos por momentos de altos e baixos.

Fonte: Freepik
Fonte: Freepik

Diante disso, para mostrar que não existe um modelo ideal de família que deve ser seguido, listei alguns tipos de composições familiares, conforme a Cartilha do Divórcio para os Pais, da Escola Nacional de Mediação e Conciliação – ENAM:

  • Nuclear – pai, mãe e filhos vivem todos juntos.
  • Monoparental – os filhos vivem apenas com um dos pais.
  • Recomposta ou reconstituída – após o divórcio, a mãe ou o pai passa a viver com outra pessoa.
  • Alargada ou ampliada – dentro da mesma casa residem os pais, os filhos, os avós, os tios, os primos etc.
  • Homoparental – composta por dois sujeitos mesmo sexo, sejam homens ou mulheres que residem juntos.
  • Binuclear – composta por dois lares que se formam após o divórcio. Ambos os pais permanecem responsáveis pelos cuidados dos filhos, atendendo as necessidades deles de forma integral.
  • Família Poliafetiva – consiste na relação entre mais de duas pessoas. Na relação poliafetiva todos são casados entre si, podendo inclusive lavrar escritura pública para documentar a relação.
  • Família Substituta – Em hipótese, quando a família natural não está sendo capaz de garantir os direitos decorrentes do princípio da proteção integral, será promovida a colocação da criança e adolescente em uma família substituta, compreendendo três espécies: a guarda, a tutela e a adoção.
  • Família Unipessoal – é a composta por apenas uma pessoa.

Embora as relações parentais, conjugais e de pais e filhos tenham se transformado, a família continua a ser importante, sobretudo pelo papel de transmissão psíquica. Valendo ressaltar, que ambas as premissas (parentalidade e conjugalidade) são dimensões fundamentais tanto para a compreensão do funcionamento familiar, como para a compreensão dos processos de subjetivação.

Referências:

BAREMBLITT, Gregório. Compêndio de análise institucional e outras correntes: teoria e prática. 5° Ed. Belo Horizonte: Editora Record, 1992.

BRASIL. Ministério da Justíça. Cartilha do divórcio para os pais. Brasília: Conselho Nacional de Justiça. 2013.

SOUSA, J. (2006). As famílias como projetos de vida: O desenvolvimento de competências resilientes na conjugalidade e na parentalidade. Saber (e) Educar 11, 41– 47.  

KAËS, René. Os dispositivos psicanalíticos e as incidências da geração. In: EIGUER, Alberto; BARBOSA, Lúcia Helena Siqueira. A transmissão do psiquismo entre gerações: enfoque em terapia familiar psicanalítica. São Paulo: Unimarco, 1998.

Views All Time
Views All Time
827
Views Today
Views Today
1

Comentários

comments

Compartilhe
AnteriorEstereótipo Cega! Tome Cuidado, Faça o Teste
PróximoOs Sonhos e seus Significados: Sonhar com Casas
Psicóloga, graduada pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atua na área clínica com: psicoterapia (individual, grupal e de casal) para crianças, adolescentes, adultos, idosos; Orientação Profissional (individual e grupal); Orientação Psicológica; Avaliação de Desempenho Escolar e de Aprendizagem; Orientação de pais; Consultoria escolar; e Avaliação Psicológica. Anteriormente, atuou como psicóloga em estágio na Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Trabalhou como Assistente de Pesquisa Científica da Professora Doutora Geraldina Porto Witter, a qual realizou pesquisas na área de adoção e do sistema de garantia de direitos. Foi pesquisadora pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), com enfoque em psicologia, educação, avaliação de desempenho e avaliação psicológica. Realizou estágios em: Hospital Colônia de Longa Permanência, Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes-SAICA (abrigo), Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, Hospital-Escola e Serviço-Escola. http://www.facebook.com/evelynpinheiro.psi