Eu Sofro e Eu Sinto! O Entendimento da Raiva e dos Nossos...

Eu Sofro e Eu Sinto! O Entendimento da Raiva e dos Nossos Sentimentos

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  • Ai, vou morrer do coração de tanto medo!
  • Ah, eu não vou aquentar de tanta saudade!
  • Se eu pegar eu mato …. que ódio!
  • Meu Deus, que inveja dela!
  • Eu não sei o que acontece comigo, toda vez que vejo ela eu sinto uma coisa, acho que eu estou apaixonado!
  • Me sinto aliviado quando eu treino, fico ansioso para voltar a treinar!
  • Toda vez vou ter prova eu fico agitado!
  • Como tanto porque eu engulo a raiva que estou sentindo daquele traíra!

Ouvimos o tempo todo sobre os sentimentos e eles causam grandes discussões na vida das pessoas, nos relacionamentos e até mesmo na psicologia.

Falamos recorrentemente sobre raiva, amor, felicidade, angustia, tesão e diversos coisas que sentimos, porém dificilmente temos um momento em que paramos e realmente temos a oportunidade de parar e entender o que estamos sentindo e o que essas sensações fazem com nossa vida.

Infelizmente, quando vamos crescendo mal conseguimos ter um tempo em que podemos pelo menos nos sentir doentes e dessa mesma maneira são com os sentimentos.

Já começo o texto fazendo um apelo, sinta mais, quanto mais você sente mais vivo você está.

ocamundongo

Os sentimentos são explicados por Skinner, o nosso mestre da análise comportamental, da seguinte maneira: são formas como o nosso organismo reage a determinado estimulo ou algo, por exemplo, quando vejo alguém eu sinto algo. Esse algo que eu sinto eu nomeio porque aprendi que quando eu sinto determinadas reações orgânicas essa união tem um nome.

Vamos para uma parte mais prática do assunto.

Quando sou criança e estou no meio dos meus amigos brincando e minha mãe vai chamar minha atenção, logo eu posso ficar vermelho, baixar a cabeça e querer sair de perto onde mais ninguém me veja. Minha mãe então diz “agora não adianta ficar com vergonha”. Passando isso depois de anos, vou apresentar um trabalho na escola e minha professora crítica de forma negativa meu trabalho, logo meu organismo responde da mesma forma deixando minhas bochechas vermelhas, abaixo a cabeça e quero sair de perto de todo mundo e digo ao meu amigo “a professora me deixou com vergonha”.

Isso diz respeito a uma aprendizagem sobre os sentimentos, isso quer dizer que se em algum momento eu sinto algo e não sei nomear é porque não passei por esse processo de aprendizagem e isso pode me dificultar em minha forma de me fazer entender e também nas relações.

Outra questão que deve ser pensando é que podemos aprender sobre os sentimentos de forma errada, por exemplo, se estou com dor de barriga e alguém me diz que ela na verdade se chama amor, toda vez que eu tiver com dor de barriga eu a chamarei de amor.

Os sentimentos então devem ser aproveitados e sentidos, o filme Divertidamente mostra isso com clareza. Mas vamos falar de um sentimento em específico para nos aprofundar. Vamos falar da famosa raiva.

Quando estamos atrasados e o carro quebra, quando estamos prontos para sair e desmarcam, quando fazemos algo no trabalho e não somos reconhecidos, quando somos acusados injustamente, quando estudamos uma noite toda para a prova e tiramos nota baixa, isso tudo pode nos causar raiva.

noticias.uol

A raiva, não diferente dos outros sentimentos, é um grupo de reações orgânicas que temos e que um dia foi chamada de raiva e nós aprendemos que devemos chamá-la assim.

Diante da raiva podemos nos comportar de diversas maneiras, a forma em que comportamos não diz respeito a exatamente o que sentimos, isso irá variar da forma que cada um aprendeu. Fica claro assim que o sentimento não nos leva a fazer coisas, mas sim nossa relação com aquilo que está acontecendo e com quem está acontecendo. Exemplo disso é que podemos ter o mesmo sentimento de raiva com nosso pai e com a namorada que não faremos as mesmas coisas. Podemos omiti-la de nosso chefe e podemos brigar com nosso cachorro quando sentimos isso por eles.

Isso não necessariamente quer dizer que o sentimento não tem nenhuma importância. Nossos sentimentos têm sim muita importância, porém fazemos as coisas não apenas pelo o que sentimos, mas também porque sentimos. Por exemplo, no caso de um casal que briga, o cara combinou que ia sair com a namorada e ele esqueceu, a mulher com raiva desligou o celular por dois dias e não falou com ele até o dia em que ele foi em sua casa pedir desculpas. Vejamos que nesse caso a raiva sozinha não tem sentido, ela não surgiu do nada e a consequência não teve a ver com ela, mas ela estava ali.

Vamos descrever: o que fez a mulher sentir raiva foi o namorado não ter levado em consideração o que tinham combinado, isso fez com que ela sentisse dessa maneira. E ao não procurá-lo mais, ela então não o procurou por sentir raiva, mas sim para que ele fosse atrás dela. Essa mulher poderia ter tido milhares de outras razões, mas ela aprendeu que quando ela está com raiva e desliga o celular, o namorado vem até ela e a raiva passa.

Esse exemplo só é um em tantos outros. Isso pode acontece de diferentes formas. Espero que tenha ficado claro que o sentimento não é causa de nada, mas é um ingrediente que saboreia nossa forma de agir.

Enfim, importante ressaltar a importância de saber o que sentimos para que possamos entender o que causou isso e procurar sem dúvida alguma uma formar mais correta de agir.

Referências

MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. de. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.