Estereótipo Cega! Tome Cuidado, Faça o Teste

Estereótipo Cega! Tome Cuidado, Faça o Teste

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Continuando nosso caminho pela reflexão, conversaremos sobre um conceito sem razão sobre um determinado grupo social, atribuindo a todos os seres desse grupo uma característica, frequentemente depreciativa, imagem esboçada, sem fundamentos. Chama-se estereotipo uma imagem preconcebida de determinada pessoa, algo usado principalmente para definir e limitar pessoas ou grupos na sociedade, sendo grande motivador de preconceito e discriminação.

Então prepare o café, tenho um novo desafio para você. Seguindo uma metodologia muito parecida com o meu primeiro texto, quero que mergulhem novamente na leitura.

Lembrem-se, para acontecer uma reflexão, deve-se obedecer às seguintes regras:

  • Você será o personagem principal. Narrarei sua história/vida.
  • No momento que você começar a julgar o personagem, lembre-se que estará julgando a si mesmo. Precisas incorporar.
  • Após o final da leitura, lembre-se que o texto não necessariamente repassa a minha e a sua ideologia, é apenas um desafio criado através de um conto. Não possui caráter manipulador ou tendencioso. Não manipulo nem minha namorada, que dirá vocês. Eu ein…

PRONTO? Esvazie sua mente, respire fundo, o texto é rápido! Vamos lá…

Seu nome é José da Silva, possui 48 anos, trabalha como cobrador numa empresa de ônibus em uma cidade grande de algum estado brasileiro. Tem uma esposa chamada Maria, e sua preciosa filha, Sofia.

José, acorda cedo como todo bom trabalhador. Gosta de tomar café sempre com sua família, é o seu ritual, o dia não começa bem se não ter uma boa conversa com suas duas amadas. Elas já estavam sentadas na mesa aguardando o honrado pai de família. José senta, e sua filha imediatamente puxa a conversa:

–Bom dia, Pai. Que hora você volta do serviço?

João não compreende a pergunta, nunca perguntara, mas do mesmo responde:

–Bom dia, filha. Provavelmente estarei em casa às 18hrs. Mas, porque a pergunta?

Sofia responde:

–Nada, gostaria de trazer alguém para jantar…

Dona Maria ficava entusiasmada:

–Minha filha!!! Até que enfim irei conhecer um namorado seu? Todas as vizinhas da rua já conhecem os pretendentes de suas filhas, já estava ficando preocupada.

José vendo a empolgação de Maria, não pensa duas vezes e feliz fala:

–Já decidi! Traga seu namorado para jantar, quero conhece-lo. Sendo sincero, já estou ansioso, e orgulhoso de você se abrir para sua família.

Nesse instante a garota intimida-se com seus pais, porém acena positivamente com a cabeça, confirmando que levará seu namorado. Infelizmente, a conversa não podia continuar, José percebe que estava atrasado e parte sem ao menos tomar um café direito.

Chegava José no seu serviço, a primeira trajetória do seu ônibus era fácil, uma rota universitária, raramente tinha algum problema. Vida de cobrador não é fácil, tem que lidar com assaltos, insultos, preconceitos e até mesmo o estresse de serviço dentro de um transito caótico. Junto com ele, trabalhava como motorista, seu grande amigo Adalberto, parceria já durava 20 anos.

Neste dia, estava tudo tranquilo, era final de semestre e já não havia muitos estudantes indo para a universidade. Na primeira parada, subiu três jovens, na segunda ninguém, na terceira subiu uma mulher, na quarta parada subiu uma moça que chamou a atenção de Adalberto e José. Uma moça entre os 20-24 anos, bonita, porém não fora sua beleza que chamara atenção. Ela estava vestida com uma camiseta masculina branca e uma calça jeans escura, que não era justa em suas pernas. E o pior, na opinião deles, era o seu corte de cabelo. A garota possuía um corte curto, aquele modelo que se vê em muitos garotos da sua idade.

Ela entrou no ônibus, e recebeu um “Bom Dia” seco do motorista, e quando passou pelo cobrador, recebeu um olhar sério e uma cara fechada. Depois que ela sentou, Adalberto falava para seu amigo José:

–Você viu?

–Que desperdício! É machorrona.

–Coisa feia, imagina os pais dela, uma falta de respeito.

José não ficava por fora, e dialogava com seu amigo:

–Sinceramente, não consigo definir se é menina ou menino.

–Para falar a verdade, é uma menina que gostaria de ser menino.

Os garotos que estavam próximos ao cobrador, olhavam. Um deles ri, o outro fica sério e ignora a conversa, o outro não ouviu. O restante das pessoas que estavam dentro do ônibus, não encontravam-se próximas de Adalberto e José, então seus comentários não eram expostos em grande escala. A garota não ouviu, estava de fones de ouvido. Ela desceu do ônibus, sua vida seguiu sem ela ao menos saber do que acontecera ali. O dia passava e José volta para casa.

Ao chegar, sua filha ainda não estava, apenas sua mulher. Juntos eles tomavam café da tarde, logo em seguida, Dona Maria iria para o mercado comprar ingredientes, os quais usaria na janta, e deixando José sozinho em casa. Então, o mesmo pega seu notebook e acessava a internet. Entrando numa rede social, havia um texto que lhe incomodava, manifestado em um grupo popular da cidade. A publicação tinha sido escrita por um dos garotos que estava naquele ônibus, criticando o motorista e o cobrador pelas suas atitudes. Após ler, José ficou extremamente raivoso. É claro, o garoto não sabia os nomes de José e Adalberto, sequer eram amigos na rede, ele apenas publicou em um grupo onde ambos estão vinculados.

José não deixou barato, percebeu que a publicação havia ganhado diversas curtidas e compartilhamento. Então, escreveu uma resposta:

“Eu não estava nesse ônibus, mas tenho algo a dizer! Esse politicamente correto hoje em dia é perigoso, ridículo, ela nem escutou o comentário deles. Quer dizer que nem comentar pode? Pelo relato do seu texto, a pessoa nem ouviu. Ela não se ofendeu. Qual o problema? Agora tudo é proibido? Cadê a liberdade de expressão? Qualquer um tem o direito de expressar sua opinião, por mais que você não goste. Esse direito existe, e não houve falta de respeito com ninguém! ”

Alguns curtiram, outros ignoraram, e várias pessoas criticaram. Aqueles que apoiavam a resposta de José, defendiam em comentários:

“Isso é causa do feminismo, essas guriazinhas acham que sabem alguma coisa da vida. Ridículo, não pode mais nada. Maldito politicamente correto, essa geração é uma vergonha. ”

Já o pessoal contra, exclamava:

“Feminismo? Politicamente correto? Quanta idiotice vocês estão falando. A garota, tem direito de usar e fazer o que quiser. É liberdade de expressão. Usar cabelo curto, ou roupas masculinas não lhe faz necessariamente um homem. E se ela for gay, o problema é dela. ”

Aquela discussão na rede social não chegava ao fim, José não percebera o quanto tempo havia perdido, já era tarde então, decide desligar seu nootbook. Estava tão entretido que não tinha percebido que Maria havia voltado…. Nesse mesmo instante ela grita avisando que sua filha havia chegado com o namorado:

–JOSÉ! VEM AQUI!

O tom da voz de Maria era estranho, não parecia estar entusiasmada, José conhecia muito bem sua mulher. O mesmo, preocupado, vai até a sala e encontra sua filha e seu namorad@….

–Pai, essa é a Isadora.

–Ela é minha namorada.

João olhava para a garota, elas estavam de mãos dadas. Isadora era uma linda moça, aparentava ter entre 20-24 anos, usava uma camiseta branca masculina e uma calça jeans preta, que não era justa em seu corpo.

Respire leitor! Olha a vida aí, surpreendendo mais uma vez. E agora vem aquela pergunta cretina…

Se você incorporou o personagem. O que você faria?

“NÃO SOU QUE NEM ELE” se estás pensando assim, volte para o início do texto.

Vivemos em um tempo, onde o estereótipo está batendo de frente com a moralidade. Nos encontramos, às vezes, em discussões parecidas. Ele não estava certo, e a vida fez com que ele compreendesse –ou não–. Respeitar é fácil, não deixe a vida te ensinar! Afinal, ela tem métodos incompreensíveis de ensinamento.

Vamos conversar? Desde, que tenha um bom café, e bom senso, estarei disposto a receber sua opinião.

Dúvidas, sugestões pablofsalomao@hotmail.com

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