A Falta de Energia Mental, o Auto Controle, e a Depleção do...

A Falta de Energia Mental, o Auto Controle, e a Depleção do Ego na Era da Internet

2016
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Auto Controle, Auto Regulação, Persistência e Força de Vontade, são apenas alguns dos termos que usamos para falar a respeito da capacidade humana de controlar diversas tarefas e atividades mentais. Essas habilidades do “eu” ou “self”, são utilizadas quando queremos fazer escolhas simples ou complexas (por exemplo, “que roupa vou usar na festa de hoje?”), tomar decisões importantes (“será que eu ligo pra ele, ou espero ele me ligar?”), aceitar responsabilidades (“pode deixar professor, vou te entregar o trabalho até amanha às 18 horas”), iniciar atividades (“deixa eu arrumar a roupa que vou vestir amanha, antes de dormir”) e controlar o impulso (“não vou comer esse bolo trufado por que estou de dieta!”). Esse “eu” que exerce o papel de regulador, tem poder de controlar tanto o meu mundo interno, quanto o externo, organizando e ativando esses mundo quando necessário.

 Essas ações chamadas conscientes ou controladas do nosso “Eu” exercem grande importância no nosso dia a dia, juntamente com todas as ações que são mais automatizadas ou não conscientes. Em 1998, Baumeister e colaboradores , propuseram que essas habilidades controladas tem recursos esgotáveis e que o seu uso contínuo ou excessivo poderia gerar um impacto negativos nas atividades controladas subsequentes.

Ou seja, usar muito suas capacidades de auto controle, poderia cada vez mais prejudicar as próximas atividades de auto controle. O exemplo clássico demonstrado pelo artigo de Baumeister é o seguinte: Pacientes deveriam resistir a vontade de comer chocolate, beterraba ou uma condição controle na qual não precisariam resistir a nada, enquanto resolviam desafios mentais difíceis e frustrantes.

O resultado do trabalhou demonstrou que os participantes desistiam mais facilmente quando estavam controlando a vontade de comer chocolate. Esse resultado levou os autores a acreditarem que ambas as atividades (que aparentemente são bem diferentes), controlar a vontade de comer chocolate e resolver desafios mentais, retiravam suas energias da mesma fonte de recursos mentais, o que os autores chamaram de força de vontade ou energia do ego.

Portanto, fazer uma atividade mental complexa (no caso o desafio mental), ao mesmo tempo que estava controlando o desejo de fazer algo (no caso comer chocolate) diminuiu a sua capacidade de controle da fadiga (persistir por mais tempo na tarefa, por mais que está estivesse difícil). Esse fenômeno foi chamado de depleção do ego.

 

A definição operacional de depleção do ego seria:

“uma redução temporária na capacidade individual ou na vontade individual para engajar-se em uma ação intencional (incluindo o controle do ambiente, o controle do eu, tomar decisões e iniciar ações) causada por um exercício anterior de uma ação intencional” 

(Baumeister e col, 1998, pag. 1253)

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Multitarefas ou a sina do whatsapp e do facebook

Atualmente a queixa mais comum que escutamos é o quanto as redes sociais, ferramentas de busca, sites de fofocas noticias e tantos outros aplicativos (Whatsapp, viber, e outros) causam uma profunda dificuldade em iniciar uma tarefa. Levando-se esse contexto em conta, o conceito de força de vontade e depleção do ego parece ter um sentido nunca antes visto.

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Fonte:  NaturalInte

Iniciar uma tarefa complexa, como escrever um texto, revisar um trabalho, concluir uma leitura, ou mesmo, limpar a casa, cuidar dos filhos, trabalhar em uma atividade qualquer na rua ou no seu emprego, se tornam cada vez mais difíceis quando se tem acesso irrestrito e imediato as redes sociais e outros sites. Isso tudo parece ser facilmente compreensivel quando consideramos que a tarefa de controlar o desejo de acessar essas informações “retira energia” da nossa força de vontade. É como no exemplo do chocolate, só que dessa vez, o chocolate é o acesso a internet.

Quando estamos de frente ao computador com o editor de texto do word aberto, ou o excel aberto, começamos a trabalhar na atividade em questão, mas ao mesmo tempo temos de controlar incessantemente a vontade de acessar sites ou checar constantemente o celular em busca de novas mensagens. Essa atividade, além de consumir energia atencional e diversas habilidades das funções executivas (alternância de tarefas, controle atencional, atenção dividia, controle inibitório, auto regulação, manutenção de metas, entre outras), cada vez mais transforma o retorno a atividade inicial uma tarefa herculea, difícil, já que a depleção do ego ocorre de maneira acelerada.

E como evitar a depleção do ego, ou controlar melhor a depleção do ego?

Diversas técnicas e preceitos existem para lidar com esse problema, abaixo listarei algumas ações que podem colaborar para evitar o esgotamento acelerado dessa nossa capacidade.

  1. Reduzir a quantidade de informação
  2. Construir uma agenda focada
  3. Checklists de atividades
  4. Criar blocos de trabalho “sem interrupção” (trabalhe 25 minutos, descanse 5 – metodo pomodoro)
  5. Pausas ativas
  6. Organização do material – limpar a desordem
  7. Usar fones de ouvido durante o trabalho ouvindo música classica ou sons ambiente ()
  8. Sentar longe de ruidos
  9. Descansar
  10. Escapes positivos – encontrar amigos, ver um video engraçado, assistir um filme, ler algo, evitar discussões bobas.
  11. Rotina positiva
  12. Dieta
  13. exercícios
  14. Pratique, pratique, pratique de maneira distribuida (ou seja, todos os dias um pouquinho).
  15. Não permita o aprendizado passivo (as pessoas tem que pensar sobre o material do aprendizado e manipulá-lo de alguma forma): por isso todo o facebook não ensina, ele informa.
  16. Evitar a superestimulação e distração visual
  17. Monitorar a temperatura do ambiente
  18. Manter um horário regular para atividades – CRIE rotina!
  19. Manter o espaço bem iluminado durante o dia e escuro e silencioso durante a noite
  20. Estimular o sono

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Este estado depleção do Ego tem um impacto psicológico considerável, produzindo um estado de estafa   com exaustão e sobrecarrega de nosso sistema de funcionamento. Surgem manifestações emocionais: aumento da ansiedade, distanciamento afetivo, desesperança, impaciência, irritabilidade, rebaixamento do humor (depressão), baixa autoestima, perda do prazer, diminuição da libido e desinteresse por tarefas que antes despertavam motivação.

O funcionamento mental fica comprometido com perda de concentração, atenção, dificuldade em tomar decisões; a pessoa desregula-se emocionalmente, abala seus julgamentos e perde a capacidade de colocar-se no lugar do outro.

A queda significativa de energia faz com que muitas pessoas em estafa recorram a diversas químicas para repor a ausência de animo, assim conseguem uma sobrevida temporária até que o colapso do sistema aconteça. Além do estado emocional e mental ocorrem importantes manifestações físicas: tremores, tonturas, insônia, perda ou aumento do apetite, problemas digestivos (má digestão, azia, gastrite, úlcera, colite, prisão de ventre, diarreia, náuseas …), hipertensão arterial, problemas cardíacos, dores musculares, cansaço, dores lombares e cervicais, queda do sistema imunológico…

O organismo como um todo sofre alterações importantes no seu metabolismo envolvendo: adrenalina, cortisol, glicose… Estas alterações irão parar a pessoa, se ela não “ler” seus sinais e entender que precisa parar e rever sua vida. Apenas afastar-se das pessoas ou do trabalho e isolar-se não resolverá a estafa, pois o organismo condicionou-se a funcionar de maneira alterada.

Portanto é fundamental fazer uma autoanálise (rever seu estilo de vida, mudar hábitos, compreender que tem limites), buscar tratamento médico-psicológico, desenvolver atividades físicas, estabelecer uma alimentação mais sadia, cultivar práticas meditativas e ter um cuidado em examinar seu propósito na vida. A diferença do stress e a fadiga pode ser entendida da seguinte maneira: no stress a pessoa enfrenta situações focais, que a vulnerabilizam (assalto, divórcio, luto, desemprego…) produzindo pressões importantes.

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Fonte: Pinterest

 

A estafa é mais intensa e constante, um cansaço crônico atingindo a exaustão emocional-mental-física incapacitando a pessoa para o trabalho, lazer, vida social-familiar. Na estafa a pessoa consome-se a si mesma, possibilitando o surgimento de outros transtornos mentais como o pânico, fobias, depressão… Lembre-se sua vida é sua preciosidade, aprenda a cuidar-se.

 

Texto escrito em parceria com o psicólogo Alexandre Rivero!

Links úteis:

Bibliográfia

Baumeister, R. F.; Bratslavsky, E.; Muraven, M.; Tice, D. M. (1998). “Ego depletion: Is the active self a limited resource?”Journal of Personality and Social Psychology 74 (5): 1252–1265. http://www.psychologytoday.com/files/attachments/584/baumeisteretal1998.pdf

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