E se não existisse “Felizes para Sempre”?

E se não existisse “Felizes para Sempre”?

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Um dos assuntos mais discutidos na humanidade são as relações, relações essas que envolvem o amor. No geral, não só aquelas de cunho sexual, mas todas que abrangem mais de uma pessoa e elas têm sentimentos uma pela outra.

Sei que esse texto vai fazer com que vocês se identifiquem com partes dele e que também vai arrancar muitas emoções negativas, porém eu espero que no final, tudo fique mais claro. Esse texto não se trata de autoajuda, ele se trata de poder enxergar as “Relações” e as “SEPARAÇÕES” de uma maneira mais leve.

Estamos acostumados socialmente em acreditar que as histórias do sentimento que chamamos de “amor” sempre acabará com “ viveram felizes para sempre”, mas dificilmente a gente sabe como é esses felizes para sempre.  Atualmente vemos a reprodução disso nas redes sociais, em que uma parte das pessoas que postam seus “felizes para sempre” nem sempre estão vivenciando esse sentimento.

Geralmente associamos o sentimento de amor com “sexo”. Então vou pausar por um momento e dizer: Amor, segundo os estudos científicos da análise do comportamento é aquela sensação orgânica que apresentamos quando temos reciprocidade de reforçadores. Em outras palavras, é quando a pessoa faz coisas que teoricamente identificamos como algo bom e assim nos causam boas emoções (sensações).

Ao começar um relacionamento, logo começamos a identificar que tipo de sentimento essa pessoa nos causa e poucas vezes pensamos no porque ela nos faz sentir isso.

O sentimento de “amor”, apesar de ser um sentimento “universal” e todos nós sentirmos, é sentido de maneiras diferentes e isso faz a diversidade também. Experimente perguntar para alguém próximo “como é o amor para você?”, ai você vai ver isso com maior clareza.

Agora entraria a parte que o amor é o que constrói a relação, mas se você estava pensando que ia ler isso, você vai se decepcionar.

 As relações se constroem por diversos pedaços e o amor pode ser um desses pedaços, mas o amor não é o que realmente o sustenta e nem mesmo o que inicia a relação.

Quando estamos com alguém, sempre procuramos nos sentir bem, e se isso não acontece aquilo que era só bom começa a passar por alguns obstáculos e aí começam a dizer que é a maturidade que supera, que isso deve ser dessa maneira ou deve ser de outra.  Vamos pensar comigo de como isso acontece.

Para entender uma relação é legal você imaginar uma lista com duas colunas que do lado A está tudo que você gosta e do lado B está tudo que a pessoa lhe oferece. As relações então são as ligações entre o que você gosta e o que ele (a) faz para você. Quanto mais ligações, mais você está ligado nessa relação. Até parece simples, mas não é. Isso está relacionado também à sua história de reforçadores e está conexo ao que você aprendeu com cada outra relação.

Quando há um quebra dessa lista de ligações e a pessoa começa a ficar desinteressada e procurar em outras pessoas aquela ligação que estava faltando, os sentimentos então começam a mudar e muitas vezes nem conseguimos entender como foi que tudo isso aconteceu, mas está ai, foi isso que aconteceu.

Isso não quer dizer que você não foi amado ou que faltou amor, só quer dizer que as contingências mudaram e dessa maneira a busca por outras contingências mais reforçadoras se mostrou necessária.

Por fim, é triste separar sim, mas não podemos pesar isso como um elo para sempre. Você sempre encontrará um outro alguém para ter ligações mais intensas com sua lista.

Referencia:

SKINNER, Burrhus Frederic. Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.