Distorções Cognitivas no Machismo

Distorções Cognitivas no Machismo

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Fonte: flickr.com

Visto as novas configurações ideológicas, bem como representações dos movimentos sociais, que visam a igualdade entre os gêneros, o conceito do machismo, e suas manifestações implícitas e explicitas tem ganhado cada vez mais evidência e apelo social.

É sabido que a sociedade de modo geral, é formada pelos moldes do sistema patriarcal, este sendo responsável pelos padrões de famílias tradicionais que se vê até os dias atuais, onde o homem e suas sucessões são provedores e governantes absoluto do lar. Consequentemente o machismo está impregnado e, socialmente estabelecido. Para ilustrar de forma mais simplista é a crença de superioridade do homem sobre a mulher, este modelo tem sido a estrutura regente na cultural, no sistema econômico e político mundial.

Segundo Martins (2016) nossos primeiros formadores correspondem a função de reprodutores/mantenedores do machismo, desde a mais tenra idade o sujeito é doutrinado a estabelecer e desempenhar papeis sociais com distinções marcantes e opositivas. O autor ainda elucida quanto ao machismo, e sua estrutura que demonstra não ser exatamente uma filosofia ideológica, mas uma questão que está muito além, algo representativo à subjetividade, arraigado as crenças inquestionáveis de cada um.

No que concerne a abordagem cognitivo comportamental, bem como suas ramificações quanto a crenças, estas são regras rígidas e inflexíveis, que o sujeito tem sobre si mesmo, o outro e o mundo, o indivíduo que carrega essa crença de superioridade absoluta, que determina a maneira que cada um enxerga os eventos e circunstâncias. Dado as ocorrências por questões pertinentes ao cotidiano, os pensamentos acabam sendo acometidos por formas irreais e disfuncionais de encarar a situação. De acordo com Powell et. al (2008) estes são erros na percepção que causam má interpretação da realidade.

Fonte: antigosdiarios.blogspot.com
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Aaron Beck em sua teoria verificou a existência de algumas distorções do pensamento, a priori com pacientes depressivos. Em detrimento a reprodução do machismo, visto as crenças internalizadas, as distorções cognitivas ficam expressas nos discursos “Dominação” e “Grandiosidade” de muitos homens. Na literatura existem alguns erros de pensamento que foram elaborados por um dos criadores da teoria cognitiva, entretanto, serão abordados apenas cinco, para ilustrar e auxiliar na compreensão. Sendo estes:

  • Leitura Mental

Você supõe saber, o que outras pessoas estão pensando ou sentindo, sem considerar outras possibilidades.

Exemplo: “A mulher se prepara para sair de casa, e veste uma mini saia, o namorado diz: “ Os homens da rua vão pensar que você não é decente, vão se sentir atraídos. ”

  • Pensamento “ Tudo ou Nada”

Você vê apenas duas categorias para pessoas e situações; são totalmente bons ou totalmente ruins, um sucesso ou um fracasso.

Exemplo: “Terei uma conversa com a minha esposa, ou ela deixa de trabalhar, ou me separo dela. Mulher minha não trabalha! ”

  • Catastrofização

Você pensa que não haverá esperança em seu futuro e que será repleto de catástrofes, sem considerar outros resultados possíveis.

Exemplo: “ Eu sou homem, não farei esse exame de toque, sei que estou muito mal mesmo, vou morrer de qualquer jeito. ”

  • Rotulação

Você atribui um julgamento ou rótulo negativos a você mesmo, aos outros e ás situações, sem olhar para todos os fatos.

Exemplo: A vizinha foi abusada sexualmente. “Tá vendo, ela é culpada, irresponsável, saiu a noite sozinha, é nisso que dá”

  • Personalização

Quando algo ruim acontece, você assume a culpa por isso, mesmo quando a culpa não é sua.

Exemplo: “ A culpa é minha! Não sou homem suficiente para suprir as necessidades que me é devido dentro de casa. ”

Contudo, as distorções cognitivas que assolam homens numa sociedade machista, e com ideais sexistas são prejudiciais tanto para mulheres que sofrem pela dominação de muitos homens, quanto para os próprios que estão cercados por ditaduras de regras sociais, comportamentais e cognitivas, por sua vez supõem que precisam suprir a qualquer custo para evidenciar a masculinidade socialmente.

Referências:

Beck, Judith S. Terapia Cognitivo Comportamental. 2°. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2013

VandenBos, Gary R Dicionário de Psicologia APA. Porto Alegre: Artmed, 2010

BENTO, Berenice Alvez Melo de. A (re)construção da identidade masculina. Florianópolis, n.26, p.33-50, out de 1999

Maia CC, Silva KL, Ferreira AGN, Gubert FA, Scopacasa LF, Pinheiro PNC, et al. Influência da cultura machista na educação dos filhos e na prevenção das doenças de transmissão sexual: vozes de mães de adolescentes. Adolesc Saude. 2013;10(4):17-24

WOOD, J. C distorções cognitivas e respostas alternativas. Oakland: New Harbinger (2010)

POWELL, Vania Bitencourt; ABREU, Neander; OLIVEIRA, Irismar Reis de  and  SUDAK, Donna.Terapia cognitivo-comportamental da depressão.Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2008, vol.30, suppl.2, pp.s73-s80. ISSN 1516-4446.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462008000600004. 

Portal da Educação. Machismo na Sociedade Contemporânea: Conceituando e Definindo o Machismo. Disponível em:
<https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/machismo-na-sociedade-contemporanea-conceituando-e-definindo-o-machismo/71739>. Acesso em 13 de Abril de 2017.

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Psicólogo clínico, graduado pela Universidade Cruzeiro do Sul, atuante na abordagem Cognitivo Comportamental, sendo esta minha paixão. Mantendo uma página no facebook intitulada @EryelPsi, sendo esta destinada a compartilhar conhecimento a cerca da terapia cognitivo comportamental, bem como assuntos pertinentes a sociedade contemporânea e suas ramificações. Trabalhei por 6 anos em uma Organização Social, com crianças e adolescentes, com projetos que visam a construção da cidadania, convivência e fortalecimento de vínculos. Sou aspirante a pesquisador em comportamentos, neuropsicologia, intervenções psicoterapêuticas, habilidades sociais e psicopatologias, ingressei na área através do congresso 23º Encontro de Serviços-Escola de Psicologia em 2016, sediado pela PUC-SP. Tenho afinidade em temas advindos da Psicologia Social, bem como sociedade contemporânea e relações humanas. Colunista do Blog “Mundo da Psicologia”, com imenso prazer na leitura e escrita, a fim de ampliar e propagar conhecimentos.