Distimia: Um Mal do Humor

Distimia: Um Mal do Humor

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No mundo atual, a sociedade é marcada pelo consumismo, status e padrões que geram angústias nos indivíduos. Com todas as exigências contemporâneas de buscar a felicidade a qualquer custo, é natural que em alguns dias estejamos de mau humor, reclamando de tudo, tristes e desanimados. Não é possível ser feliz o tempo todo, pois somos afetados pelo meio que nos cerca e acontecimentos da vida.

Estudos demonstram também que após algumas perdas significativas como: pessoas queridas, emprego, moradia ou de algo puramente simbólico, podem desencadear o surgimento de diversos quadros psicológicos no ser humano.

Um desses casos é a Distimia que, segundo Dalgalarrondo (2008), é considerada como uma síndrome depressiva e tem como característica, indivíduos que possuem humor triste, irritabilidade, dificuldade em tomar decisões, pessimismo, entre outros sintomas. É identificada nos casos de transtornos de humor pelo comportamento deprimido constante do paciente.

O que diferencia o normal do patológico é o quanto a pessoa sofre com isso e a frequência em que esses comportamentos se repetem. Um indivíduo que está sempre de mau humor, pessimista, cansado, com elevado senso de autocrítica, possivelmente pode ser distímico. A dificuldade de identificar a Distimia surge pelo fato da pessoa acreditar que seus sintomas nada mais são do que seu “modo de ser”, deixando de ter um olhar crítico sobre como isso afeta sua vida e relações.

Fonte: https://casule.com

Familiares, redes sociais, ocupações e outras áreas significativas da vida da pessoa, se tornam um problema já que o paciente tende a se isolar ou manter constantes conflitos nas relações, devido seu comportamento agressivo e depressivo, o que torna impeditivo para viver uma vida normal.

Não é fácil a convivência com pacientes distímicos, porém é aconselhável que se o leitor acredita que conhece alguém com tais características, sinalize para essa pessoa que algo pode “estar errado” no seu comportamento, motivando-a assim procurar ajuda profissional. É importante ressaltar que não se deve estereotipar a pessoa, como “você está ficando louco”, “você se tornou

uma pessoa ruim”, etc. Mas sim, conversar de forma calma e respeitosa, visando os limites e as possibilidades do outro.

Essa rede de apoio (familiares e amigos) auxilia na aderência do indivíduo no tratamento, sem que para isso ele seja rotulado ou sofra preconceito. Ressaltando que o paciente não é assim porque quer, ele sofre de uma doença e muitas vezes não tem consciência disso.

A Distimia trata-se de uma depressão crônica com intensidade leve, porém duradoura. Com possibilidade de surgimento no início da idade adulta e persistir por vários anos. Ações preventivas contribuem para que o quadro não se agrave, antecedendo assim o surgimento de mais episódios depressivos com cronicidade maior.

Fatores biológicos, genéticos e neuroquímicos também estão envolvidos no surgimento deste caso. Dessa forma, uma visão ampla e aprofundada sobre os pacientes geram benefícios auxiliando na identificação e acompanhamento de todos esses aspectos. O tratamento medicamentoso é um aliado e complementa o trabalho realizado em Psicoterapia.

Apesar das classificações patológicas da Distimia, no tratamento psicológico, é indicado que o profissional não se limite apenas aos sintomas da demanda, mas que aprofunde seu conhecimento na história de vida do sujeito e como ele percebe, sente e se comporta no mundo. O vínculo terapêutico e acolhimento fortalecem o tratamento e faz com que se torne mais significativo para promover mudanças na vida dessa pessoa.

Bibliografia:

ADRIANO, A., et. al. A compreensão da Distimia: Um estudo comparativo sob olhar das orientações teóricas da Psicologia. São Paulo, SP. UNIP, 2012.

CAMARGO, A. BELQUIZ, A. Distimia – Uma forma de Depressão. São Paulo, SP. Disponível em: http://www.abrata.org.br/new/artigo/distimia.aspx

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre, RS. 2. ed. Artmed, 2008.

RIVERO, Emanuel. Quando o mau humor se torna doença – Distimia. São Paulo, SP. Abril, 2017. Disponível em: http://mundodapsi.com/uma-outra-forma-de-depressao-distimia/

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