É Meu e Ninguém Tasca! Disposofobia ou Acumuladores Compulsivos

É Meu e Ninguém Tasca! Disposofobia ou Acumuladores Compulsivos

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“Destroços amontoados por anos, até toda superfície da casa ser coberta por camadas de jornais velhos, vasilhas de plástico vazias, pedaços de móveis quebrados, refrigeradores desgastados, milhares de garrafas pet, latas de todos os tamanhos, roupas velhas e novas, lâmpadas quebradas, e dentre outros objetos, até sacos de lixo cheios de detritos da vida diária” (HUMES, 2012).

Este é o trecho do livro Garbology: our dirty love affair with trash, ao qual descreve uma residência e ao lê-lo podemos imaginar as condições que o individuo reside e propicia ao questionamento como alguém consegui viver assim? E por quê?

Comprar ou receber algo, guardar e colecionar. Comportamentos frequentes entre a população tendo em vista a necessidade do ter, frequentemente compramos mercadorias iguais, pela quantidade e não pela necessidade, porém a dificuldade apresenta-se quando coleciono, guardo ou retenho algo ao qual não consigo em hipótese alguma me desfazer. E estes em quantidade exacerbada e “desnecessária”.  Esta característica pode indicar um acumulador.

É comum ouvir falar de pessoas que acumulam desde objetos e animais até lixo. Eles próprios têm vergonha dessa situação e os familiares não suportam viver no ambiente. Por esse motivo, isolam-se, o que torna difícil ajudá-los. Tal problema pode ocorrer em virtude de acúmulo de dívidas, acidente em casa, incêndio, queda, sofrimento, depressão ou ansiedade muito grande (SILVA, 2013).

Tornou-se popular através de Documentários da TV Discovery-Home & Health e do site Terra apresentam reportagens sobre acumuladores compulsivos: pessoas cujo apego excessivo pelos objetos sentem-se impedidas de jogá- los no lixo, doá-los ou dar-lhes outro destino, o acumulo compulsivo define-se como:

O termo “disposofobia” significa acumulação compulsiva, ou seja, incapacidade de livrar-se de qualquer coisa que se possui. Disposable, em inglês, significa descartar e fobia significa medo. Portanto, a combinação destas palavras designa o medo de se livrar das coisas (THE RICE, 2010).

A incapacidade do descarte trata-se do medo de desfazer-se de algo, devido à intensidade do vinculo pré-estabelecido com o objeto. Explicitamente uma fobia ao deixar e um medo da perda não do objeto, mais do vinculo que ele representa. O primeiro registro histórica da síndrome ocorreu com Diógenes um filosofo grego.

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Síndrome de Miséria Senil ou Síndrome de Diógenes são nomes que designam a acumulação compulsiva ou disposofobia. Tal relação se dá por causa de Diógenes de Sinope, filósofo grego que vivia como um mendigo dormia num barril e recolhia da rua inúmeros objetos sem valor. Essa perturbação interfere nas tarefas mínimas diárias, como a alimentação do idoso, a maneira de ele se vestir e sua higiene pessoal (CUIDAMOS.COM, 2014).

Por tanto trata-se de uma síndrome cujo impeli ao sujeito a capacidade de desfazer-se de objetos adquiridos, constantemente ambicione novos objetos com a finalidade de possui-los. E como distinguir se apenas coleciono itens e se acumulo, e passou-se a tornar-se uma obsessão objetos.

Embora exista uma linha tênue entre o estilo acumulador compulsivo e o estilo colecionador, esse último pode estar do lado da sanidade, porque ainda que o colecionador seja compulsivo – para adquirir selos, carrinhos, carros, borboletas, bonecas e bonecos, games, bichos de estimação, etc. – ele tende a organização dos objetos, calcula o espaço e valores (LIMA, 2011). 

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De acordo com Lima (2011) as principais características dos acumuladores compulsivos é a incapacidade de organizar o espaço em que reside, perdendo o controle e o autocontrole, apresentando dificuldades para se desfazer das coisas/itens.

O acúmulo compulsivo é caracterizado por (a) aquisição e impossibilidade de descartar um grande número de coisas; (b) desorganização que impede atividades para as quais o espaço foi designado; e (c) aflição significativa ou prejuízo causado em função do acúmulo.(TOLIN et al., 2010, p. 1).

O questionamento principal frente às estas características são o que propicia as pessoas a desenvolveram esta síndrome e esta aversão ao descarte. Pois com esta dificuldade apresentam propensão em desenvolver depressão, devido à rejeição própria, vergonha, isolamento e entre outros.

É mais comum que indivíduos obsessivo-compulsivos que acumulam objetos tenham passado por traumas mais frequentemente que pacientes sem disposofobia, pois situações estressantes levam a pessoa a perceber o mundo como incontrolável e imprevisível, desencadeando constante busca de segurança e controle sobre o ambiente através de uma relação patológica com “coisas” (MODENSE, 2011).

Devemos observar os valores que atribuímos aos objetos e o vinculo que estabelecemos com estes itens, pois podemos atingir extremos, a fim de não perder estes vínculos. Como enfatizado anteriormente a linha entre colecionar e acumular e tênue, onde os objetos passam a estarem a quem de uma necessidade e tornarem-se essencial para a existem do sujeito, ter/adquirir para viver e não viver para ter.

Referências

CUIDAMOS.COM. Quais os sinais de acumulação compulsiva e como obter ajuda. Acesso em 15 de Maio 2016. Disponível em: DISCOVERY-HOME&HELTS. Acumuladores compulsivos. Sistema Net, 2011.

MODENESE, Felipe. Quando colecionar se torna obsessão. Jornal da FMB, ano III, ed.31, p.12, jan./fev. 2011.

LIMA, R. Acumuladores compulsivos: uma nova patologia psíquica. Revista Espaço Acadêmico, v.11, n.126, 2011.

TOLIN, D. F.; STEVENS M. C.; VILLAVICENCIO A. L. Neural mechanisms of decision making in hoarding disorder. Arch Gen Psychiatry. 2012. p. 832-841. Acessado em 15 de Maio de 2016. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3506167/>

THE RICE UNIVERSITY. Disposophobia. The Rice University Neologisms Database. 29 set. 2010.

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