Autismo: Dicas de Como Lidar com os Comportamentos Inadequados

Autismo: Dicas de Como Lidar com os Comportamentos Inadequados

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Father and Son Conversation --- Image by © Heide Benser/Corbis

Em nosso blog já foi citado muito sobre o tema “Autismo”, descrevendo-o e abrangendo sobre as questões a cerca de tal transtorno. Porém neste texto será abordado um nicho específico de alguns comportamentos comuns do Espectro Autista: a baixa tolerância á frustração, gerando em muitos casos birras e agressividade.

Crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) possuem menos consciência das limitações sociais, o que chamamos de “cegueira mental”, ou seja, não levam em consideração comentários e nem olhares reprovadores. Além disso, a frustração e raiva daqueles incapazes de expressar suas necessidades com eficácia são maiores.

Birras, ataques de raiva e comportamentos agressivos, são o que chamamos de comportamentos inadequados e ocorrem por algum motivo, ás vezes, óbvio. Outras vezes, temos que bancar os detetives.

autismoemgoiania.blogspot.com.br

Na maioria das vezes, os motivos para as birras podem ser um ou uma combinação dos seguintes fatores:

  • Querer fazer ou ter algo que proíbem;
  • Não querer fazer alguma coisa;
  • Tédio ou frustração;
  • Medo;
  • Provocar alguma reação do ambiente e das pessoas nele presente.

Outro fator no aumento da fúria em crianças com TEA, principalmente mais novas e com o passar do tempo é a reação do adulto, pois a grande maioria está acostumada a terem suas birras aceitas. Já que os pais acham difícil suportar constrangimentos, ficando irritados ou envergonhados e acabam cedendo às exigências do filho, reforçando a estratégia do filho, ou seja, os comportamentos inadequados ficam associados à recompensa (conseguir o que querem).

Os pais sentem medo e se sentem perdidos diante das reações inadequadas de seus filhos, ainda mais quando se trata de um autista, pois muitos podem vir a serem criticados, ás vezes sendo acusados de serem péssimos pais, incapazes de controlar seus filhos e em muitos casos, se os pais não cederem, a criança pode fazer birras cada vez maiores até conseguir o que quer. Ás vezes, as birras transformam-se em comportamentos autoflageladores, como por exemplo, bater a cabeça, ou agressivos, como bater em terceiros. Mas vale ressaltar a importância dos pais manterem seu papel de autoridade perante seus filhos, pois quanto mais tempo esses comportamentos duram, mais difícil é lidar com eles.

garaycochea.wordpress.com

O QUE FAZER?

É necessário que em um primeiro momento seja realizado uma observação do caso, ou seja:

  1. Quais são os comportamentos inadequados?
  2. Em que situações e contexto os comportamentos surgem?
  3. Os comportamentos estão relacionados á algo agradável ou desagradável?
  4. Quando os comportamentos inadequados citados não acontecem?
  5. Os comportamentos estão relacionados à dificuldade de comunicação ou linguagem?
  6. Estão relacionados à necessidade da rotina e hábitos?
  7. Houve alguma mudança significativa em algum ambiente da criança?
  8. Como os outros reagem aos seus comportamentos inadequados?
  9. Acontece algo importante depois do seu comportamento?
  10. Quais os resultados positivos que a criança obtêm através de seus comportamentos inadequados?

A partir de suas respostas é possível de identificar com mais clareza se seu filho está tendo uma crise ou é apenas baixa tolerância á frustração, sendo demonstradas através de birras e comportamentos inadequados. Com o passar do tempo é possível dos pais e adultos que estão inseridos no ambiente do indivíduo distinguir suas reações.

COMO AGIR?

  • Não dê atenção à birra, demonstre à ela que o comportamento é inadequado e que desta forma ela não conseguirá o que quer.
  • Mantenha a calma, não grite, não brigue e não bata, ainda mais se os comportamentos inadequados do individuo forem os mesmos.
  • Se a criança se jogar no chão ou se colocar em uma situação perigosa, afastar apenas o que lhe oferece perigo, mas ignorar seu comportamento.
transversos.wordpress.com
  • Assim que a criança se acalmar um pouco, der uma pausa no choro, chamar sua atenção para algo totalmente diferente, mas que possa despertar seu interesse. Pode mostrar algo no ambiente, comentar sobre algum desenho que ela goste, etc.
  • Manter a mesma conduta sempre que a criança apresentar esse tipo de comportamento. Nunca ceder! Uma vez que ela consiga o que quer com este comportamento, tentará outras vezes até conseguir novamente. Orientar outras pessoas que possam interferir a manter a mesma conduta.
  • Quando a criança estiver totalmente tranquila e atenta, demonstrar como ela deve proceder para conseguir o que pretendia.

COMO PREVENIR?

  • Dê atenção e a elogie quando tiver um comportamento adequado e esperado.
  • Fale olhando nos olhos da criança e explique, falando e se necessário mostrando, através de figuras ou fotos, o lugar que ela irá, as pessoas que estarão no ambiente ou só diga a atividade que será realizada, sendo anteriormente, para que assim, o indivíduo saiba o que acontecerá e se frustrará menos.
  • A ajuda de uma equipe multidisciplinar auxilia bastante tanto no que diz respeito á orientações, quanto ao desenvolvimento e uma melhor qualidade de vida do indivíduo a curto e longo prazo.

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Psicóloga formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Se especializando em Neuropiscologia pelo Centro de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP e há quase 3 anos trabalha no enfoque clínico na região do ABC Paulista. Admiradora, apaixonada e grata pela Psicologia, tendo como um de seus maiores objetivos, propagar informação e conhecimento em torno dessa profissão tão encantadora