Especial Dia dos Pais – Falando Sobre Paternidade

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“Feliz Dia dos Pais”

Devido à comemoração dos dias dos pais, cabe a reflexão sobre a importância da paternidade, bem como a desconstrução de crenças que limitam os homens na construção e consolidação deste papel.

Fica muito difícil falar sobre paternidade, e não citar o patriarcado, machismo e heteronormatividade. Ou seja, o modelo hegemônico. Todos estes conceitos estão minimamente associados à masculinidade e sobretudo a paternidade. E o que é ser pai está e sempre esteve ligado à capacidade de prover financeiramente a família e PONTO FINAL! Será que a paternidade em sua essência deve ser tão limitada?

Atualmente os novos modelos que visam a desconstrução do homem “Provedor” vêm sendo discutido e questionado tanto na esfera social quanto na esfera intrínseca de homens e mulheres. Interessante pensarmos nas crenças que permeiam às funções parentais, mais especificamente a paternidade propriamente dita. O menino de modo algum é preparado para ser pai, e quando este se torna sua “ficha demora para cair”, as angústias surgem por todos os lados.

Talvez, essa escassez em relação à preparação seja o principal déficit para os conflitos dos homens, uma vez que ainda na infância o garoto não teve qualquer tipo de alusão ao cuidado com o outro. Alguns estudos defendem a tese de que meninos deveriam brincar de bonecas, para que assim consigam lidar melhor com a criação dos filhos.

Em contrapartida as meninas são ensinadas desde cedo a exercerem funções ditas como maternas, exemplos: brincar de boneca, casinha e comidinha. Logo, tudo acaba remetendo o contexto de acolhimento. Assim, de alguma forma entendemos que a sociedade elege somente à mulher como detentora do cuidado absoluto na criação dos filhos, mas é o papai, onde fica?

Para ser mais enfático, e adentramos no mundo da paternidade, podemos citar a licença paternidade. Ora, se falamos sobre cuidado na relação entre pais e filhos, o que podemos considerar como cuidado num período de cinco dias? De que cuidado estamos falando? E o que a lei fala sobre isso?

Foi instituída a Lei 13.257/2016 com objetivo de estender a licença paternidade de cinco para vinte dias, vale a pena lembrar que são somente para alguns casos. Isso acontece devido o programa Empresa Cidadã, instituído pela Lei nº 11.770/2008 e regulamentado pelo Decreto nº 7.052/2009, que destina a prorrogar por sessenta dias a duração da licença-maternidade. Já no caso dos homens para quinze dias, além dos cinco já estabelecidos. Todavia, as opções pela inserção no programa pelas empresas não são obrigatórias, visto que os benefícios são pagos pelo empregador, logo não é um benefício previdenciário, mas é a própria empresa que se responsabiliza.

Contudo, o objetivo não é adentrar no contexto jurídico, mas para que nos inclinássemos a reflexão do real papel do pai na sociedade, do valor e importância no desenvolvimento da criança.

De acordo com a apostila “A situação da paternidade e cuidado no Brasil” a paternidade envolvida beneficia as crianças: pesquisas revelam que quando o homem é envolvido desde o início na vida das crianças – seja no pré-natal, na sala de parto, gozando da licença-paternidade quando os filhos nascem, ou na educação, estabelecem um padrão de maior participação positiva ao longo da vida. Por fim, a importância da paternidade na construção e identidade do sujeito é demasiadamente importante.

[…] Não são poucos os benefícios dos homens assumirem um papel maior no cuidado: eles constroem vínculos afetivos mais fortes com quem cuidam. Diversos estudos têm mostrado que as crianças que têm modelos de apoio e afeto de uma figura paterna são mais propensas a serem mais seguras e mais protegidas da violência, têm futuros mais bem-sucedidos e lidam com as tensões da vida com maior facilidade do que aqueles com um pai ausente ou sem qualquer modelo masculino para se espelhar (Programa P. 2014)

Atenção! Homens o momento de descontruir muros que limitam a paternidade chegou, é preciso pensar e compreender que ser pai está muito além de somente prover o sustento familiar e de ser o machão que dá a última palavra, enquanto homens podemos também fazer parte do cuidado na criação e educação dos filhos. Para isso é importante os espaços de discussões sobre a paternidade acontecerem de modo efetivo. Por falar nisso, sugiro aos interessados que vejam os vídeos do canal “Paizinho, virgula” canal este que promove reflexões acerca do tema. 😉

Referências Bibliográficas

Disponível em: < https://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/isencoes/programa-empresa-cidada/orientacoes > Acesso em 6 de agosto de 2017.

Disponível <https://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/isencoes/programa-empresa-cidada/orientacoes > Acesso em 6 de agosto de 2017

Disponível <http://www.aldeiasinfantis.org.br/getmedia/3dc63a14-fbdc-4cdc-a5a4-43bf45b24e81/Revista_BemCuidar-02.pdf > Acesso em 6 de agosto de 2017

Disponível <http://promundo.org.br/wp-content/uploads/sites/2/2014/08/promundo_manualp_06a_baixa1.pdf acesso> Acesso em 7 de agosto de 2017

Disponível <https://www.youtube.com/results?search_query=paizinho+virgula> Acesso em 7 de agosto de 2017

Disponível < https://sowf.men-care.org/wp-content/uploads/sites/4/2015/07/The-State-of-Fatherhood-and-Caregiving-in-Brazil_Portuguese_web-1.pdf > Acesso em 07 de agosto de 2017

Disponível <https://www.youtube.com/watch?v=pB5nI01002g>  Acesso em 07 de agosto de 2017

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Psicólogo clínico, graduado pela Universidade Cruzeiro do Sul, atuante na abordagem Cognitivo Comportamental, sendo esta minha paixão. Mantendo uma página no facebook intitulada @EryelPsi, sendo esta destinada a compartilhar conhecimento a cerca da terapia cognitivo comportamental, bem como assuntos pertinentes a sociedade contemporânea e suas ramificações. Trabalhei por 6 anos em uma Organização Social, com crianças e adolescentes, com projetos que visam a construção da cidadania, convivência e fortalecimento de vínculos. Sou aspirante a pesquisador em comportamentos, neuropsicologia, intervenções psicoterapêuticas, habilidades sociais e psicopatologias, ingressei na área através do congresso 23º Encontro de Serviços-Escola de Psicologia em 2016, sediado pela PUC-SP. Tenho afinidade em temas advindos da Psicologia Social, bem como sociedade contemporânea e relações humanas. Colunista do Blog “Mundo da Psicologia”, com imenso prazer na leitura e escrita, a fim de ampliar e propagar conhecimentos.