Desde que o Mundo é Mundo – O Preconceito

Desde que o Mundo é Mundo – O Preconceito

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Preconceito:

  1. Qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico;
  2. Sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apresentada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.

A palavra preconceito é constituída por duas partes diferentes:

– pré: algo anterior, antecedente, que existe de forma primária, primeira, precedente;

– conceito: aquilo que se entende ou compreende em respeito de algo. Do Latin, conseptus, referente a construção ideal do ser ou de objetos apreensíveis cognitivamente.

Desta forma, refere-se a um conceito formado anteriormente a constatação dos fatos, utilizando-se de características julgadas universais que podem ser atribuídas a todos que se encaixam na categoria referida.

De forma simples, o preconceito é aquela atitude que temos frente ao que nos é diferente, incomum em nosso círculo de convivência, que foge a nossa zona de conforto. Essas nossas concepções são assimiladas em nós desde o nosso nascer, nós aprendemos pelo modelo de nossos pais, da sociedade na qual estamos inseridos, das nossas religiões, etc. e isso não quer dizer que estamos culpabilizando nossos pais por isso, pois eles também aprenderam esse modelo com os pais deles, que tinham os ideias de sociedade deles, e assim sucessivamente.

Com o avanço da nossa sociedade, que hoje possibilita voz a minorias antes escondidas por medo de suas diferenças, pelo tabu que elas apresentavam, resultou em choque numa sociedade que estava cristalizada, mecanizada. E, como tudo que é diferente, e pelo jeitinho mais fácil de fazer, optamos num primeiro momento por julgar, rejeitar, odiar.

Algo que podemos facilmente relacionar a este processo é o discurso filosófico da Fenomenologia-Existencial, é a chamada atitude antinatural, que é a suspensão dos nossos preconceitos enquanto estamos com o outro. Chamada epoché, é a atitude contrária a atitude natural que seria a atitude se julgar a partir dos meus conceitos anteriores.

Um exercício deve ser feito todos os dias, o exercício do pensamento livre de julgamentos, pensar que somos todos seres humanos e, como eu sou diferente do meu irmão e eu o respeito, também posso compreender e respeitar aquela pessoa que aparentemente destoa muito das minhas concepções.

Ao invés de olhar de forma ‘torta’, xingar, bater, ofender, segregar…precisamos respeitar. Aquela diferença, daquela pessoa, não vai prejudicar o meu trabalho, minha vida pessoal, minha existência…o que vai prejudicar isso é o meu preconceito sobre ela, o meu preconceito pode interferir negativamente na minha vida e na vida dos outros.

Fica aqui a reflexão para o momento triste que vivemos neste final de semana na Flórida, e para os tantos outros que acontecem todos os dias, onde o preconceito, infelizmente, vence. E o exercício da atitude antinatural a ser realizado diariamente.

Bibliografia:

FEIJOO, A. M. L. C “A Existência Para Além do Sujeito: A Crise da Subjetividade e suas Repercussões para a Possibilidade de uma Clínica Psicológica com Fundamentos Fenomenológico-Existenciais”, Editora Via Verita, São Paulo, 2011.

RODRIGUES, L. O. “Preconceito”, Mundo Educação, Sociologia. Disponível em <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/sociologia/preconceito.htm> acesso em 13 de Junho de 2016.

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