Desafiamos você a tomar a decisão certa – Achas que consegue?

Desafiamos você a tomar a decisão certa – Achas que consegue?

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Toda meditação sobre um fato, conceito, circunstâncias, em que o indivíduo consiga tirar conclusões próprias chama-se de reflexão. Uma condição única. É uma exclusividade do ser humano, e que respectivamente acreditamos que possibilite para todos o poder do raciocínio e de indagação cognitivamente ao mundo exterior e ao estado interno da mente. Fazendo com que nossa sensibilidade aos fatos seja profunda.

Desafio você a ler este texto até o final conforme as regras que irei propor:

  • Você será o personagem principal. Narrarei sua história/vida.
  • No momento que você começar a julgar o personagem, lembre-se que estará julgando a si mesmo. Precisas incorporar.

PRONTO? Esvazie sua mente, respire fundo, o texto é rápido! Vamos lá…

Seu nome João da Silva,10 anos, negro, morador de uma das várias favelas do Brasil, em alguma das diversas cidades deste pais. Ultimamente anda pensando muito nas suas condições de vida. Precisando ir com a mesma roupa para a escola três vezes na semana, e como é um bolsista integral de uma das melhores escolas da cidade – graças à sua mãe, que trabalha como faxineira na casa do diretor – está começando a se constranger diante de seus colegas. Na sua antiga escola, seus colegas também repetiam as roupas, era algo natural:

– Porque preciso ir com roupas diferentes todos os dias? Nem gosto de ir. Os meus colegas não gostam de mim! Quero voltar para o bairro! Lá conheço todos.

– Filho, dá uma chance para sua nova escola. Não faz 1 mês ainda, logo vai se adaptar. Agora estudas num melhor lugar! Uma oportunidade única.

A mãe de João tentava sempre mostrar o lado bom da vida, mas, até que a rebeldia dele fazia sentido. Afinal, quando estamos imersos numa cultura – e falando de ambiente também – é difícil perceber o quanto do que fazemos é afetado por ela.

Passava-se dois anos, continuava na mesma escola. E o preconceito sobre ele, estava empregando entre os colegas.

“Olha o garoto sujo, já está da mesma cor roupa…preta! ”

A ofensa foi a gota da água, João partiu para a briga. Queria se defender. Foi racismo puro. Isso ele não admite!

O problema, é que o colega racista tinha amigos, e todos foram defende-lo. Apanhou até o monitor da escola interromper, levando somente João para a secretaria.

– Você só me dá problemas! Dizia o diretor.

Nada podia ser feito. E o racista? O pai dele tem dinheiro! E isso basta. Após sair da aula, João caminhava em direção a periferia…. Até que a gangue ressurge:

– Agora não te salvas!

Na mesma hora João ficou apavorado. Fugir não era opção. Eram no mínimo sete! A situação estava feia, até que:

– Michel! Para com isso! Deixem o João em paz. Ele já apanhou por algo que não fez!

Uma garota, 12 anos, João conhecia ela, é sua colega Maria. Loira, olhos verdes, linda, e filha de um vereador “poderoso” da cidade.

– Droga, Maria! Estás estragando minha diversão…vai ter volta preto!

Dizia Michelzinho, indo embora com sua trump(ops tropa). A garota, virava-se, esticava sua mão e sorridente dizia…

– Oi! Sou a Maria, sei que sabes disso.

– Não deixe que te aborreçam! Roupa é só um detalhe, não é importante. E sua cor..É linda!

Maria ficava constrangida. Ele também. Mas, ambos estavam felizes! Pela primeira vez na escola, João tinha uma amiga. Então…A garota foi embora, deixando lembranças boas na cabeça do garoto.

Antes de chegar em casa, um de seus amigos da favela aparece a sua frente. Esse amigo era um pouco mais velho, tinha 15 anos, estava em cima de uma bicicleta, carregando um revólver calibre 38 em uma de suas mãos, assustando nosso jovem.

João é filho único, sua mãe o criou sozinha! Sem ajuda de ninguém. E sempre que passava pelos traficantes, ela puxava a orelha do garoto:

– NUNCA FAÇA ISSO! NÓS VAMOS VENCER, SEM PRECISAR ROUBAR!

Era mãe e o filho contra o mundo. Uma luta injusta, mas nada de anormal nesta sociedade, as vezes não tinham nem o que comer. A mãe ganhava muito pouco. E após conseguir a vaga na escola, parecia que tinha um debito alto para cumprir com o Diretor.

Mas, enfim, o garoto apareceu na frente de João carregando a popular 38 Também estava com um relógio caro, calça descolada, boné novo, camiseta da seleção brasileira original. João estava encantado com a evolução do amigo. E o garoto, esbanjando-se a frente dele fala:

– Eai Mano! Para que ir nessa escola? Volta para nossa. E melhor, entra pro grupo do Morro! Os traficantes são muito legais e tudo que estou vestindo, você pode ter! É só você dizer sim, que te levo lá.

João agradece, mas diz não. E segue seu caminho para casa, obvio que tudo aquilo chamava atenção. Mas, tinha respeito por sua mãe.

Ao chegar em casa, sua mãe não estava. Aquilo já era normal, ela tinha que prestar horas extras.

O problema é que ela não chegava nunca…

Passou uma hora…

Passou duas….

Passou 24hrs.

A notícia chegou pelas vizinhas, que vieram correndo na casa de João. Todas abraçavam o garoto, que não entendia o que acontecia.

Até que seu amigo, o garoto traficante, chegava correndo na casa e ligando a TV:

“HOJE ACORDAMOS COM UMA NOTICIA ASSUSTADORA.

UMA JOVEM MULHER FOI ENCONTRADA MORTA. NA CAMA DA CASA ONDE TRABALHAVA COMO EMPREGADA DOMÉSTICA. ACREDITA-SE, PELA MANEIRA DE COMO FOI ENCONTRADO O CORPO, QUE A MOÇA POSSA TER SIDO VÍTIMA DE ESTUPRO…E O SEU CHEFE É O MAIOR SUSPEITO DO CRIME.”

A notícia seguia. João, que em estado de choque, apenas olhava. De repente tudo ficava mudo na sala pequena.

Todos chorando, as senhoras gritando, seu amigo falando…

João tem 12 anos, quem cuidará dele? O que vai acontecer?

Um dia atrás, estava feliz por fazer amizade na escola! No outro…

Como sobreviver?

Nesse instante, um dos traficantes mais poderosos da favela, entra na residência, coloca uma de suas mãos no ombro do amigo de João. E outra estende para João…

Agora é aquele momento em que lhe pergunto…

Você, vivendo o personagem João, o que faria? Qual atitude seria a correta? O que é certo ou errado? Tens medo de ser julgado pela decisão escolhida?

Não existe uma resposta totalmente certa. A verdade é que nunca saberemos. João é uma das milhares de estrelas do céu, que em algum momento de sua vida, imploram para que as pessoas notem sua existência.

São tantas perguntas, e elas possuem um fardo muito significativo. É por isso que precisamos usar o exercício da reflexão. E com isso, precisamos parar de julgar sem enxergar a situação do próximo.

Aliás, entre nós, você esta percebendo oque está acontecendo na sociedade?

Estamos na era da informação, e ao mesmo tempo estamos perdendo controle dela. O direito de opinião está dando lugar a um show de horrores onde somente quem é “esquerda extremo”, ou “direita extremo” estão corretos. Sendo que muitos não sabem nem o significado de esquerda ou direita, que dirá do termo “extrema”.

Julgamos a tudo e a todos sem olharmos os direitos humanos, estamos ficando cegos através da ignorância de acreditar que somente quem está correto, é aquele que souber escrever um comentário no Facebook utilizando a norma culta da língua brasileira, e se souber usar algumas palavras em outra língua, ganha alguns likes de brinde. A raiva está surgindo em simples comentários de redes sociais, nos tornando seres primitivos na era da informatização… E sabem o João? Continua sem saber o que decidir de sua vida. Afinal, quem poderia fazer algo por ele, está sentado numa cadeira ofendendo alguém num post da Internet.

Vamos refletir o que está acontecendo na sociedade? Problemas sociais, políticos?  Estou aberto a um bom diálogo, desde que seja coerente respeite as diferenças. Muito Prazer! Me chamo Pablo Salomão e sou o novo colunista do Mundo da Psi. Publicarei textos quinzenalmente. Com abordagens livres que possibilitarão a reflexão, algo que é tão necessário para os tempos atuais e que respectivamente encontra-se demasiada ausência nas redes sociais.

Vamos conversar? Desde, que tenha um bom café e vontade de mudar o Brasil! E claro, além de um ótimo bom senso, estarei disposto a receber sua opinião.

Dúvidas, sugestões enviar para pablofsalomao@hotmail.com

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Acadêmico em Psicologia pela Faculdade Anhanguera - Rio Grande/RS. Trabalho no monitoramento do desenvolvimento da primeira infância em bairros carentes na cidade de Pelotas/RS. Questionando nossos comportamentos perante a sociedade, estou aqui para mostrar que a psicologia não é somente uma área. Pense, e se a vida for somente um detalhe? Talvez, seja hora de conversarmos sobre nossas atuais condutas.