Depressão: Um Fator de Risco para o Indivíduo

Depressão: Um Fator de Risco para o Indivíduo

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Depression. LOMO effect

Há uma série de evidências que comprovam que a depressão é uma doença, no qual, faz com que haja alterações químicas no cérebro, principalmente com relação aos neurotransmissores (seretonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão.

A prevalência de co-ocorrência de perdas cognitivas e depressão dobram a cada cinco anos cerca de 25%. Há estudos que relatam a existência de uma causa comum subjacente no sistema nervoso central que poderia levar tanto à depressão e também ao declínio cognitivo.

Foi demonstrado que pessoas deprimidas têm frequentemente mais e severas anormalidades na substância branca e em áreas subcorticais do cérebro, sendo demonstradas em imagens de ressonância nuclear magnética (RNM), pois a depressão está associada com a elevação dos níveis de cortisol, criando a hipótese explicativa que leva em conta a possibilidade desta hipercortisolemia levar à morte de neurônios no hipocampo e a desregulação do eixo hipotálamo-pituitária- adrenal, com consequente atrofia hipocampal, ou seja, desenvolvendo um declínio cognitivo do indivíduo.

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O impacto da depressão é observado em diferentes áreas cognitivas, tendo sido reportados prejuízos nas funções executivas, na memória e na velocidade de processamento da informação, no mecanismo cerebral do indivíduo. Outras funções cognitivas que podem estar alteradas são viso-espaciais, atenção sustentada e a própria motivação em tarefas simples, o que demonstra que há associação entre sintomas depressivos e demência ou declínio cognitivo, porém a natureza desta relação ainda permanece por ser determinada.

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Existem ainda importantes questões a serem respondidas: se a depressão causa declínio cognitivo ou vice-versa; se a idade de início da depressão tem relação com pior prognóstico e risco aumentado para a ocorrência de demência; se a presença de prejuízos cognitivos em pessoas deprimidas seria um primeiro sintoma de demência; e se a remissão da depressão ocasionaria também a remissão dos prejuízos cognitivos. Ainda que exista a alta frequência entre depressão e disfunção cognitiva, existe a possibilidade de que não exista uma relação causal entre ambas, ou seja, que sejam apenas duas doenças de apresentação comórbidas.

A maioria dos estudos aponta para a hipótese de que quanto mais grave a depressão, maior o prejuízo cognitivo e funcional dos pacientes. Também indicam que o agravamento das dificuldades executivas, talvez seja o grande responsável pela piora das outras funções cognitivas, principalmente da memória. É relatado por autoridades no assunto que pacientes com depressão de início tardio mostram uma redução em seu desempenho nas tarefas que envolvem a função executiva.

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Por essa razão é de extrema importância avaliar as funções cognitivas e emocionais em pacientes com depressão, com o auxílio de médicos como neurologistas e psiquiatra, além de neuropsicólogo e psicólogo. E deem principalmente credibilidade e atenção às pessoas deprimidas, pois além do declínio cognitivo, o desenvolvimento de uma demência, pode também desencadear outros fatores de risco prejudiciais à saúde do indivíduo.

REFERÊNCIAS:

Alexopoulos, G. S., Kiosses, D., Klimstra, S., Kalayam, B., & Bruce, M. L. (2002). Clinical presentation of the depression executive dysfunction syndrome of late life. American Journal of Geriatric Psychiatry, 10(1), 98-106.

Ávila, R., & Bottino, C. M. C. (2006). Atualização sobre alterações cognitivas em idosos com síndrome depressiva. Revista Brasileira de Psiquiatria, 28(4), 316-20.

Herrmann, L. L., Goodwin, G. M., & Ebmeier, K. P. (2007). The cognitive neuropsychology of depression in the elderly. Psychological Medicine, 37, 1693-1702.

Kiosses, D. N., Klimstra, S., Murphy, C., & Alexopoulos, G. S. (2001). Executive dysfunction and disability in elderly patients with major depression. American Journal of Geriatric Psychiatry, 9(3), 269-274.

Xavier, F. M. F. (2006). Funções executivas e envelhecimento. Em: M. A. M. P.Parente & cols. (Orgs.), Cognição e envelhecimento (pp. 205-224). Porto Alegre, RS: Artmed.

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